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Cadernos de História da Ciência

versão impressa ISSN 1809-7634

Cad. hist. ciênc. vol.6 no.1 São Paulo jan./jul. 2010

 

Centenário da fundação da Comissão Rondon (1907-2007) – Personagens, descobertas e produção bibliográfica

 

Centenary of the foundation of the Rondon Commission (1907 – 2007) – Character, Discoveries and bibliographic production

 

Hitoshi Nomura
Professor Associado do Departamento de Zootecnia, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, USP. Contato: curimbata@hotmail.com

 


RESUMO

O objetivo deste artigo é dar informações biográficas sobre Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), que foi indicado pelo Presidente da República do Brasil, Affonso Augusto Moreira Penna, em 1907, para organizar e conduzir a Commissão de Linhas Telegraphicas Estrategicas de Matto-Grosso ao Amazonas, mais tarde conhecida como Commissão Rondon.
Essa Comissão, levantou muitos fatos novos sobre Etnografia, Geografia, Astronomia, Saneamento, Geologia, Mineralogia, Saude Pública, Zoologia e Botânica dos Estados de Mato Grosso e Amazonas, devido ao próprio Rondon e seus colaboradores – Alípio de Miranda Ribeiro (zoólogo ), Frederico Carlos Hoehne (botânico) e alguns outros pesquisadores, cujas biografias são também apontadas.

Palavras chaves: Comissão Rondon, relatórios médicos, pesquisa cientifica; Amazônia


ABSTRACT

The aim of this article it to give biographical information on Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), who was indicated by the President of the Republic of Brazil, Affonso Augusto de Moreira Penna, in 1907, to organize and conduct the Commissão de Linhas Telegraphicas Estrategicas de Matto-Grosso ao Amazonas, later known as Commissão Rondon.
Thanks to that Commission, many new facts on Ethnography, Geography, Astronomy, Sanitation, Geology, Mineralogy, Zoology and Botany of the States of Mato Grosso and Amazonas came to light, due to Rondon himself and his collaborators – Alípio de Miranda Ribeiro (zoologist), Frederico Carlos Hoehne (botanist) and few others, whose biographies are also shown.

Key words: Rondon’s Commission, medical reports, scientific research, Amazônia


 

 

Introdução

Na virada do século XX o Brasil ainda era um imenso território inexplorado a ser integrado. Em 1907 o Presidente da República era Affonso Augusto de Moreira Penna, o qual entendia que as regiões norte e centro-oeste deveriam ser desbravadas, visto que o desenvolvimento do país vinha se processando somente na faixa litorânea, com algumas exceções como o interior dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Nesse ano ele criou a Commissão de Linhas Telegraphicas Estratégicas de Matto-Grosso ao Amazonas (ortografia da época), e foi escolhido para dirigi-la um oficial do Quinto Batalhão de Engenharia, o então Major Cândido Mariano da Silva Rondon (Figura 1), militar exemplar, descendente de índios e que já tinha participado de construção de outras linhas telegráficas, qualificado como a pessoa mais indicada para chefiar e organizar essa comissão. Conhecida como Comissão Rondon, estava subordinada aos Ministérios da Viação, Agricultura, Trabalho e da Guerra.

Rondon nasceu na localidade de Mimoso, perto de Cuiabá, MT, em 5 de maio de 1865 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 19 de janeiro de 1958. Ele foi criado pelo seu tio paterno Manuel da Silva Rondon. Aos 16 anos de idade obteve, no Liceu de Cuiabá, o diploma de professor público. Ele se matriculou na Escola Militar do Rio de Janeiro em 1883; em 1886 era alferes-aluno e, em 1889, concluiu o curso. Em 1890, obteve o grau de bacharel em Matemática, Ciências Físicas e Naturais; nesse ano foi promovido a 2º tenente e, logo a seguir, a 1º. Foi então nomeado “Ajudante da Commissão de Linhas Telegraphicas de Cuyabá ao Araguaya”, que era chefiada pelo Coronel Gomes Carneiro. Em 1892 foi nomeado Chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso, sendo encarregado da linha telegráfica de Cuiabá ao Araguaia. Em 1898 foi nomeado Auxiliar Técnico da Instrução Geral de Guerra no Rio de Janeiro. Em 1900 foi novamente para Mato Grosso, para chefiar a construção de uma linha telegráfica de Cuiabá a Corumbá, que concluiu em 1 de janeiro de 1904. De 1900 a 1906, participou da implantação de mais de 1800 km de linhas telegráficas, com 17 estações. Ele tinha muita experiência em construir linhas telegráficas, quando o Presidente Affonso Penna o convidou para dirigir a nova Comissão.

Em 1898 ele ingressou na Igreja da Religião da Humanidade, tendo desenvolvido a doutrina humanitária, consubstanciado no lema “Morrer, se preciso for; matar nunca!” Esse era um dos seus princípios, havendo mais três (Ribeiro, 1959, p.88): segundo – respeito às tribos indígenas como povos independentes; terceiro – garantir aos índios a posse das terras que habitam e são necessárias à sua sobrevivência; quarto – assegurar aos índios a proteção direta do Estado.

Relata Rondon, na página 10 de um relatório de 1907 (apud Hoehne, 1941, p.74):

... quando, em princípios de 1907, estando eu na Capital, por ter concluído a construcção da linha telegraphica de Cuyabá a Bella Vista, com ramais para Corumbá, Miranda, Porto Murtinho, Coimbra e São Luiz de Cáceres, fui convidado, em Fevereiro, para uma conferencia com o Presidente da Republica, o Sr. Dr. Affonso Augusto de Moreira Penna.

Tratou S. Excia., demoradamente de assumptos que se prendiam à estabilidade do Território do Acre e, interpellando-me sobre os projectos referidos, pediu-me que externasse a minha opinião sobre o que deveria ser preferido. Declarei-me pelo projecto Behring.

Sem preâmbulo, encarregou-me S. Excia. de realizal-o. Ponderei-lhe que eu acabava de regressar dos confins do Brasil com a Bolívia, onde terminara serviços iniciados em 1890, a principio entre Cuyabá e o Araguaya, mas que, depois, se extenderam até aquela data, com uma única interrupção em 1899. Não obstante, disse-lhe, era soldado e que jamais tinha pedido e jamais recusado serviços; e, se a tal motivo V. Excia. julgava que o interesse do paiz exigia de mim este sacrifício, subordinava-me, positivamente, à ordem de acabava de receber.

O que essa Comissão realizou durante seus primeiros anos foi divulgado pelo auxiliar de Rondon, o Coronel Amílcar Armando Botelho de Magalhães (1880?-1959), em 1941 e 1942. A Comissão – nucleada por um grupo de oficiais e praças do Exército Brasileiro – construiu 2270 km de linhas telegráficas, fez o levantamento de 50 mil km lineares de terras e de águas e conquistou dezenas de tribos indígenas. Doze rios até então desconhecidos foram mapeados. Um deles foi dedicado ao ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt. De 1907 a 1917 ela coletou 8837 plantas e 5667 animais.

Em 1910 foi fundado o Serviço de Proteção aos Índios, também dirigido por Rondon. De 1915 a 1919, quando coronel, Rondon fez o levantamento da região de Mato Grosso, Goiás e Amazonas. Em 1919 foi promovido a General de Brigada. De 1927 a 1930 Rondon percorreu as fronteiras brasileiras, desde o norte até Santa Catarina. Em 1934 ele foi transferido para a reserva do Exercito. Assim mesmo, logo depois contribuiu para a resolução de questões envolvendo os limites territoriais entre o Peru e a Colômbia.

Em 1939 Getúlio Vargas fundou o Conselho Nacional de Proteção aos Índios e ele foi designado seu presidente. Rondon galgou todos os postos da hierarquia militar e chegou a Marechal.

Em 1939 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística concedeu-lhe o título de “O civilizador do sertão”. A Sociedade Geográfica de New York concedeu-lhe o Prêmio Livingstone (1913-1914) após a Expedição Roosevelt-Rondon (1914). Esta expedição foi divulgada pelo próprio Roosevelt no livro Through the Brazilian Wilderness, de 1914, vertido para o português em 1944 com o título Através dos Sertões do Brasil.

Em 12 de novembro de 1942 o acervo da Comissão Rondon foi transferido para esse Conselho, subordinado ao Ministério da Agricultura.

Edgard de Roquette Pinto (1884-1954) estudou os índios Nhambiquaras e Parecis em 1912. Ele partiu para Mato Grosso no dia 22 de julho desse ano. Para este autor (1917, p.12), Os índios da Serra do Norte, no Estado de Mato Grosso, representam, talvez, neste momento, a mais interessante população selvagem do mundo. Em 1917 publicou uma obra importante que ele denominou de Rondônia, homenageando Rondon, abrangendo a região entre os rios Juruena e Madeira, que passou a ser território em 1943 e em 1956, transformado em Estado de Rondônia (antigo Território do Guaporé). Essa monumental obra encerra os seguintes capítulos: Histórico da descoberta de Mato Grosso – A Comissão de Linhas Telegráficas e Estratégicas, do Rio de Janeiro a São Luís de Cáceres, e à Aldeia Queimada, Parecis e Nhambiquaras. Estes índios atacaram a expedição de Rondon no dia 22 de outubro de 1907 (Roquette-Pinto, 1917, p.28), mas ele não se feriu porque A choupa de uma flecha, cuja ponta se cravara no solo arenoso, ali estava vibrando. (Palavras de Rondon, apud Mello-Leitão, 1944, p.493, nota 25). Essa flecha está hoje no Museu Nacional sob nº 2.178. Roquette-Pinto trabalhou com Rondon, nas selvas, durante alguns meses de 1910, quando tinha apenas 26 anos de idade: a poesia daquelas terras infiltrou-me o pensamento. Ouvir o mestre era escutar a voz chamadora do sertão. Sentir o rumorejo das florestas distantes. (Roquette-Pinto, 1917, p.32).

A cidade de Rondonópolis foi fundada em 1970 em Mato Grosso. No rio Sepotuba, afluente do Rio Paraguai, existe o Salto Rondon.

Na década de 1950 mantivemos correspondência com Rondon, que na ocasião nos enviou as publicações disponíveis da Comissão que ficou conhecida pelo seu nome. Em 5 de maio de 1955, ao completar 90 anos de idade, ele foi homenageado no salão nobre do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, contando com a presença do então governador de São Paulo, Jânio da Silva Quadros, matogrossense como ele. Foi então que pudemos vê-lo pessoalmente, mas ele já estava cego, por causa da avançada catarata ou glaucoma.

Segundo a opinião de Rodolpho Garcia (1922, p.910), essa Comissão

[...] incorporou ao Brasil uma vasta porção de território nacional, que era brasileira, é verdade, mas com que não se contava, porque não se conhecia. Reconhecê-la, palmeá-la, medi-la, calcular-lhe as riquezas, pacificar suas gentes e chamá-las à civilização, tal tem sido o trabalho desses abnegados Bandeirantes modernos no far-west e nos sertões setentrionais do Brasil.

Registrou Darcy Ribeiro (1959, p.86) que a Comissão Rondon foi uma grande empresa política e militar que se tornou, sob sua direção, o maior empreendimento científico e a maior cruzada humanística jamais testada no Brasil.

Os componentes da Comissão Rondon descobriram muitas novidades nos terrenos da geografia, etnografia, geologia, botânica, zoologia e astronomia. Foram 104 os trabalhos publicados por essa Comissão (1909-1947) e mais 49 (1919-1944) em conexão com ela (Anônimo, 1950).

Pelo decreto nº 62.927, de 18-6-1968, foi criado o Projeto Rondon, destinado a promover estágios de serviços de estudantes universitários em áreas do território brasileiro carentes de recursos. Quando lecionávamos Piscicultura na ESALQ-USP lideramos um grupo de universitários de Agronomia para implantar essa atividade na cidade de Tietê, ESP, em 1982.

As conquistas da Comissão Rondon, conforme pode ser observado no Catalogo Geral das Publicações da Comissão, editada em 1950 (Figura 2) foram bastante relevantes e alcançaram os mais diversos ramos do conhecimento humano, conforme sumarizado abaixo:

Astronomia

Apesar de poucos trabalhos publicados sobre o tema, astronomia também obteve material e estudos com a Comissão Rondon.

A Publicação nº 3 mostra o Relatório do ajudante da Expedição, 1º Tenente João Salustiano Lyra (7 pp, 5 tabelas, Papelaria Macedo, Rio de Janeiro).

A Publicação nº 4 é o Relatório do Encarregado do Posto Astronômico de Cuiabá, 1º Tenente Renato Barbosa Rodrigues Pereira (16 pp. e 6 folhas com as Latitudes de Cuiabá): (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 1909).

O 1º Tenente Renato Barbosa Rodrigues Pereira apresentou o Relatório dos Trabalhos efetuados em 1910, contendo 144 páginas com tabelas de latitudes e longitudes: (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 1911). Publicação nº 44.

O 1º Tenente João Salustiano Lyra apresentou o Relatório do Serviço Astronômico: (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 149 pp., 1916 – Publicação nº 32).

Botânica

Frederico Carlos Hoehne nasceu na cidade de Juiz de Fora, MG, em 1 e março de 1882 e faleceu na cidade de São Paulo, SP, em 16 de março de 1959. Desde criança ele gostava de orquídeas, plantas que eram cultivadas pelo seu pai. Era autodidata em botânica.

Em 6 de agosto de 1907 ele foi nomeado interinamente como jardineiro-chefe do Museu Nacional do Rio de Janeiro. O então secretário do Museu, Alípio de Miranda Ribeiro, tornou-se muito amigo dele. Ele o convidou para trabalhar na Comissão de Linhas Telegráficas, que depois passou a ser conhecida como Comissão Rondon. O major Rondon aceitou a sua indicação e sua nomeação foi publicada em 25 de maio de 1908 para atuar como ajudante de botânico, com salário de um conto de réis, uma fortuna na época. Nessa primeira fase ele ficou na Comissão até 1912, sendo que de 1913 a 1914 foi membro da Expedição Científica Roosevelt, retornando à Comissão Rondon, onde permaneceu até 1917.

Num relatório de 1951 do Instituto de Botânica, que Hoehne dirigiu de 1938 a 1950, se encontra todo o currículo desse botânico. Ele publicou 478 artigos em jornais e revistas, 4 livretos e artigos para crianças, 117 trabalhos monográficos técnicos e proferiu 54 palestras e conferências. Hoehne é o autor da maior parte dos volumes publicados sobre a série Flora Brasílica. Ele foi um dos pesquisadores que mais escreveram sobre plantas no Brasil, tendo sido botânico da Comissão Rondon, do Instituto Butantan, Museu Paulista, Instituto Biológico e Instituto de Botânica. Hoehne ilustrava de próprio punho as plantas que descreveu como novas. Hoje ele seria considerado “viciado em trabalho”.

Em 1929 ele já era um botânico consagrado e a Universidade de Göttingen, Alemanha, concedeu-lhe em 11 de julho desse ano o diploma de Doutor Honoris Causa de Filosofia.

Entre seus livros salientam-se: Botânica e Agricultura no Brasil no século XVII (Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1937, 410 pp.), Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais (Departamento de Botânica do Estado de São Paulo, 1939, 324 pp., il.); O Jardim Botânico de São Paulo (em colaboração com Oswaldo Handro e Moysés Kuhlmann) (Departamento de Botânica, São Paulo, 1941, 656 pp., il.) e Iconografia de Orchidáceas do Brasil (Departamento de Botânica, São Paulo, 1949, 304 pp., il.).

Nos trabalhos da Comissão Rondon constam os seguintes trabalhos de sua autoria:

  • Publicação nº 8 – História Natural – Botânica – Parte I – Bromeliáceas – Pontederiáceas – Liliáceas – Amarilidáceas – Iridáceas – Orquidáceas (71 pp., 1910);
  • Publicação nº 9 – História Natural – Botânica – Parte II – Leguminosas determinadas pelo Dr. H. Harms – Organização e tradução de F. C. Hoehne (15 pp., 1912).
  • Publicação nº 10 – História Natural – Botânica – Parte III – Melastomáceas – Cucurbitáceas e Orquidáceas estudadas e determinadas pelo dr. Alfredo Cogniaux. Organizada e traduzida por F. C. Hoehne (15 pp., 2 gravuras fora do texto, 1912).
  • Publicação nº 11 – História Natural – Botânica – Parte IV – Alismatáceas, Butomáceas, Hidrocaritáceas, Pontederiáceas, Orquidáceas e Ninfacáceas (33 pp., 14 fotogravuras fora do texto, 1912).
  • Publicação nº 12 – História Natural – Botânica – Atlas – Parte I – Bromeliáceas, Pontederiáceas, Liliáceas, Aristoloquiáceas, Droseráceas e Passifloráceas (60 fotogravuras e 1 p. de corrigenda, 1913).
  • Publicação nº 28 – Relatório dos Trabalhos de Botânica e viagens executadas durante os anos de 1908 e 1909 (54 pp., 1916).
  • Publicação nº 38 – História Natural – Botânica – Monografias das Asclepiadáceas Brasileiras – Relação e descrição das Asclepiadáceas brasileiras encontradas nos diversos Herbários do Brasil (131 pp, 13 páginas de gravuras).
  • Publicação nº 40 – História Natural – Botânica – Parte V – Maiacáceas, Xiridáceas, Comelináceas, Zingiberáceas, Canáceas, Marantáceas, Burmaniáceas, Orquidáceas, Aristoloquiáceas, Fitolocáceas, Nitagináceas, Passifloráceas e Onagráceas (87 pp., 26 pp. de gravuras, 1915).
  • Publicação nº 41 – História Natural – Botânica – Parte IV – Adição para Alismatáceas e Butonáceas da parte IV. Triuridáceas, Palmeiras, Cyclantáceas, Rapatáceas, adição para Amaliridáceas das partes I e V e de Burmaniáceas da parte V, Proteáceas, Opiláceas, Olacáceas, Balanoforáceas, Alizoáceas, Cariofiláceas, adição para as Nineacáceas da parte IV, Ranunculáceas, Papaveráceas, Caparidáceas, Droceráceas, Oxalidáceas, Humiriáceas, Burseráceas, Meliáceas, Voquiseáceas, Ramnáceas, Vitáceas, Ochnáceas, Cariocaráceas, Bixáceas, Cochlospermáceas, Turneráceas, Loassáceas, Cactáceas, Halorragidáceas, Araliáceas, Umbelliferas, Ericáceas, Ebenáceas, Loganiáceas, Cactáceas, Halorragiáceas, Araliáceas, Centiáceas, Apocináceas, Hidrofiláceas, Pedaláceas, Campanuláceas e Maritináceas (95 pp., 20 fotolitografias e 10 gravuras, 1916).
  • Publicação nº 43 – Versão para o inglês da publicação nº 42.
  • Publicação nº 45 – História Natural – Botânica – Parte VIII – Leguminosas (99 pp., 21 fotos, 8 desenhos).
  • Publicação nº 47 – História Natural – Botânica – Parte IX – Bromeliáceas e Orquidáceas (44 pp., 6 fotogravuras e 12 desenhos, 1916).
  • Publicação nº 51 – Botânica – Relatório apresentado por F. C. Hoehne (81 pp., 18 pp. de fotolitografias, 1914).
  • Publicação nº 74 – História Natural – Botânica – Parte XII – Contribuição ao conhecimento das Leguminosas de Rondônia (Aditamento para a parte VIII) (28 pp., 15 pp. de litografias, 1922).
  • Publicação nº 85 – Fitofisionomia do Estado de Mato-Grosso e Ligeiras notas a respeito da sua flora (104 pp., 26 fotogravuras, 1922).

Do material colhido durante a Comissão Rondon, Hoehne nomeou as seguintes espécies novas (Hoehne, 1951:120-136), descritas nas suas publicações:

  • Amarylidáceas Alstroemeria chapadensis 1915.
  • ApocynáceasEchites ornata 1915.
  • Araliáceas Didymopanax simplicifolium 1915).
  • Aristolochiáceas Aristolochia droseroides 1910.
  • BromeliáceasBillbergia leucantha 1916, Pitcairnia anomala 1916.
  • Butomáceas Hydrocleis oblonjpgolia 1915.
  • EbenáceasDiospyrus mattogrossensis 1915.
  • Iridáceas Zygella mooreana 1910, Cassia dumalis 1922, Cassia juruensis 1922, Cassia kuhlmannii 1922, Cassia poetiroides 1922, Copaifera rondonii 1922, Macrolobium rondonianum 1919, Macrolobium urupaense 1922, Swartzia kuhlmannii 1922, Swarzia rariflora 1922.
  • Leguminosas MimosoídeasAcacia incerta 1919, Calliandra kuhmanii 1919, Calliandra rondoniana 1919, Inga arinensis 1919, Inga rondonii 1922, Mimosa calliandroides 1922, Mimosa rondoniana 1922, Mimosa scaberrima 1922.
  • Leguminosas-PapilionadasArachis diogoi 1919, Arachis nambiquarae 1922, Camptosema bellatulum 1919, Canavalia cuspidigera 1919, Centrosema macranthum 1919, Centrosema tapirapoanense 1922, Dalbergia enneandra 1919, Desmodium jurunense 1919, Dioclea erecta 1919.
  • Loasáceas Mentzelia corumbaensis 1915.
  • Malantáceas Calathea saxicola 1915.
  • MelastomáceasCranichis glabricaulis 1910, Cyrtopodium orophilum, Cyrtopodium paludicolum 1912, Epidendrum kuhlmannii 1912, Epistephium praestans 1910, Galeandra coxinnensis 1912, Habenaria acaricaensis 1915, Habenaria coxipoensis 1912, Habenaria juruenensis 1915, Habenaria liguliglossa 1915, Habenaria orchiocalcar 1915, Habenaria polycarpa 1915, Houlletia juruenensis 1910, Notylia tapirapoanensis 1910, Physurus juruenensis 1910, Plectrophora calcarhamata 1910, Sobralia cataractarum 1910, Sobralia rondonii 1910, Vanilla ribeiroi 1910.
  • Oxalidáceas Oxalis corumbaensis 1915.
  • VitáceasCissus pedatifida 1915.

Hoehne nomeou 58 espécies novas de plantas colhidas pela Comissão Rondon.

Os resultados botânicos coletados por essa Comissão podem ser consultados na publicação de Hoehne: Índice bibliográfico das plantas colhidas pela Comissão Rondon, nos anos de 1908-1923. Foram estudadas 190 famílias de plantas com 829 gêneros, 2291 espécies e 425 indeterminadas até 1950.

Outros botânicos colaboraram na identificação das espécies e merecem destaque:

1 – Alberto José de Sampaio – Ele nasceu na cidade de Campos, RJ, em 5 de fevereiro de 1881 e faleceu na mesma cidade em 30 de dezembro de 1946. Ele ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas não concluiu o curso porque prestou concurso para assistente de Botânica do Museu Nacional. Depois foi estudar medicina homeopática na Faculdade de Medicina do Instituto Hahnemann. Após esse curso foi estagiar na Europa, em 1912-1913. Em 1928 fez parte da Comissão Rondon na expedição à serra de Tumucumaque. Foi professor do Museu Nacional e chefe da Secção de Botânica. Lecionou botânica na Escola de Ciências da Universidade do Distrito Federal (1933-1935). Entre seus livros salientam-se Phytogeographia do Brasil (Companhia Editora Nacional, São Paulo, 284 pp., il., 1934), Biogeographia Dynamica, a natureza e o homem no Brasil (Companhia Editora Nacional, São Paulo, 337 pp., il., 1935) e A alimentação sertaneja e do interior da Amazônia (Companhia Editora Nacional, São Paulo, 341 pp.).
A sua contribuição na Comissão Rondon está na publicação nº 33 – História Natural – Botânica – Parte VII – Pteridophytas (34 pp., V estampas, 1916) e na publicação nº 56 – História Natural – Botânica – Parte X – Lauráceas de Mato-Grosso e duas novas espécies do Amazonas (15 pp., 13 pp. fotolitografias).

2 – João Geraldo Kuhlmann – Ele nasceu na cidade de Blumenau, SC, em 2 de dezembro de 1882 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 23 de março de 1958. Era botânico autodidata e fez parte da Comissão Rondon de 1912 a 1914 e 1914-1915. Em maio de 1919 ele ingressou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que chegou a dirigir de 1944 a 1951.
Sua contribuição na Comissão Rondon se encontra na publicação nº 67 – Botânica – Parte XI – Leguminosas (1º fascículo) ( 95 pp., il., 1922, 2ª. edição em 1948).

Hoehne descreveu 58 espécies novas e Sampaio descreveu duas. Esse total de 60 espécies vegetais é muito maior do que as que foram obtidas no tocante aos animais pela Comissão Rondon.

Etnografia

Rondon era interessado no estudo dos indígenas. Na publicação nº 2 – História Natural – Etnografia – Índios Ariti (Pareci) e Nhambiquara – Etnografia, foi escrita por Rondon, contendo 56 paginas e 39 fotogravuras fora do texto. A segunda edição foi revista pelo autor e publicada pela Imprensa Nacional em 1947. Além do vocabulário desses índios, Rondon tratou dos seus usos e costumes e as lendas do milho, da mandioca e da origem do homem.

Para divulgar os resultados da Expedição Roosevelt – Comissão de Linhas Telegráficas, Rondon realizou conferências nos dias 5, 7 e 9 de outubro de 1915, as quais foram publicadas num volume de 261 paginas e 22 fotogravuras (Rio de Janeiro, 1916 – Publicação nº 42).

Na Publicação nº 76, Rondon publicou o Glossário Geral das tribos silvícolas do Estado de Mato-Grosso, com a colaboração do doutorando João Barbosa de Faria (18?-14-7-1941). O Tomo I traz os vocabulários dos seguintes grupos e tribos: Pauaté (Tupi) – Nené, Tagnani, Tauitelatê e Tadutê (grupos Nhambiquara) – Oiampi. Todas as tribos e grupos indígenas brasileiros foram relacionados em ordem alfabética, com plantas dos locais onde habitam. A 1ª. edição só foi publicada em 1948.

A Publicação nº 77 enfeixa o Esboço Gramatical e Vocabulário da Língua dos Índios Borôro – algumas lendas e notas etnográficas da mesma tribo, de autoria de Rondon, contando com a colaboração do doutorando e farmacêutico João Barbosa de Faria (Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, 1948, 209 pp.). Na introdução do livro há uma explicação do Coronel Amílcar Armando Botelho de Magalhães, informando que o etnógrafo Faria estudou os costumes, a gramática e o vocabulário dos índios bororos.

Luiz Bueno Horta Barbosa, diretor interino do Serviço de Proteção aos índios, preparou a Publicação nº 86 – Comissão Rondon: pelo índio e pela sua proteção oficial, contendo 72 pp. e 26 fotogravuras (Rio de Janeiro, 1923, com 2ª. edição em 1947.

Tendo observado a cultura de alguns índios, o etnógrafo João Barbosa de Faria estudou A cerâmica da tribo Uaboí dos rios Trombetas e Jamundá, como Contribuição para o estudo da arqueologia pré-histórica do baixo Amazonas (1ª. edição publicada em 1945).

A Publicação nº 92 traz o Tomo II do Glossário Geral das Tribos Silvícolas de Mato-Grosso e outras do Amazonas e do norte do Brasil, assinada por Rondon e João Barbosa de Faria.

Humberto de Oliveira, secretário substituto do Conselho Nacional de Proteção aos Índios, assinou a Publicação nº 94 – Assuntos Indígenas, enfeixando leis, atos e memoriais referentes ao indígena brasileiro (1ª. edição, 1947).

A Publicação nº 95, assinada por Antônio dos Santos Oliveira Júnior, encarregado do Material do Conselho Nacional de Proteção aos Índios, trata de Assuntos indígenas – Evolução da política indigenista brasileira.

As publicações nºs 97 a 99 são álbuns fotográficos de índios do Brasil, com fotografias de índios e aspectos do sertão, colhidos em todos os trabalhos dirigidos por Rondon, desde 1890 até 1944.

O Conselho Nacional de Proteção aos índios editou O Dia do Índio, mostrando as comemorações realizadas em 1944 a 1945 (1ª. edição em 1946).

A Publicação nº 101 trata da Semana do Índio em 1946-1948, em duas partes: 1) Em defesa dos Brasilíndios, 1946, por Basílio de Magalhães (1874-1957) e 2) A influência do índio na linguagem brasileiro, por Nélson de Senna (1947).

O médico Othon Xavier de Brito Machado escreveu Notas etnográficas e etnológicas e vocabulário dos índios Carajás (Publicação nº 104, 1947).

Pelo exposto acima nota-se que Rondon colaborou na divulgação de vocabulários de várias tribos indígenas, permitindo que muitos estudiosos das cidades se interessassem pelas línguas indígenas.

Geografia

A Publicação nº 5 encerra o artigo do Capitão Manuel Theophilo da Costa Pinheiro, ajudante da Comissão: Exploração do Rio Jaci-Paraná (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 82 pp, 8 pp. de tabelas, 1910). A 2ª. edição foi acrescida do Diário da Expedição, organizado pelo Tenente Amílcar Armando Botelho de Magalhães (Imprensa Nacional, Rio de Janeiro 1949).

O 1º Tenente de Engenharia Emanuel Silvestre do Amarante escreveu o Levantamento e Locação do Trecho compreendido entre os Rios Zolaháruiná (Buriti) e Juruena (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 46 pp., 16 tabelas) (Publicação nº 6).

O 2º Tenente Antônio Pyrineus de Sousa (18?-1936), subalterno da Comissão, preparou Um mapa do levantamento expedito do Rio Jaru, afluente do rio Gi-Paraná, completado com um trecho levantado pela Turma dirigida pessoalmente pelo Tenente Coronel Chefe da Comissão (Rio de Janeiro, 1909), impresso em 3 cores (Publicação nº 25).

O Coronel Rondon apresentou um Relatório à Divisão de Engenharia do Departamento da Guerra e à Diretoria Geral dos Telégrafos. O 3º volume contém o relatório parcial correspondente aos anos de 1911 e 1912 (346 pp., 2 mapas: l) com o Levantamento Expedito do Rio Juruena, entre o passo da Linha Telegráfica e a foz do Rio São Manuel e dos Rios Cururu, Bararati e do Varadouro para o Sucundurizinho feito pela Expedição a cargo do Capitão Manuel Théophilo da Costa Pinheiro, completado com um trecho da linha telegráfica mostrando os contribuintes da margem direita do Juruena (1912); 2) Linha tronco de Vilhena a José Bonifácio, contendo as explorações dos campos de Comemoração de Floriano aos campos de Maria de Molina e variante do Vale do Veado Preto – Publicação nº 26).

A Publicação nº 29 trata da Exploração do Rio Iquê (1912-13) – Relatório pelo 1º Tenente de Engenharia Júlio Caetano Horta Barbosa (Rio de Janeiro, 24 pp.).

O 1º Tenente Antônio Pyrineus de Sousa escreveu o relatório sobre a Exploração do Rio Paranatinga e seu levantamento topográfico (1915-1916) (Rio de Janeiro, 124 pp., 1916 – Publicação nº 34).

A Publicação nº 37 apresenta Relatórios diversos – projetos, orçamentos, medições, observações meteorológicas (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 216 pp.).

Rondon pronunciou uma série de conferências nos dias 5, 7 e 9 de outubro de 1915, no Teatro Phenix do Rio de Janeiro, sobre os trabalhos da Expedição Roosevelt e da Comissão Telegráfica (261 pp., 22 fotogravuras), com um esquema das Alterações cartográficas do noroeste de Mato Grosso, uma Carta de um trecho da Carta da Nova Lusitânia, de Silva Pontes, 1798 (1804?) e uma reprodução do esquema projetado durante a conferência do Coronel Rondon com o que se mostra que os trabalhos da Comissão, por ele dirigida, fecharam o circuito telegráfico do Brasil, uma Carta do Noroeste de Mato Grosso de acordo com os trabalhos da Comissão Rondon, 1915. Reprodução do esquema projetado durante a conferência do Coronel Rondon e onde se vê o traçado da linha telegráfica, a estrada de automóveis e os principais rios descobertos ou explorados (Rio de Janeiro, 1916). Publicação nº 42 – uma versão em inglês foi apresentada na Publicação nº 43 (Rio de Janeiro, 1916).

 

 

A Publicação nº 48 é o relatório preparado pelo Capitão de Engenharia Nicolau Bueno Horta Barbosa, ajudante da Comissão, sobre Exploração e Levantamento dos rios Anari e Machadinho (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 57 pp., 1 fotogravura, 1916, com 2ª. edição em 1945).

O 2º Tenente Octávio Félix Ferreira da Silva apresentou em 1911 o relatório sobre a Exploração e Levantamento do rio Jamari (27 pp., 32 fotogravuras), com uma página de perfis transversais dos rios Jamari e seus afluentes (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 1920). Publicação nº 57.

O Dr. Orozimbo Corrêa Netto publicou, nas Publicações nºs 61 e 62, o trabalho Águas Termais de Mato Grosso (1ª. parte: 84 pp.; 2ª. parte: 84 pp., 1919). A 2ª. edição, de 1946, abrangeu as duas partes num só volume.

O Capitão Manuel Theóphilo da Costa Pinheiro é o autor do relatório sobre a Exploração do Rio Cautário (Rio de Janeiro, 171 pp., 1920 – Publicação nº 66).

A Publicação nº 71 mostra as Descargas dos rios do Brasil Central e Oeste (secções transversais de saltos, cachoeiras e passos; cálculo do potencial) pelo Capitão ajudante Francisco Jaguaribe Gomes de Mattos (1881-19?), encarregado da Secção de Desenho e Cartografia da Comissão. O mesmo capitão mostrou as Tabelas de pressões e temperaturas, acompanhadas de uma carta isobárica do Brasil Central (Publicação nº 73).

O Capitão ajudante Ramiro Noronha apresentou o relatório sobre a Exploração e levantamento do Rio Culuene – Publicação nº 75).

A Publicação nº 90 relata a Expedição ao Rio Ronuro, pelo Capitão Vicente de Paula Teixeira da Fonseca Vasconcelos, anexa aos relatórios do Capitão Luiz Thomas Reis sobre Serviços Antropológicos e Fotocinematográficos (1ª. edição em 1945).

Os trabalhos da Comissão Rondon mostram que 12 rios até então desconhecidos foram mapeados e um deles, o Rio da Dúvida, foi batizado como Rio Roosevelt, em homenagem ao ex-presidente norte-americano.

José Veríssimo da Costa Pereira (1955, p.376-378) resumiu um relatório que Rondon apresentou em julho de 1953, numa Assembléia Geral reunida em Cuiabá pela Associação dos Geógrafos Brasileiros: “Em primeiro lugar, Rondon incorporou “ao patrimônio geográfico uma área de cerca de 200.000 km2 até então virgem e com ela a representação gráfica e a descrição de grandes rios, novas serras e uma avultadíssima nomenclatura nova.” Esse fato constitui para Rondon “a maior contribuição geográfica brasileira resultante de um só empreendimento.” Além desses, apontam-se o levantamento do rio Paraguai e de todos os seus afluentes brasileiros; o levantamento da quase totalidade dos rios da bacia amazônica oriundos de Mato Grosso; a caracterização e levantamento, quase total, da linha separatriz das águas do Amazonas e do Prata; as novas conclusões sobre a posição da linha delimitando as matas e os campos no chapadão dos Parecis; o desenho de plantas, coloridas ou não, levado a efeito pelo serviço cartográfico da Comissão e a partir de 1922, plantas de que muitas foram publicadas e evidenciam o aspecto fitogeográfico característico da região anteriormente referida; a elaboração de duzentas publicações, dadas a lume até o ano de 1953, tratando, várias delas, dos aspectos técnico e científico dos trabalhos realizados e, enfim, a elaboração e publicação da “Carta de Mato Grosso e Regiões Circunvizinhas”, contribuição que representa um esforço considerável de muitos anos e canseiras. A “Carta de Mato Grosso” constitui, por outro lado, a demonstração da capacidade técnica e científica, sobretudo nos domínios da cartografia, do atual General Jaguaribe de Matos, que nela apresentou modalidades novas de representação quanto ao desenho cartográfico. Para Rondon, a “Carta de Mato Grosso” representa “a mais alta expressão do esforço para concatenar em um só documento todo o manancial de estudos de Mato Grosso e das regiões circundantes, desde os meados do século XVIII até os nossos dias.” Ao acrescentar que ela foi “concluída, desenhada e impressa sob a responsabilidade imediata do Sr. General Jaguaribe de Matos”, deu de público uma demonstração de alto apreço e fez justiça a um dos seus companheiros de jornada.

“O esforço de Rondon no sentido de contribuir para o melhor conhecimento geográfico do Brasil, levou-o a atrair a cooperação de naturalistas e técnicos de renome, os quais muito fizeram para tornar tão grande a obra do imortal brasileiro. É justo destacar, dentre todos os colaboradores de Cândido Mariano da Silva Rondon, Manuel Teófilo da Costa Pinheiro, Renato Barbosa Rodrigues Pereira, Emanuel Silvestre da Silva Amarante, João Salustiano de Lira, Antônio Pirineus de Sousa, Félix Fleuri de Sousa Amorim, quanto aos trabalhos propriamente ditos da Comissão; Carlos Frederico Hoehne, que foi o botânico da mesma; Alípio de Miranda Ribeiro, Carlos Moreira, Adolfo Lutz e Adolfo Ducke, nas explorações que tanta luz trouxeram à zoogeografia do Brasil; Alberto Betim Pais Leme e Eusébio Paulo de Oliveira, nas pesquisas geológicas e mineralógicas; os irmãos Kuhlmann, botânicos de nomeada; e, finalmente, Roquette Pinto, que preciosas contribuições trouxe à geografia humana da região.”

Geologia e Mineralogia

O geólogo Carl Carnier preparou as Observações Geológicas, Geográficas e Etnográficas sobre a viagem de exploração de Cuiabá à Serra do Norte, passando por São Luís de Cáceres (Publicação nº 23), traduzido do alemão para o português pelo guarda-fio de 2ª. Classe João Brueggemann (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 1909, p.14).

A Publicação nº 24 apresenta Quatro mapas e História Natural, Mineralogia e Geologia: 1) Geologia de uma parte do Estado de Mato Grosso, impressa em diversas cores; 2). Caminhamento entre Pouso dos Macacos e Aldeia Queimada, no Estado de Mato Grosso; 3) Geologia da linha de Cáceres ao Rio Sangrador Grande; 4) Caminhamento entre Salto do Rio Sepotuba e Porto dos Bagres, no Estado de Mato Grosso.

Francisco Moritz, engenheiro de minas, apresentou os relatórios sobre Exploração de terrenos auríferos dos campos de Comemoração de Floriano ao Rio Guaporé (1912) e da zona compreendida entre os rios Comemoração de Floriano e Pimenta Bueno (1913) (22 pp., 1916).

A Publicação nº 59 é de autoria do engenheiro de minas Euzébio Paulo e Oliveira (1882-1939) – Geologia – 1 – Estudos feitos sobre amostras de rochas colhidas no sertão de Mato Grosso; 2 – monografia sobre o gesso (geologia econômica), ocorrências, explorações e usos (Papelaria Macedo, Rio de Janeiro, 59 pp., 1915-1918).

Serviço Sanitário

O Dr. Joaquim Augusto Tanajura, médico da Expedição, escreveu sobre o serviço sanitário da expedição de 1909 (50 pp., Papelaria Macedo – Publicação nº 19).

A Publicação nº 20 mostra o Serviço Sanitário da Secção de Cáceres e Mato Grosso, escrito pelo 1º Tenente Médico Dr. Armando Calasans (31 pp., Papelaria Macedo, Rio de Janeiro).

O Capitão médico João Florentino Meira de Faria apresentou um relatório sobre a questão médico-sanitária da expedição e também da salubridade amazônica e ainda, sobre o esforço dos homens para superar os obstáculos naturais da floresta. (Publicação nº 32, Rio de Janeiro, 18 pp., 1916).

Zoologia

A figura de destaque na Comissão na área de zoologia foi Alípio de Miranda Ribeiro, que nasceu na cidade de Rio Preto, MG, em 21 de fevereiro de 1874, tendo falecido na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 8 de janeiro de 1939.

Alípio trabalhava no Museu Nacional quando o Major Rondon o convidou para se encarregar da parte zoológica da Comissão. Em 27 de julho de 1908 ele partiu para o sertão. Durante a expedição ele manteve um diário, que em parte foi publicado na revista Kosmos, do Rio de Janeiro [5 (9):35-39; 5 (11):17-22; 5 (12):32-36, 1908] e parte na Revista do Brasil, São Paulo [(49):50-54, 1920 e (5):137-143, 1920)], sob o título Ao redor e atravez do Brazil e também em alemão Eine Reise um und durch Brasilien (somente a primeira parte – 2 (2):52-64, 1912). No primeiro capítulo desse diário escreve ele (Jurema, 1908:35): “Atravessar o Brasil fora sempre aspiração minha; eu o preferiria mesmo a qualquer digressão por terras mais antigas, em geral tão apreciadas pelos meus patrícios. Ver de perto as extensões enormes da minha pátria, estudar a sua Natureza, eis aí o que eu considerava uma necessidade para mim, que abracei o estudo da zoologia aplicada no Brasil.” O curioso é que os três primeiros capítulos foram assinados com o pseudônimo de Jurema, passando depois para o seu próprio nome.

Como zoólogo profissional Alípio dedicou-se ao estudo de anfíbios, répteis, aves, mamíferos e insetos e publicou uma série de artigos sobre Zoogeografia Brasílica na revista O Campo, do Rio de Janeiro (1937-1938). Ele é autor de um Esboço Geral da Fauna Brazileira (1922 – Recenseamento do Brazil, Rio de Janeiro, v1, p.231-275, 28 figs.) e do livro Noções syntheticas de Zoologia Brasílica (1924 – Cia. Melhoramentos de São Paulo, 141 pp., 54 figs.). A sua obra científica principal tem o título de Fauna Brasiliense – Peixes, publicada em vários volumes dos Archivos do Museu Nacional (volumes 14 p.25-212, 15 p.167-186, 16 p.1-504, 17 p.1-500).

As expedições de Rondon renderam a seguinte quantidade de animais para o acervo do Museu Nacional (MELLO-LEITÃO, 1944, v10, p.450):
a) Expedição Rondon ao Madeira – 3600 espécimes
b) Expedição 1910-1912 – 200 espécimes
c) Expedição Rondon-Roosevelt – 408 espécimes
d) Expedição 1914-1915 – 1459 espécimes
TOTAL – 5667 animais

O seu primeiro artigo na Comissão Rondon é a publicação nº 15 como Anexo nº 5 – História Natural – Zoologia – Pimelodidae, Trachycoystidae, Ectopsidae, Bunocephalidae, Auchenipteridae e Hypophthalmidae (13 pp., 1 gravura colorida e 1 fotogravura, fevereiro de 1914). Ele nomeou o Pimelodidae Nannoglanis hoehnei 1914 – hoje Phenacorhamdia hoehnei (1914) Na publicação nº 16 estudou Loricariidae, Callichthyidae, Doradidae e Trichomycteridae (31 pp., 1 fotogravura e 1 página de errata, setembro de 1912). Ele nomeou os Loricariidae: Ancistrus mattogrossensis 1912, Loricaria cacerensis 1912 – hoje Rhineloricaria cacerensis (1912), Loricaria hoehnei 1912 – hoje Rineloricaria hoehnei (1912), Plecostomus rondoni 1912 (hoje Hypostomus rondoni 1912), Plecostomus variostictus 1912 (hoje Hypostomus variostictus (1912); Callichthyidae: Corydoras virescens 1912 (não consta no Catálogo de Fowler, 1951 nem no de Buckup et al., 2007); Decapogon urostriatum 1911 – hoje Dianema urostriatum (1911); os Doradidae: Doras libertatis 1912 – hoje Megalodoras libertatis (1912), Doras insculptus 1912 – hoje Anadoras insculptus (1912); Trichomycteridae: Gyrinurus batrachostoma 1912 (hoje Ochmacanthus batrachostoma (1912), Trichomycterus eichorniarum 1912 – hoje Ituglanis eichorniarum (1912) Paravandellia 1912 e Paravandellia oxyptera 1912. A publicação nº 17 trata dos Mamíferos – Cebidae, Hapalidae, Vespertilionidae, Emballonuridae, Phyllostomatidae; Felidae, Mustelidae, Canidae, Procyonidae, Tapiridae, Suidae, Cervidae, Sciuridae, Muridae, Octodontidae, Coenduidae, Dasyproctidae, Caviidae, Leporidae, Platanistidae, Bradypodidae, Myrmecophagidae, Dasypodidae, Didelphyidae (49 pp., 25 fotogravuras e 3 páginas de apêndice). Ele nomeou o Cebidae: Callicebus geoffroyi 1914 (hoje sinônima de Callicebus remulus Thomas, 1908); o Cervidae: Mazama rondoni 1914; os Muridae: Scapteromys gnambiquarae 1914 e Scapteromys modestus 1914 (Vieira, 1955:419) colocou-as na família Cricetidae como espécies válidas; elas não constam da lista de Carvalho (Cricetidae –1984:83) nem da de Fonseca et al., (Muridae – 1996:27-30) – ambos os trabalhos não fornecem as sinonímias); os Octodontidae: Ctenomys bicolor, Ctenomys rondoni e Proechimys leucomystax, espécies não citadas em Carvalho (1984) e Fonseca et al. (1996).

A publicação nº 27 é o Relatório dos trabalhos realizados durante o ano de 1908 (40 pp., 1916).

Em 1918 foi publicado o trabalho sobre História Natural – Zoologia – Cichlidae (16 estampas). Ele nomeou as seguintes espécies de Cichlidae: Heterogramma rondoni (hoje Aequidens rondoni 1918) e Nannacara hoehnei 1918 (hoje Aequidens hoehnei).

Em 1916 Alípio fez três conferências no Museu Nacional, publicadas sob nº 49: A “Commissão Rondon” e o Museu Nacional (60 pp., com 2ª. edição em 1945).

O ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt (1858-1919) quis conhecer Mato Grosso e ele foi acompanhado por Rondon. Sobre o assunto saiu a publicação nº 53 – Expedição Científica Roosevelt-Rondon – História Natural – Zoologia – Resultados zoológicos da Expedição (8 pp., 1914), escrita por Miranda Ribeiro. Roosevelt publicou o livro Through the Brazilian Wilderness em 1914, como assinalamos linhas acima. Em 2007 a jornalista norte-americana Candice Millard publicou o livro O Rio da Dúvida (Companhia de Letras, São Paulo, 416 pp., il.), contando a viagem de Roosevelt-Rondon.

Na publicação nº 58, Miranda Ribeiro continuou o estudo dos Peixes (excluindo Characinidae) (15 pp., 18 fotolitografias, 9 páginas fotolitográficas, 1920).

A parte sobre aves foi publicada sob nº 64: História Natural – Zoologia – Psittacidae (14 pp., 1920).

Sob nº 82 estava programada a divulgação do artigo sobre Zoogeografia, mas não foi publicado pela Comissão e, sim, mais tarde, na revista O Campo (1937-1938). Esse artigo tem o título geral de Considerações preliminares sobre zoogeografia brasileira, em oito capítulos: 1937 – 8 (84):20-23, 7 figs., abril; 8 (85): 45-49, 5 mapas, maio; 8 (87): 32-36, 2 mapas, 1 fig., julho; 8 (89): 54-59, 7 figs., setembro; 8 (91): 50-56, 2 mapas, 2 figs., novembro; 1938 – 9 (94): 49-54, 57, 4 mapas, 4 figs., fevereiro; 9 (95): 66-71, 1 mapa, 5 figs., março; 9 (96): 60-64, 9 figs., abril; 9 (97): 29-33, 4 figs., maio.

Miranda Ribeiro estudou Os veados do Brasil segundo as collecções Rondon e de vários museus nacionais e estrangeiros no artigo publicado na Revista do Museu Paulista, v11, p.212-307, 25 estampas, 1 mapa, 1919.

Essas foram as contribuições de Miranda Ribeiro sobre o material zoológico coletado pela Comissão Rondon.

Outros materiais zoológicos foram estudados por vários zoólogos:

Carlos Moreira – Ele nasceu na cidade do Rio de Janeiro, D. F., em 7 de outubro de 1869 e faleceu na mesma cidade em 7 de abril de 1946. Ele foi admitido como ajudante de desenhista em 1888 no Museu Nacional, passando a preparador em 1889 e a naturalista-viajante em 1895, após concurso público. Moreira estudou peixes, crustáceos e insetos. Ele estudou os Crustáceos coletados pela Comissão Rondon (Publicação nº 13, 21 pp. 7 páginas de fotogravuras, setembro de 1913). Ele nomeou o Copepoda Argulidae: Talaus ribeiroi 1912 nas Mém. Soc. Zool. France, p. 147, 1912 e o Decapoda Brachyura Trichodactylidae: Trichodactylus parvus na mesma revista, p. 151, 1912. Em 1921 ele publicou o livro Entomologia Agrícola Brasileira (182 pp., 60 ests., 25 figs.).

Adolpho Lutz – Ele nasceu na cidade do Rio de Janeiro, D. F., em 18 de dezembro de 1879 e faleceu na mesma cidade em 6 de outubro de 1940. Adolpho era graduado em medicina pela Universidade de Berna (1879), Suíça. Lutz foi um dos mais completos e competentes estudioso de doenças e sistemática de insetos, escorpiões, anfíbios, ou seja, pesquisou nos campos da medicina, protozoologia, bacteriologia, helmintologia, etc. Ele foi pioneiro no campo da Zoologia Médica. Quando saiu a lume a publicação nº 14 – História Natural – Zoologia – Tabanídeos (9 pp., 7 cromo-litografias) em 1912, ele já estava aposentado do Instituto Bacteriológico de São Paulo e trabalhava como pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, Rio e Janeiro. Nesse trabalho ele nomeou as seguintes espécies de Tabanidae: Dicladocera unicolor, Erephopsis mattto-grossensis, Tabanus glandicolor e Tabanus paunicolor. Todos os artigos científicos de Lutz estão sendo re-editados pela Editora FioCruz, RJ.

Hermann Friedricht Albrecht von Ihering – Ele nasceu na cidade de Kiel, em 9 de outubro de 1850 e faleceu na cidade de Büdingen, Alemanha, em 25 de fevereiro de 1930. Hermann era graduado em Medicina e em Ciências Naturais pela Universidade de Leipzig (1869). Ele chegou ao Brasil em 1880, radicando-se no Rio Grande do Sul, onde praticou a medicina e ao mesmo tempo estudava animais, tendo sido contratado pelo Museu Nacional como naturalista-viajante. Em 1894 ele aceitou a diretoria do Museu Paulista (1894-1916) e foi editor da Revista do Museu Paulista, na qual publicou 4 artigos sobre malacologia, 4 sobre paleontologia, 7 sobre ornitologia, 2 sobre ofiologia, 8 sobre etnografia, 2 sobre carcinologia, 2 sobre ictiologia, 1 sobre entomologia, 1 sobre ecologia, 3 sobre viagens, 3 biografias e 1 bibliografia científica. Em outras revistas nacionais e estrangeiras ele publicou numerosos artigos, sendo um deles sobre a Biologia das abelhas melíferas do Brasil (1903) num periódico alemão, traduzido para o português em 1930 pelo seu filho Rodolpho von Ihering. Deve-se a ele e a seu filho a publicação do Catálogo das Aves do Brazil (1907). A sua obra principal é o livro Geschichte der Atlantischen Ozeans (História do Oceano Atlântico), publicado na Alemanha em 1927. Ele também editou os Catálogos da Fauna Brasileira e as Notas Preliminares do Museu Paulista.

A Comissão Rondon enviou-lhe o material coletado sobre moluscos, que ele estudou e constitui a publicação nº 22 – História Natural – Zoologia – Moluscos (14 pp., 3 estampas cromolitográficas, 1915). Ele nomeou as seguintes espécies: Bulimulidae Drymaeus nigrogularis ribeiroi 1915 – hoje Drymaeus ribeiroi 1915; Achatinidae (hoje ambas as espécies estão na família Bulimulidae) – Corona duckei, Corona ribeiroi; Ampullariidae Ampullaria meta 1915 – hoje Pomacea meta 1915; MycetopodidaeFossula balzani mattogrossensis 1910 – caiu na sinonímia de Fossula fossiculifera (Orbigny, 1835).

Adolpho Ducke – Ele nasceu na cidade de Trieste, então Território do Império Austro-Húngaro, em 27 de outubro de 1876, tendo falecido na cidade de Fortaleza, Ceará, em 5 de janeiro de 1959. Ainda jovem chegou em São Paulo e resolveu estudar himenópteros com Friese na Europa. Foi quando Emílio Goeldi o contratou para trabalhar como zoólogo auxiliar do Museu Paraense de História Natural e Etnografia, iniciando suas atividades em 15 de junho de 1899. Dessa data até 1918 ele se dedicou exclusivamente ao estudo da sistemática de himenópteros. Por influência de Jacques Huber, ele passou a estudar exclusivamente as plantas a partir de 1918, abandonando a entomologia. É bem conhecido o seu Catálogo das vespas sociaes do Brasil (Revista do Museu Paulista, v10, p.313-374, 1918).

O material coletado pela Comissão Rondon no tocante à sua especialidade veio a lume como publicação nº 35 (História Natural – Zoologia – Himenópteros, 175 pp., 1916; 2ª. edição em 1945). Ele nomeou as seguintes espécies: Aparatrigona impunctata (1916), Hypotrigona longitarsis (1916), Melipona bahiana 1916, Melipona crassipes tenuis 1916, Melipona impunctada 1916, Melipona longitarsis 1916, Melipona minima meridionalis 1916, Melipona mosquito variicolor 1916, Melipona ruficrus amazonensis 1916, Melipona scutellaris flavofasciata 1916, Melipona scutellaris paraensis 1916.

Henrique de Beaurepaire Aragão – Ele nasceu na cidade de Niterói, RJ, em 21 de dezembro de 1879 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, em 25 de fevereiro de 1956. Ele formou-se em medicina em 1904 e foi trabalhar no Instituto de Manguinhos, onde organizou a Secção de Protozoologia. Aragão dirigiu esse Instituto de 1942 a 1949. Ele descreveu espécies novas de amebas, protozoários e ácaros.

A Comissão Rondon o encarregou de estudar os Ácaros coletados (História Natural – Zoologia – Ixódidas, 19 pp., 1916, publicação nº 36).

f) Afrânio Pompílio Bransford do Amaral – Ele nasceu na cidade de Belém, PA, em 1 de dezembro de 1894 e faleceu na cidade de São Paulo, SP, em 29 de novembro de 1982. Ele era graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia (1916).

Em março de 1917 mudou-se para São Paulo e passou a freqüentar o Instituto Butantan, onde foi contratado como auxiliar médico em agosto desse ano. Em 1918 prestou concurso de títulos e foi promovido a assistente. De 1919 a 1914 foi assistente-chefe da Secção de Ofiologia e, em maio de 1920, passou a dirigir o Instituto em comissão, permanecendo até fins de 1921, quando foi estagiar nos Estados Unidos. De janeiro de outubro de 1925 foi assistente-chefe da Secção de Vertebrados do Museu Paulista. De outubro desse ano até março de 1928 fez cursos nas Faculdades de Filosofia, Medicina e de Higiene. Na Universidade de Harvard ele obteve o título de Doutor em Saúde Pública e Medicina Tropical em 1925 e organizou dirigiu o Antivenin Institute of America. Em abril de 1928 Afrânio passou a ser diretor efetivo do Instituto Butantan, mas por questões políticas foi afastado desse cargo em 6 de maio de 1938 e só conseguiu ser reintegrado em 27 de outubro de 1953, após 15 anos de lutas no judiciário. Ele descreveu muitas espécies novas de ofídios e vários livros, sendo o mais importante o de 1977 – Serpentes do Brasil – Iconografia colorida – edição bilingüe – Edições Melhoramentos, Instituto Nacional do Livro e Editora da Universidade de São Paulo, 247 pp., 582 figs.

Os ofídios coletados pela Comissão foram estudados por Afrânio, constituindo a Publicação nº 84 – História Natural – Zoologia – Ofídios de Mato-Grosso – Contribuição II para o conhecimento dos ofídios do Brasil (29 pp., 1 página cromo-litográfica, 1925, com 2ª. edição em 1948 (43 pp., 1 estampa). Nesse trabalho ele nomeou as seguintes espécies: Colubridae Liophis longiventris, Apostolepis rondoni; Elapidae – Micrurus albicinctus. A Contribuição I foi publicada em 1921 nos Anexos das Memórias do Instituto de Butantan, S. Ofiologia, pp. 35-79.

Othon Xavier de Brito Machado (Rio de Janeiro, DF, 1896-1951) – Era graduado em medicina, odontologia e farmácia. Foi livre-docente de Botânica aplicada à Farmácia, da Universidade do Brasil. Em 1945 ele era 1º Tenente-médico do Exército e foi naturalista-chefe de Equipe da Expedição à Mesopotâmia Araguaia-Xingu. Ele escreveu: História Natural – Zoologia – Espongiários (Porifera). 4 pp., VII ests., 1947. (Publicação nº 102). Machado nomeou o Porifera: Tubella mello-leitaoi. Ele é autor dos livros: Contribuição ao estudo das plantas medicinais do Brasil (1943), Os Carajás (Inan-Son-Uéra) (Rio de Janeiro, Conselho Nacional de Proteção aos Índios, 128 pp., il., 1947 e Botânica – Plantas do Brasil Central – Contribuição ao conhecimento da flora do Brasil (Rio de Janeiro, Conselho Nacional de Proteção aos Índios, 49 pp., il., 1954). Ele escreveu vários artigos, entre eles Nomes, na língua Carajá, de algumas plantas e animais do Brasil Central (Arquivos do Museu Paranaense, Curitiba, v8, p.147-164, 1950).

 

Considerações Finais

Os membros da Comissão Rondon percorreram grandes distancias nos estados do Mato Grosso e na Amazônia e nesse trajeto entraram em contato com as mais variadas situações – barreiras físicas e geográficas, e ainda grupos indígenas, animais e plantas desconhecidos – enfim todo um mundo novo a descobrir, explorar e integrar.

Os trabalhos da Comissão Rondon mostram que 12 rios até então desconhecidos foram mapeados e um deles, o Rio da Dúvida, foi batizado como Rio Roosevelt, em homenagem ao ex-presidente norte-americano.

A Comissão que tinha como objetivo a expansão das linhas de telegrafo até os pontos mais longínquos da região noroeste do Brasil, acabou propiciando estudos científicos da região, com ênfase nas áreas de biologia, ofídiologia, geografia, antropologia, entre outras.

Dadas às endemias tropicais – malaria, febre amarela, dengue – e outras moléstias presentes na Amazônia, os relatórios dos médicos que acompanhavam a Expedição constituíram também material importante para as pesquisas.

 

Referências

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Data de recebimento do artigo :10.09.2009
Data de aprovação : 03.08.2010
Conflito de Interesses: Nenhum declarado
Fontes de Financiamento: Nenhuma