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Cadernos de História da Ciência

versão impressa ISSN 1809-7634

Cad. hist. ciênc. v.3 n.2 São Paulo  2007

 

Concepções de História e trajetórias institucionais. Museu Histórico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo: análise e crítica de uma experiência (1977-2008)1

 

Concepcions about History and the institucional trajectories. Museu Histórico da Faculdade de Medicina de São Paulo: analysis and criticizes of an experience

 

 

André MotaI; Maria Gabriela S. M. C. MarinhoII

IDoutor em História pelo Depto.de História, FFLCH-USP, Pós-doutorado pelo Depto. de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina-USP. Atualmente é Coordenador do Museu Histórico da Faculdade de Medicina -USP. amota@museu.fm.usp.br
IIDoutora pelo Depto. de História, FFLCH-USP, Pesquisadora do Museu Histórico da Faculdade de Medicina-USP e Professora da Universidade São Francisco

 

 


RESUMO

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é hoje reconhecida por sua excelência no campo do ensino e da pesquisa, desenvolvendo em seus laboratórios e salas de aula tecnologias de ponta voltadas para o conhecimento médico e áreas afins. Entre essas atividades, a instituição também se preocupou, ao longo de sua história, empreservar parte de seu acervo e escrever a sua própria memória institucional. É nesse contexto que em 1977 será fundado, pelo médico e professor Carlos da Silva Lacaz, o Museu Histórico da Faculdade de Medicina da USP. Neste trabalho, pretende-se analisar as raízes responsáveis por seu surgimento e constituição, bem como a redefinição de novos contornos institucionais, inscrevendo-o, para além de suas atividades museológicas, como um centro de pesquisa e documentação histórica.

Palavras-chave: Faculdade de Medicina -USP, museu histórico, história e museus, história da medicina, acervos históricos e medicina.


ABSTRACT

The University of São Paulo Medical School is currently renowned for its excellencie in the fields of instruction and research, as it develops in its labs and classrooms cutting-edge technologies aimed at medical knowledge and like areas. Among these activities, the institution has also been concerned, throughout its history, with preserving part of its collections and writing its own institutional memory. It is in this context that, in 1977, the History Museum of USP Medical School would be founded by the physician and professor Carlos da Silva Lacaz. This present essay intends to examine the roots underlying the founding and the constitution of the Museum, as well as the redefinition of new institutional guidelines, making it a center for research and historical documentation, going beyond its museological activities.

Keywords: Medical School – USP, History Museum, History and Museums, History of Medicine, Historical Collections and Medicine.


 

 

Introdução

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), criada em 1912, é referência nacional e internacional no campo do ensino médico e sedia o maior complexo hospitalar da América Latina, representado pelo Hospital das Clínicas e seu conjunto de institutos especializados. Denominada inicialmente de Academia de Medicina e Cirurgia de São Paulo, revestiu-se de múltiplos significados. As implicações de sua trajetória médica e científica suplantaram a dimensão local para assumir o caráter de referência nacional, com ampla interlocução internacional. O seu modelo de organização acadêmica, de viés norte-americano, cuja introdução na década de 1920 esteve amparada pelos investimentos da Fundação Rockefeller, tornou-se desde então o principal parâmetro de estruturação do ensino médico no país (Marinho, 2001).

Ao longo do século XX, práticas e procedimentos médico-hospitalares assumiram enorme complexidade, seja pelo conjunto de inovações tecnológicas derivadas dos avanços científicos, seja pela alteração do perfil epidemiológico das diferentes populações, em escala global. Em razão de transformações sociais extensas e profundas, as escolas médicas viram-se exigidas a uma revisão e atualização permanentes, obrigando-se a ampliar seu campo de atuação e ao mesmo tempo redefinir focos específicos, já que a especialização tornou-se um dos grandes articuladores da produção escolar médica (Schraiber, 1993). Em virtude destas reconfigurações, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é hoje uma instituição capaz de expressar tantos as transformações da história da medicina e do ensino médico em sua " longa duração" , como apontar rupturas de cunho tecnológico, político e cultural que manifestaram em conjunturas recentes.

Apesar da relevância acadêmica, a análise histórica em torno de sua produção científica tem sido relativamente negligenciada, seja do ponto de vista da constituição e manutenção de grupos de pesquisa atuantes nos diversos campos da ciência médica, como bem expressam os Laboratórios de Investigação Médica (LIMs), seja da perspectiva institucional. Em outros termos, pode-se afirmar que o impacto social do complexo FMUSP-HC encontra-se insuficientemente analisado em sua dimensão histórica. A rigor, trata-se de um processo de elaboração e re-elaboração permanentes, dada a dinâmica de constante renovação do conhecimento, característica inerente à da atividade cientifica.

Por outro lado, a trajetória da FMUSP está diretamente associada à constituição de áreas de excelência no campo do ensino e da pesquisa no país. Ao mesmo tempo, essa trajetória articula-se historicamente a relações sociais que a vincularam, desde sua origem e de modo muito efetivo, ao projeto de afirmação política de grupos estaduais face às disputas e tensões oriundas do processo de institucionalização da República. Embora o epicentro desse projeto possa ser localizado nas estruturas do poder estadual, seu horizonte de atuação e suas implicações extrapolam os limites de São Paulo em conexões que se ampliaram para além da esfera nacional e alcançaram estratégias internacionais de atuação no campo da Saúde e da Medicina.2(Nadal, 1987; Marinho, 2003; Mota, 2005 e Silva, 2003)

Ao longo de seu percurso, e em meio a diferenciação e reorganização de departamentos, institutos e laboratórios, a Faculdade de Medicina também instituiu um museu histórico que, entre as atribuições originais e as atuais, conseguiu elaborar uma narrativa específica para a memória médica de recorte paulista, mas também nacional, ao lado bem da reunião de um acervo importantíssimo para o pesquisador da área. Contudo, uma instituição dessa natureza vive também sob condições históricas e institucionais que se determinam características específicas em seus arranjos de origem, por outro, viabilizam alterações no uso e em suas concepções como espaço expositor, de memória, ou como centro de documentação e pesquisa, como veremos a seguir.

Criado em 1977 como " Museu Histórico da Faculdade de Medicina" , o órgão assumiu a denominação de Museu Histórico " Prof. Carlos da Silva Lacaz" em 1993, em homenagem ao fundador e seu diretor vitalício até 2002, ano de falecimento desse médico e pesquisador da área de Microbiologia e Micologia Médica3. A seguir, pretendemos analisar algumas das concepções vigentes na constituição e atuação do museu, de modo a caracterizar o projeto de renovação que vem sendo implantado desde 2007. Como ponto de partida, apresentamos alguns traços de sua organização e algumas das concepções que asseguraram sua legitimidade, contrapondo-as com vicissitudes e compromissos decorrentes da conjuntura política e social na qual o Museu Histórico surgiu e da qual passou a depender. (Prado, 1999)

Em nossa perspectiva de análise, a criação do Museu Histórico em meados da década de 1970 – evento que o alinhou entre as primeiras experiências nacionais de museus dedicados integralmente à preservação da cultura material e imaterial relacionada ao campo médico4– só pode ser plenamente elucidada se as relações vigentes no interior da Faculdade forem postas em relevo. Mais especificamente, nossa compreensão da trajetória do Museu aponta para um projeto que em sua origem apoiou-se em uma concepção do conhecimento histórico como " sustentáculo de tradições" elaboradas em conjunturas específicas de afirmação política interna. Sua criação pode ser vista como a afirmação de um projeto político-institucional" promovido por um grupo de professores que se defrontava com a perda progressiva de poder e hegemonia decorrente, em parte, de um processo de transição geracional, mas resultado também da implantação de um novo modelo de ensino superior instituído no país pela Reforma Universitária, conforme o Decreto Lei 5.540, de 1968.

A criação do Museu em 1977 e sua instalação a partir de 1978 culminam com o final da gestão de Carlos Lacaz como diretor da Faculdade de Medicina (1974/1978). Figura-chave no processo de afirmação de uma história " gloriosa" para a escola, Lacaz, esteve alinhado interna e externamente aos grupos políticos que deram sustentação ao regime militar instalado em 1964. Secretário de Higiene e Saúde da Prefeitura do Município de São Paulo, entre 1971 e 1972, na primeira gestão de Paulo Maluf como prefeito da cidade de São Paulo, Lacaz contava entre seus interlocutores com algumas figuras de grande visibilidade no período, como Erasmo Dias e Alfredo Buzaid, entre outros5. Participou desse período conturbado da vida política do país, conjuntura apoiada por um grupo da Faculdade de Medicina, do qual Carlos Lacaz participava. Dada a importância da atuação desse grupo e da conjuntura política na qual atuou, recuperamos a seguir um breve quadro dos antecedentes gerais do período de instalação do Museu Histórico.

 

Anatomia de uma crise

A década de 1960 tem sido analisada como um período de radicalidade e confronto, cujos abalos se estenderam por todo o mundo, convulsionando instituições sisudas e tradicionais, inclusive universidades de grande prestígio. O movimento estudantil foi um dos pólos destas manifestações. Entre as bandeiras empunhadas figuravam um questionamento inflamado em torno do poder concentrado pelas hierarquias e estruturas universitárias. Os anos 60 transformaram-se em uma década de crise e ruptura. Uma tensão crescente se avolumou até culminar em maio de 1968, quando as ondas de conflito se espraiaram por todo o planeta.

Ao movimento de contestação e contracultura foram se incorporando vários segmentos sociais. Em pontos distintos, e em diferentes países, organizavam protestos, combatiam em guerrilhas urbanas, reivindicavam a liberação feminina, denunciavam o racismo, defendiam a ampliação dos direitos civis. Montavam, enfim, uma ampla plataforma com vistas à transformação radical da sociedade e a aquisição de novos papéis sociais. Um movimento de contestação de tal envergadura, que assumiu dimensão e escala mundiais, evidentemente alcançou o país. Em uma conjuntura radicalizada, polarizavam forças sociais distintas, representadas pelos grupos conservadores e por seus opositores. Uma polarização que se manifestava, também, e de modo intenso, no interior da Universidade de São Paulo e de sua escola médica. Além das turbulências externas, havia atritos e fricções internas que contribuíam para tornar o ambiente ainda mais tenso e explosivo.

Antes mesmo de completar cinqüenta anos de existência, em 1963, a Faculdade de Medicina, assim como toda a Universidade de São Paulo, vinha se defrontando com diretrizes institucionais que procuravam estabelecer novos padrões de organização acadêmica e que estavam em vigor desde 1962. Proveniente da lei estadual nº 6826 (06/07/1962), a nova legislação foi aprovada na gestão do reitor Antônio de Barros Ulhôa Cintra, cuja ascensão à reitoria, em 1960, era vista como parte de um importante processo de modernização da Universidade de São Paulo. A conquista da reitoria por Ulhôa Cintra, um cargo de relevância política que desde 1944 recebia o status de secretário de Estado, tinha sido fruto de manobras lideradas por um jovem professor-assistente da cadeira de Sociologia, Fernando Henrique Cardoso, oriundo da Faculdade de Filosofia e recém-admitido no Conselho Universitário. (Associação dos docentes da USP, 2004)

O jovem sociólogo tinha na época 29 anos e conseguiu mobilizar em torno de si o grupo que conduziria Ulhôa Cintra para o cargo de reitor, mediante o compromisso de modernização das estruturas universitárias. O estatuto aprovado em 1962 era o resultado das articulações desse " grupo modernizador" . Atendia principalmente as reivindicações de segmentos que buscavam romper com mecanismos cristalizados de manutenção e reprodução do poder na Universidade de São Paulo. Em linhas gerais, os estatutos de 1962 redefiniam formas de contratação e efetivação do quadro docente e administrativo, além de estabelecer normas para indicação e ocupação dos cargos de direção, nas respectivas faculdades, e no comando da reitoria. Porém, o aspecto mais relevante, e o mais delicado, referia-se à introdução da estrutura departamental no ambiente da Universidade. Os novos estatutos não suprimiram, de imediato, a existência das cátedras que eram, afinal, vitalícias e seguiam preceito constitucional. A supressão em caráter oficial, nos termos da legislação federal, viria poucos anos depois, 1968, com a Reforma Universitária, instituída pela Lei Federal nº 5540 (28/11/1968).

Porém, ao introduzir o sistema de departamentos, a Universidade de São Paulo sinalizava para um processo de mudança irreversível. Embora gradual, a implantação dos estatutos significaria alterar, mesmo lentamente, a correlação de forças habitual, assentada na tradição, que atribuía plenos poderes aos catedráticos. Naquele contexto, a experiência com departamentos vinha sendo testada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, que adotara o sistema em 1952, quando fora instalada. Não se tratava, portanto, de um debate recente. Ainda assim, o tema continha um potencial explosivo porque desnudava uma cultura de privilégios, própria ao sistema de cátedras.6 O começo da década de 1960 reunia, portanto, ingredientes poderosos que levariam ao confronto, dentro e fora da Universidade, do mesmo modo como ocorriam acirramentos dentro e fora do país. O quadro político nacional vinha se degradando rapidamente.

Ao irromper o golpe militar de 1964, o acirramento político polarizou ainda mais os segmentos que compunham o arco político de uma sociedade bastante dividida. De um lado estavam localizados grupos conservadores, radicais ou moderados, que se aninhavam em organizações católicas ou empresariais, municiados de uma eficiente propaganda ideológica, capaz de arregimentar mulheres em marchas públicas por " Deus e pela Liberdade" . Na outra ponta do arco político, os movimentos populares eram identificados como infiltrados pela esquerda comunista que, desse modo, controlaria partidos políticos, organizações sindicais, associações de moradores, de professores e estudantes, assim como de intelectuais, jornalistas, entre outros.

O golpe militar representou a vitória dos grupos conservadores e em pouco tempo promoveu o fechamento político. A implantação do regime militar repercutiu rapidamente na Universidade de São Paulo, e a Faculdade de Medicina seria o pivô de uma longa crise institucional que começou a ficar nítida logo após a destituição de João Goulart, em 31 de março de 1964. Numa conjuntura em que os acontecimentos se precipitavam rapidamente, ampliando a concentração de poder em todo os níveis hierárquicos, a Congregação da Faculdade de Medicina se reuniu logo em seguida, no dia 2 de abril de 1964. Em convocação extraordinária, a maioria dos membros presentes, entre os quais Carlos Lacaz, decidiu declarar-se solidária ao regime militar, mediante moção de apoio e confiança ao grupo que se instalava em Brasília. A proposta recebeu reparos de apenas dois dos professores presentes: Alberto Carvalho da Silva e Isaías Raw.

Em depoimento sobre o episódio, Isaías relata suas ponderações: " A restrição à moção consistia em apoiar o Exército apenas se ele promovesse um regime democrático e respeitasse a constituição. O fato em si não é importante, mas as discussões, os gritos de intimidação e o clima geral [na sessão da Congregação da Faculdade de Medicina] não podem ser descritos" .7 O clima de radicalização que atingiu a Congregação, instância suprema da Faculdade de Medicina, é detalhado no depoimento de Isaías Raw, que chegou a ser preso e transferido para um quartel do Exército, onde permaneceu incomunicável por onze dias. A prisão de Raw, no entanto, coincidiu com a realização de um Congresso Internacional de Bioquímica,em Nova York,e sua ausência provocou uma ampla reação de cientistas nacionais e internacionais, que passaram a pressionar, junto ao governo brasileiro, por sua liberta cão imediata.Apesar de libertado,contra ele foi instaurado o Inquérito Policial Militar (IPM), pelo qual era acusado de ser " um importante líder comunista da juventude" . (associação dos docentes da USP, 2004)

No total, onze professores da Faculdade de Medicina foram perseguidos politicamente e a escola é reconhecida como uma das mais atingidas pela arbitrariedade do regime militar8. Seis professores foram demitidos, outros se exilaram. Entre os atingidos figuram Luiz Hildebrando Pereira da Silva e Thomas Maack. Ambos, além de demitidos, foram encarcerados no navio-prisão " Raul Soares" 9, enquanto respondiam ao Inquérito Policial Militar.

Hildebrando, Thomas Maack e mais quatro professores foram demitidos pelo mesmo decreto, assinado pelo então governador Adhemar de Barros: Erney Felício Plessmann de Camargo, Luiz Rey, Pedro Henrique Saldanha e Reynaldo Chiaverini. Além de professores da Faculdade de Medicina, médicos do Hospital das Clínicas também foram atingidos. Entre médicos e professores perseguidos encontram-se Antonio Dácio Franco do Amaral, Leônidas de Mello Deane, Maria José Deane e Vitor Nussenzveig Michel Rabinovitch, J. M. Taques Bittencourt Julio Puddles, Nelson Rodrigues dos Santos e Israel Nussenzveig. (associação dos docentes da USP, 2004) Em 1991, Thomas Maack, então full professor da Cornell University, e ainda hoje radicado nos Estados Unidos, publicou na Revista da USP, um longo artigo em que descreve a perseguição vivenciada em 1964 e aponta nomes de professores envolvidos no grupo de poder que passou a conduzir os destinos da Faculdade de Medicina. (Maack, 1991) No mesmo artigo, alguns dos professores citados oferecem sua réplica, entre os quais o próprio Carlos Lacaz.

 

Projetos em movimento

Contudo, no final da década de 1970, o quadro político institucional anterior dava sinais de esgotamento. A revogação do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1978 prenunciou a chamada " abertura política" que culminou com a Lei da Anistia em 1979 e abriu espaço para o processo de redemocratização. Em meio a essa mudança na conjuntura política, instala-se o projeto museológico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Instituído ao final da gestão de Carlos Lacaz como diretor, a implantação contou com o apoio da elite médica paulista e de parte significativa dos professores e alunos da própria Faculdade10. A partir de 1978, Lacaz dedicou-se a reunir materiais que conseguissem traduzir uma " história oficial" médica e institucional, na tradição positivista, apoiada na concepção de uma trajetória histórica linear, progressiva e extremamente cravada por vultos e feitos heróicos. Ao mesmo tempo, o Museu Histórico agrupou um vasto acervo documental, com ênfase nos tempos iniciais da institucionalização médica em São Paulo, contemplando grupos especialidades, segundo os critérios atribuídos por seu diretor.11

A morte de Carlos Lacaz em 2002 abriu um hiato em relação ao espaço de poder ocupado anteriormente pelo ex-diretor. A estrutura administrativa do Museu, até então exclusivamente subordinada à diretoria da Faculdade de Medicina, foi transferida para a Comissão de Cultura e Extensão (CCEx)12. Em 2006, as condições de funcionamento do Museu tornaram-se objeto de representação movida pelo Ministério Público em virtude de denúncias que teriam apontado o descaso da Faculdade de Medicina em relação ao patrimônio da instituição. As pendências com o Ministério Público só seriam de fato solucionadas com a nova eleição, em 2007, para a presidência da Comissão de Cultura e Extensão. Desde então, o museu tem vivenciado um processo de redefinição de suas características e funções. Mais recentemente, o processo de revisão conceitual, bem como a proposta de ampliação de suas atribuições tem coincidido com a ampla reforma das instalações da Faculdade de Medicina.

Ao longo da última década, uma intensa mobilização interna das sucessivas diretorias da instituição tem possibilitado a execução do Projeto de Restauro e Modernização da Faculdade de Medicina, com o apoio e a adesão alunos, ex-alunos, professores eméritos e da comunidade em geral, além de recursos expressivos captados junto ao setor privado. Apesar desse esforço institucional, o espaço do Museu não estava contemplado no Projeto de Restauro.

Localizado no quarto andar do prédio central, seu espaço físico esteve delimitado por salas de aula e laboratórios e ocupou cerca de 394,24 m2. Já a sua divisão temática expressava de maneira bastante clara a narrativa pretendida, podendo ser assim compreendida: Sala de aparelhos e instrumental médico dos séculos XVIII, XIX e XX; Sala Arnaldo Vieira de Carvalho; Sala de professores pioneiros da FMUSP; Sala de professores estrangeiros; Sala de criações artísticas; Salão nobre e diretoria. Nestas diversas salas de visitação, eram exibidos materiais ecléticos, tais como série de xilogravuras de ex-alunos, materiais referentes à participação da Faculdade em guerras, objetos e imagens dos primeiros professores, homenagens aos diplomados pela Faculdade que lograram expressão médica, acadêmica, científica, artística ou associativa, esse grande acervo dividiu ao longo dos anos espaço com documentos, arquivos e área administrativa.

A organização do " Grande Salão" representou por muito tempo a expressão-síntese da narrativa a partir da qual o espaço se configurava. Tratava-se de uma concepção alicerçada em padrões museológicos, ainda relativos aos museus de História Natural do século XIX (Schwarcz), alicerçados na reunião e acúmulo de objetos como expressão da riqueza do acervo, mesmo que suas disposições não propiciassem uma narrativa própria. Seu objetivo era de inserir objetos no tempo e no espaço, mostrando seu aparecimento, uso, aperfeiçoamento, em função das configurações culturais da época, abrangendo os fundamentos da ciência médica, mas em sua dimensão progressiva e linear (Imagem 1).

 

 

Nesse sentido, os objetos deveriam ser compreendidos em conjunto: pinturas, desenhos, diplomas, bustos de bronze, condecorações, fotografias, esculturas, e, finalmente, uma série de aparelhos utilizados pelo exercício médico no século XX. A riqueza dessa cultura material tornou-se com o tempo de valor inestimável, sendo cada vez mais procurada por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento e tornando-se por isso uma referência ao patrimônio da Faculdade de Medicina. Assim, suas bases constitutivas passaram a exigir que novas formas de organização do acervo pudessem viabilizar estudos e pesquisas de cultura material e documental, no sentido de aproximar-se mais da comunidade científica e expressar melhor suas incríveis potencialidades enquanto espaço gerador de conhecimento histórico.

O processo de revisão conceitual do Museu iniciado a partir de 2007 buscou se articular a essa conjuntura mais ampla de execução do Projeto de Restauro, cujas implicações extrapolam o campo meramente das reformas físicas. Em razão de condições favorecidas pela renovação dos quadros de direção e do corpo de funcionários, tem sido possível propor a ampliação de sua concepção e dos marcos de atuação. Alguns projetos estão sendo formulados nessa direção, conforme relacionado a seguir:

a) Exposições permanentes e circulares

Encontra-se em discussão projeto de reforma dos espaços do Museu para que possa ser dada uma nova narrativa ao espaço museal. Pretende-se desenvolver por meio da cultura material existente, uma " História das Práticas Médicas" . Para isso um projeto de ampliação do acervo vem sendo desenvolvido pela nova gestão, buscando agrupar a documentação de diversas especialidades, departamentos e laboratórios. Indo além, devido à riqueza desse material, pretende-se desenvolver dentro e fora da Instituição uma série de exposições em que diversos temas institucionais, científicos e culturais possam ser apresentados.

b) Projeto editorial temático:

" Centenário da Faculdade de Medicina da FMUSP, 1912-2012"

Em comemoração aos cem anos da existência institucional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o Centro de Documentação pretende apresentar, uma série de publicações privilegiando, tanto a vida institucional da Faculdade, com seus departamentos13, centros de pesquisa, como também a vida discente por meio de seu centro acadêmico. Para isso, será elaborada a coleção Trajetórias da Medicina em São Paulo: História e Memória do Centenário da " Casa de Arnaldo" , composta por cinco volumes. Cada volume deverá conter Artigos, Depoimentos, Entrevistas, Memórias, Reminiscências, Iconografia, Documentos (fac-similes), organizados a cada duas décadas, como relacionado a seguir:

A) Volume I: 1912-1931

B) Volume II: 1932-1951

C) Volume III: 1952-1971

D) Volume IV: 1972-1991

E) Volume V: 1992-2012

c) Projeto educacional

Uma das prioridades captadas pelo Museu atualmente volta-se para a sua interação com o público, quer seja ele de pesquisa ou de visitação. Nesse sentido, busca-se ampliar os estudos do patrimônio cultural existente, no sentido de ser cada vez menos instrucionista e cada vez mais educativo. Isso quer dizer que a memorização que buscava-se até então, ainda pouco afeita aos seus desígnios educativos, deve ser deslocada para uma vivência do próprio espaço e de sua materialidade cultural. Para isso uma série de atividades foi contemplada no sentido de ampliar e aprofundar esse contato, transformando a relação estabelecida com o seu público, trazendo em cada uma dessas atividades, novas configurações capazes de suprirem os objetivos do Museu enquanto uma instituição pública e de ensino. Isso porque, a cultura material resgatada pelo Museu deve vincular-se a capacidade de desenvolvimento de conhecimentos, mas também de crítica e " reinvenção" do próprio passado, o que só poderá acontecer por meio de um projeto museal voltado para tais objetivos.

Nesse sentido, busca-se a compreensão da ação educativa e museológica como produtores de comunicação, o que equivale dizer da busca de interfaces das ações de pesquisa, preservação e comunicação. Desse modo considera-se que o processo museológico é um processo educativo e de comunicação, contribuindo para que cada cidadão possa ver a realidade e expressá-la, qualificando o patrimônio cultural existente como formador e produtor de conhecimento sobre o passado histórico. Nessa direção, foram contempladas as seguintes atividades:

1) Projeto audiovisual e mídias digitais

O projeto audiovisual propõe dois níveis de interação entre o público e a produção material em exposição. Para isso, pretende-se criar um circuito de atividades a serem desenvolvidas durante a visita.

– A primeira delas consiste na apresentação de um documentário sobre a Faculdade de Medicina da USP e do Museu Histórico. A proposta de um documentário distancia-se de uma concepção meramente institucional, enveredando para uma nova narrativa dada à própria Faculdade, ao Museu e a sua importância acadêmica, educacional e cultural.

– O segundo momento da visita vincula-se à narrativa dada pelo Museu à sua cultura material. Para isso propomos a criação de um projeto audiovisual em que se é narrada uma interpretação sobre a História das práticas médicas vinculadas à própria história da Faculdade.

2) Documentário

Produção audiovisual desenvolvida a partir do levantamento da documentação coletada nos itens anteriores, acrescida de depoimentos, entrevistas e captação de imagens relevantes ao tema

3) Produção Web/Digital

Desenvolvimento e manutenção de websites e demais mídias digitais em conformidade com o projeto.

4) Ciclo de palestras e colóquios nacionais e internacionais

Evento anual organizado por ocasião do aniversário, a coincidir com o lançamento dos volumes da coleção, e em torno do tema do Centenário da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

5) Centro de Memória

Entre as atividades privilegiadas pelo Museu Histórico encontra-se o Centro de Memória, espaço reservado para o encontro de antigos e novos professores, alunos e ex-alunos da FMUSP. O objetivo deste espaço será de reunir e integrar todo aquele que sinta necessidade de trocar experiências vividas na instituição, ou mesmo, de encontrar em seu amplo acervo memorialístico momentos vividos na ou pela FMUSP. O encontro de pessoas e suas histórias de vidas, mais do que um exercício de memória será valorizado enquanto uma troca de experiências e mesmo de valorização histórica, levando o Museu Histórico a reservar para esse espaço um projeto especial de valorização e divulgação desses materiais.

6) Projeto de história oral

Este projeto pretende fazer um grande levantamento das figuras que marcaram a história da Faculdade através de imagens e entrevistas. Todo esse material será devidamente organizado e fará parte de nosso acervo histórico para futuras pesquisas. Pretende-se com isso integrar as atividades do Centro de Memória à produção diária do Museu, expandindo sua documentação e enriquecendo o seu patrimônio.

7) Centro de Pesquisa e Documentação e em História da Medicina e da Saúde (FMUSP)

A História da Medicina e da Saúde Pública tem sido estudada mediante a elaboração de diversos trabalhos que puderam contribuir para a compreensão da organização das instituições médicas, da história das doenças e das tecnologias empregadas nas políticas em saúde e na Medicina Popular. Com esse lastro historiográfico, a História constituiu-se como campo de saber capaz de compreender e interpretar a partir de novas metodologias e problemáticas. No caso da chamada medicina paulista, houve uma consistente produção de estudos históricos voltados para as modificações científicas vividas pelas suas instituições nas primeiras décadas do republicanismo e o papel de seus articuladores como " homens da ciência" . Contudo, a historiografia preocupada com os assuntos relativos à medicina e à saúde pública, ainda resulta em poucos trabalhos relativos aos períodos posteriores aos anos de 1930, por exemplo.

Nesse sentido, a constituição do Centro de Pesquisa e Documentação em História da Medicina e Saúde (FMUSP) assume importância decisiva e de mudança da própria natureza do Museu, exatamente por ampliar, organizar o material existente, permitindo o desenvolvimento da pesquisa histórica e sua divulgação em dois eixos centrais. O primeiro trata dos estudos históricos capazes de aprofundar períodos já mapeados, inserindo novos métodos analíticos e (re)apresentando novas fontes documentais. Um segundo eixo trata de estudos mais horizontais no tempo e no espaço, mapeando períodos ainda desconhecidos pela História e apresentando, de maneira inovadora, possibilidades analíticas sobre andamentos institucionais, corporativos e sócio-políticos.

O Setor de Documentação deverá reunir as atividades e serviços relacionados ao acervo histórico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ele será organizado a partir de projetos voltados ao tratamento e divulgação de seus arquivos. Indo além, pretende articular estratégia de pesquisa e acesso ao material de pesquisa, a partir dos limites dados à conservação de todo o acervo. Procura, desse modo, articular o material já catalogado e organizado pela Biblioteca da Faculdade de Medicina e a série de documentos dispersos. Esses documentos reúnem-se pela cultura material, (objetos, instrumentos de trabalhos, aparelhos tecnológicos etc.) e sua extensa produção documental formada por teses, livros, atas, remissivas, entrevistas etc. O corpus documental encontra-se no Museu Histórico, na Biblioteca Central e nos arquivos da Unidade do Pacaembu.

 

Projetos em perspectiva

A elaboração do projeto original da Faculdade de Medicina na década de 1920 previa a construção de um museu com boa localização e com acesso externo direto. Tal projeto não foi implantado, e o espaço originalmente destinado ao Museu recebeu outros usos e o acesso externo encontra-se bloqueado.

Hoje existe uma planta das reformas previstas para o Museu Histórico, com estantes deslizantes, sala de colóquios, área de pesquisa, espaço expositor e de memória setor administrativo e recepção.)

 

Referências bibliográficas

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1 A versão preliminar deste texto foi apresentada no XIX Encontro Regional ANPUH- São Paulo " Poder, violência e exclusão" , realizado na FFLCH-USP, no período de 1 a 5 de setembro de 2008.
2 Uma produção acadêmica diversificada em torno de sua história, que procura sobretudo compreender as forças sociais, as relações de poder e os projetos políticos em disputa no período de sua criação, vem sendo produzida desde meados da década de 1980. Nesta direção, o trabalho de Elza Nadai pode ser considerado uma marco relevante, ao estabelecer os vínculos entre o projeto político do grupo republicano de São Paulo e a implantação de instituições de ensino superior no Estado. Subseqüentemente, foram elaborados estudos específicos sobre a Faculdade de Medicina que buscaram ressaltar determinados aspectos de sua trajetória bem como do campo médico em São Paulo.
3 Carlos r da Silva Lacaz nasceu em Guaratinguetá, a 19 de setembro de 1915. Diplomouse em medicina no ano de 1940 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e tornou-se Professor Catedrático de Microbiologia e Imunologia pela mesma faculdade em 1953.
4 O atual " Museu Inaldo de Lyra Neves Manta" substituiu em 1965, na Academia Nacional de Medicina, o antigo " Museu Anatomo-Pathológico e de Curiosidades Médicas" . Ver: http://www.anm.org.br.
5 Cf. Correspondência. Arquivo Pessoal: Fundo Carlos Lacaz, Museu Histórico. FMUSP. Cf., também: MAACK, Thomas. " Casa de Arnaldo, Circa 1964" in Revista USP. São Paulo: 121-140, junho-agosto, 1991.
6 Para uma análise mais detida das mudanças promovidas pelo estatuto de 1962, consultar A Universidade de São Paulo. Subsídios para uma Avaliação.
7 As declarações de Raw encontram-se na publicação da ADUSP, O livro negro da USP, p.23. Detalhes do clima de radicalização interna encontram-se descritos na mesma publicação.
8 No mesmo contexto de perseguições e demissões, professores de outras unidades foram atingidos por processos semelhantes, entre eles, Florestan Fernandes, da Faculdade de Filosofia, e Villanova Artigas, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
9 Luiz Hildebrando fornece detalhes do período em que ficou preso no navio. Conferir opus. cit.
10 Nomeada pela Congregação da FMUSP, constituiu-se a seguinte comissão especial para a criação do Museu Histórico: Duílio Crispin Farina, Dante Nesse, Irany Novah Moraes e Waldomiro Siqueira Junior.
11 O último levantamento indicou a seguinte composição do acervo: O Acervo do museu é de aproximadamente 4000 publicações entre livros, teses, memoriais, folhetos, relatórios. Itens tombados: 44 obras registradas em livro próprio (tombo) com os dados necessários a sua caracterização. Itens classificados: 686 obras com determinação de assunto e escolha dos códigos da tabela CDD. Itens catalogados: 686 obras com registro e descrição física do documento. Itens indexados: 686 obras com identificação de assunto. Itens preparados fisicamente: 323 obras (confeccão de etiquetas) número de itens que receberam elementos identificadores para localização das obras nas estantes. Itens registrados na Base de Dados LILACS: 686 obras inseridas na base interna. (Base de Dados: Museu Histórico-FMUSP)
12 O Museu Histórico filia-se institucionalmente à Comissão de Cultura e Extensão (CCEx-FMUSP). Presidida no biênio 2007-2009 pelo prof. dr. José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres, o órgão é, por sua vez, parte integrante da estrutura administrativa da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo (PRCEU-USP) e atua em sintonia com a direção da Faculdade de Medicina. Para que houvesse uma reforma física do museu, bem como a introdução das modificações regimentais e da constituição das novas atribuições nas áreas da pesquisa, da museologia e educacional, foram contratados os historiadores André Mota e Maria Gabriela S. M. C. Marinho.
13 São eles: Cardiopneumologia; Clínica Médica; Dermatologia; Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional; Gastroenterologia; Medicina Legal, Ética e Medicina Social e do Trabalho; Medicina Preventiva; Moléstias Infecciosas e Parasitárias; Neurologia; Obstetrícia e Ginecologia; Ortopedia e Traumatologia; Patologia; Pediatria; Psiquiatria; Radiologia.