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BEPA. Boletim Epidemiológico Paulista (Online)

versão On-line ISSN 1806-4272

BEPA, Bol. epidemiol. paul. (Online) vol.10 no.118 São Paulo out. 2013

 

RESUMOS
APRESENTAÇÃO DE PÔSTERES - BIOLOGIA

III Simpósio Estadual de Doenças Transmitidas por Carrapatos

Primeira detecção molecular de Rangelia vitalii no estado de Minas Gerais

Soares JF; Corrêa S; Pelissari MHS; Franchini ML; Miyashiro S; Hagiwara MK; Labruna MB

Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo

Correspondência para:
jfsvet@gmail.com
 

 

A rangeliose é uma hemoparasitose de curso agudo e geralmente fatal para cães domésticos, veiculada por carrapatos da espécie Amblyomma aureolatum e causada pelo protozoário Rangelia vitalii. Este piroplasmas, foi por anos considerado, erroneamente, uma espécie sinônima de Babesia canis vogeli, até sua recente caracterização molecular em 2011. Este equívoco gerou um período de
“silêncio científico” em torno deste hemoprotozoário. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo relatar dois casos de rangeliose no estado de Minas Gerais, bem como contribuir para o melhor conhecimento desta enfermidade, a qual apresenta dentre os principais sinais clínicos: palidez de mucosas, sangramentos, esplenomegalia, icterícia e diarreias sanguinolentas. Dois animais, sendo um oriundo de Sapucaí Mirim-MG, e outro de Camanducaia-MG foram levados ao hospital de clínicas veterinárias da FMVZ/USP apresentando: apatia, anorexia, febre e palidez de mucosas. No atendimento clínico foram coletadas amostras de sangue para PCR e hemograma. Após a extração de DNA, as amostras foram destinadas à PCR direcionada a 550-pb do gene 18S rRNA de piroplasmas. Os produtos amplificados foram sequenciados e submetidos à análise de Blast. Ambas as sequências geradas foram 100% idênticas à sequência HQ150006 de R. vitalii. No hemograma, os animais apresentaram anemia e acentuada plaquetopenia. Após o tratamento com Dipropionato de Imidocarb, os cães manifestaram remitência dos sinais clínicos. Estas são as primeiras detecções moleculares de R. vitalii no estado de
Minas Gerais. Os resultados indicam que o protozoário R. vitalii circula entre a população canina desta região, além dos estados Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, já anteriormente relatados. Sendo que, nos estados da região Sudeste, os achados estão restritos à região de Mata Atlântica de altitude, ou seja, localidades que coincidem com a distribuição geográfica do vetor A. aureolatum.
 

 


 

Aspectos epidemiológicos da circulação de Ehrlichia canis na região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, Brasil

Silva ABI; Barbosa FS I; Bitencourth K I; Cardoso KM I; Pimentel Júnior ACAII; Gazêta GSI

ILaboratório de Referência Nacional em Vetores das Riquetsioses - IOC/FIOCRUZ- Rio de Janeiro - RJ, Brasil
II Mestrado em Medicina Veterinária (Clínica) - UFF- Niterói-RJ, Brasil

Correspondência para:
arannadia@yahoo.com.br  

 

Ehrlichia canis é o agente etiológico da Erliquiose Monocítica Canina. Tem presença assinalada em vários países, inclusive no Brasil, sendo considerado um dos mais importantes agentes de doença infecciosa na clínica de pequenos animais. Pode produzir infecção de evolução crônica, com fase aguda associada à doença de base ou baixa de imunidade. Tem despertado o interesse na saúde pública pelo desenvolvimento de infecção em humanos. O objetivo deste estudo é analisar parâmetros epidemiológicos associados à infecção de E. canis na região metropolitana do Grande Rio. Trinta e seis amostras de sangue, aleatoriamente cedidas de Laboratórios Veterinários, foram submetidas à extração de DNA genômico e à nested-PCR (nPCR) para detecção de E. canis por meio de iniciadores gêneroespecíficos (ECC e ECB) e espécie-específicos (HE e ECAN) para o gene 16S rRNA. Foram analisadas variáveis estratificadas pelos Testes Exato de Fisher, Qui-Quadrado e cálculo de Odds Ratio, com nível de significância de 5% (p<0,05) (EpiInfo version 3.4.7.). Os resultados da nPCR mostraram que 33,3% (12/36) dos animais estavam infectados. A análise de similaridade das sequências obtidas demonstrou identidade de 99,99% a 100% com E. cani s (acesso no GenBank KC479024.1). Não houve diferença significativa entre sexo, idade e grupo racial. Contudo, cães residentes no município do Rio de Janeiro tiveram maior razão de chance de adquirir a infecção. A detecção molecular de E. canis , com prevalência similar às áreas consideradas endêmicas, em amostras aleatoriamente encaminhadas para análise, assinala a circulação subclínica na região metropolitana do Rio de Janeiro, uma das regiões com maior densidade populacional do país, aumentando a possibilidade de riscos à saúde pública, especialmente no município do Rio de Janeiro, onde os cães têm maior risco de infecção. A ausência de diferença significativa entre as variáveis analisadas aponta para a ampla e uniforme distribuição deste patógeno na região investigada.  

 


 

Casos de febre maculosa no estado de São Paulo confirmados laboratorialmente no ano de 2012

Santos FCPI; Nascimento EMMI,II; Colombo SI; Angerami RNIII; Cunha MSI; Arruda NLR I; Brasil RAI; Kanamura CI; Silva MVIV

IInstituto Adolfo Lutz, São Paulo
IISuperintendência de Controle de Endemias, São Paulo
IIICoordenaria de Vigilância em Saúde, Campinas
IVInstituto de Infectologia Emílio Ribas, São Paulo

Correspondência para:
fcpereira@ial.sp.gov.br

 

A Febre Maculosa (FM) é a principal doença transmitida por carrapato de impacto em saúde pública no Brasil. O Instiuto Adolfto Lutz (IAL) é Laboratório de Referência Regional para Riquetsioses, responsável pelo diagnóstico laboratorial da FM em humanos no Estado de São Paulo. São realizados: isolamento em cultura de células pela técnica de Shell vial em células Vero (ISO); PCR em tempo real paraRickettsia spp e Grupo Febre Maculosa (FMPCR) em amostras de soro de casos fatais; histopatologia e imuno-histoquímica para Rickettsia spp em tecido parafinado (IHQ) e sorologia pela técnica de imunofluorescência indireta (IFI) com antígeno de Rickettsia rickettsii produzido in house. De acordo com dados do CVE-SES-SP, no ano de 2012, foi registrado maior número absoluto de casos fatais confirmados laboratorialmente, chegando a 37, e uma letalidade de 54,4%. O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho do IAL no diagnóstico laboratorial da FM na casuística recebida no ano de 2012. Nesse ano, foram realizados 2.177 exames para o diagnóstico da FM, sendo 1.820 IFI, 98 ISO, 193 FMPCR, 66 IHQ. A confirmação laboratorial da suspeita clínica de FM por técnicas de detecção etiológica foi obtida em 3 ISO, 54 FMPCR e 13 IHQ. Na IFI 321 exames resultaram em IgG e/ou IgM≥ 64, sendo 44 soroconversões do Estado de São Paulo e 25 de outros Estados (SC, CE). Em 61 casos a IFI resultou em <64/=64 na combinação entre os resultados de IgG da 1ª amostra de soro (aguda)/2ª (convalescença); em 47 casos resultou em 64/64; 9 casos 64/128; 20 casos 128/128, 6 casos 128/256; 4 casos 256/256; 2 casos 256/512; e 8 casos ≥512 ≥12. Em 920 casos a suspeita de FM pôde ser descartada pela IFI, que resultou em <64/=64. Em 379 pedidos de IFI a 2ª amostra de soro na fase de convalescença não foi colhida (20,8%). O IAL tem exercido um papel importante como Laboratório de Saúde Pública no diagnóstico da FM, dando suporte às ações da Vigilância Epidemiológica para controle e prevenção da FM.

 


 

Infestação por carrapatos em pequenos mamíferos de parque urbano em Uberlândia, MG

Tolesano-Pascoli GI; Rodrigues VSI; Ramos VNI; Martins MMI; Torga KI; Szabó MPJI

ILaboratório de Ixodologia, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil
IIDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e
Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.

Correspondência para:
graziepascoli@gmail.com

 

Pequenos mamíferos são prováveis hospedeiros amplificadores de Rickettsia spp e alvos importantes de pesquisas epidemiológicas. O Parque Municipal do Sabiá está totalmente inserido na área urbana (6 km do centro). Possui área total de 185 ha, dos quais 35 ha são remanescentes de vegetação nativa. Até 2010 havia uma grande população de capivaras (a maioria dos indivíduos foi retirada) e alta infestação ambiental por carrapatos (Queirogas et al.,2011). Foram distribuídas 103 armadilhas tipo “Sherman” e “Tomahawk” nas áreas de mata do parque, durante quatro noites consecutivas. Animais capturados foram anestesiados, identificados, marcados com brincos na orelha e devolvidos ao local de captura. Ectoparasitos foram coletados e colocados em frascos com álcool isopropílico para identificação. Foram realizadas doze campanhas entre março/2011 e abril/2013 (5.040 armadilhas-noite) com 145 capturas. As espécies de roedores encontradas, de acordo com frequência de captura, foram Oecomys cf. bicolor (n=64), Rattus norvegicus (n=8), Rhipidomys cf. macrurus (n=7), Cavia aperea (n=3), Dasyprocta azarae (n=1) e Oligoryzomys sp. (n=1). Dentre os marsupiais, Didelphis albiventris (n=38) e Gracilinanus agilis (n=23). D. albiventris foi a espécie mais infestada (prevalência 92%, intensidade média de 17 carrapatos/hospedeiro infestado), dos quais 79,5% eram larvas (457 Amblyomma sp., 15 Ixodes sp e um Argasidae). Além destas, foram achados vinte e dois A. cajennese (dois adultos e 20 ninfas), setenta e uma ninfas A. dubitatum, vinte e quatro Ixodes loricatus (22 adultos, duas ninfas) e cinco ninfas Amblyomma sp. Os G. agilis estavam infestados exclusivamente por formas imaturas de Ixodes (prevalência 13%). Oecomys e Rhipidomys albergavam larvas de Amblyomma e Ixodes e apenas ninfas I. loricatus. A prevalência geral foi de 21,8% e 42,9% respectivamente. Apenas um R. norvegicus estava infestado com 2 larvas Amblyomma sp (prevalência 12,5%). Cavia e Dasyprocta albergavam 17 e duas ninfas A. dubitatum respectivamente. A posterior identificação molecular das larvas de Amblyomma sp retiradas dos pequenos mamíferos possibilitará um melhor entendimento da dinâmica entre A. cajennense, A. dubitatum e seus hospedeiros intermediários na área de estudo.

 


 

Prevalência da Erliquiose Monocítica canina e anaplasmose trombocítica em cães suspeitos de hemoparasitose em Cuiabá, Mato Grosso, MT

Pacheco TAI; Witter RI; Vecchi SNI; Melo ALTI; Borsa AII; Sincok ALII; Mendonça AJIII; Aguiar DmI

ILaboratório de Virologia e Rickettsioses, Hospital Veterinário, Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT)
IILaboratório de Parasitologia e Doenças Parasitárias, Hospital Veterinário, UFMT
IIILaboratório de Patologia Clínica, Hospital Veterinário, UFMT

Correspondência para:
thabatapacheco@gmail.com

 

O presente estudo avaliou a ocorrência da Erliquiose Monocítica Canina e Anaplasmose Trombocítica Canina em 77 cães atendidos no Hospital Veterinário (HOVET) da UFMT entre os meses de abril e outubro de 2009, buscando associar a possíveis dados clínicos e hematológicos. Os cães foram avaliados pela amplificação parcial dos genes dsb e 16S rRNA de Ehrlichia canis e Anaplasma platys epela Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI) para E. canis, com diluição inicial de 1:40. DNA de E. canis foi detectado em 18 (23,3%) e de A. platys em 07 (9,1%) cães. Cinquenta e quatro (70,1%) cães foram soropositivos, com títulos variando de 40 a 327.680. Observou-se maior frequência de positivos pela PCR para E. canis nos cães com idade até 12 meses, com anemia, linfopenia e trombocitopenia (P≤ 0,05). Dentre os positivos para A. platys, os cães leucopênicos apresentaram tendência à positividade pela PCR (P=0,07). Segundo os resultados da RIFI, cães apresentando trombocitopenia e hiperproteinemia foram associados a soropositividade (P≤ 0,05). Dos 77 cães, 44 (57,1%) estavam parasitados por carrapatos no momento da consulta, entre eles 15 (34%) foram positivos na PCR para E. canis (P≤0,05) e três (9%) não parasitados foram positivos. Entre os soropositivos pela RIFI, 32 (72,7%) apresentavam carrapatos enquanto 22 (66,6%) não (P>0,05). Já entre os cães positivos para A. platys, 4 (10%) apresentavam carrapatos e 3 (10%) não (P>0,05). Dentre os animais positivos na PCR para E. canis, linfoadenopatia e alterações pulmonares foram observadas em 15 (30,6%) e 4 (57,1%) cães respectivamente (P≤0,05). Outras alterações não apresentaram associação significativa (P>0,05) para E. canis e A. platys.

 


 

Carrapatos do gênero Amblyomma (Acari: Ixodidae) parasitando aves silvestres na Amazônia brasileira

Martins TFI; Fecchio AII; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIDepartamento de Biologia, Universidade Federal do Amazonas

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

De acordo com a literatura especializada, existe apenas um estudo mostrando a presença de carrapatos em aves silvestres na região Amazônica brasileira. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi relatar a ocorrência de carrapatos em aves silvestres em uma floresta de terra firme na Amazônia brasileira, localizada no Município de Santa Isabel do Rio Negro, Estado do Amazonas. Durante o mês de abril de 2012, foram inspecionadas para a presença de carrapatos 153 aves (44 espécies) capturadas em redes de neblina, sendo que apenas cinco estavam parasitadas. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 95% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados na “Coleção Nacional de Carrapatos da FMVZ-USP” sob os números de acesso: CNC-2385 a CNC-2387. As aves parasitadas com a respectiva identificação das espécies de carrapatos foram: Xiphorhynchus ocellatus (1 ninfa de Amblyomma calcaratum); Willisornis poecilinotus (1 ninfa de A. calcaratum); e três Thamnophilus aethiops (1 ninfa de Amblyomma longirostre / 5 ninfas de A. calcaratum). De acordo com a literatura científica o estágio ninfal dos carrapatos A. calcaratum e A. longirostre já foram registrados em Thamnophilus caerulescens no Brasil. O presente trabalho relata pela primeira vez ninfas destes carrapatos em T. aethiops, reforçando os achados prévios da literatura destas duas espécies utilizarem as aves deste gênero como hospedeiros para o estágio de ninfa. O presente trabalho relata ainda pela primeira vez ninfas de A. calcaratum em X. ocellatus e W. poecilinotus em território brasileiro. Estes são os primeiros registros de carrapatos em aves silvestres feitos no Estado do Amazonas.

Financiadoras: CNPq, FAPEAM

 


Ocorrência de carrapatos (Acari:Ixodidae) em mamíferos silvestres de vida livre no estado do Amazonas, Brasil.

Martins TFI; Solorio MRI; Spironello WLII; Gordo MIII; Rostal MKIV; Nava AI,IV; Ferreira FI; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo.
IICoordenação de Biodiversidade, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
IIIUniversidade Federal do Amazonas.
IVEcoHealth Alliance.

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

Carrapatos são ectoparasitas que podem estar presentes em animais domésticos e silvestres. O objetivo deste trabalho foi relatar a ocorrência de carrapatos em mamíferos silvestres nos Municípios de Manaus e Presidente Figueiredo, no Estado do Amazonas. Durante os meses de agosto de 2011 a fevereiro de 2013, foram inspecionados para a presença de carrapatos treze mamíferos silvestres de vida livre. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 70% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados na “Coleção Nacional de Carrapatos da FMVZ-USP” sob os números de acesso: CNC-2308 a CNC-2313. O único animal proveniente do Município de Presidente Figueiredo foi uma Marmosa sp. parasitada por 1 ninfa de Amblyomma humerale. Os demais animais inspecionados no Município de Manaus com a respectiva identificação das espécies de carrapatos foram: Micoureus demerarae (9 larvas de Amblyomma sp.); dois Didelphis marsupialis (3 larvas de Amblyomma sp. / 1 ninfa de Amblyomma coelebs / 17 ninfas de Ixodes fuscipes); Coendou prehensilis (5 larvas de Amblyomma sp.); Artibeus lituratus (1 ninfa de Amblyomma geayi); e sete Saguinus bicolor (16 larvas de Amblyomma sp. / 2 ninfas de A. geayi). O presente trabalho registra pela primeira vez a espécie A. humerale em Marmosa sp. e A. coelebs em D. marsupialis no Brasil, assim como a espécie A. geayi em A. lituratus e S. bicolor em território nacional, aumentando desta forma o conhecimento sobre as espécies de carrapatos que parasitam a mastofauna brasileira.

Financiadoras: CNPq, Fapesp

 


 

Carrapatos do gênero Amblyomma infestando animais silvestres em duas unidades de conservação no estado do Espírito Santo

Acosta ICIv,I; Martins TFI; Soares HSI; Gondim MFNII,IV; Gatti AIII,IV; Rossi-Junior JLII,IV;Marcili AI; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIUniversidade de Vila Velha, Espírito Santo
IIIUniversidade Federal do Espírito Santo
IVInstituto Marcos Daniel, Vitória, Espírito Santo

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Recanto das Antas e a Reserva Biológica do Córrego do Veado estão localizadas nos municípios de Linhares e Pinheiros, respectivamente no norte do estado do Espírito Santo. Essas Reservas foram criadas para a proteção da Mata Atlântica na região que abriga algumas espécies de animais ameaçados de extinção. O objetivo deste trabalho foi amostrar a diversidade de carrapatos em animais silvestres capturados nessas duas Reservas. Durante os meses de março a junho de 2012, foram inspecionados para a presença de carrapatos seis animais silvestres de vida livre. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 70% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio e identificados com base nas chaves taxonômicas para ninfas do gênero Amblyomma (Martins et al. 2010) e adultos (Onofrio et al. 2006). Os municípios dos animais infestados com as respectivas espécies de carrapatos identificadas foram: Linhares, Chelonoidis denticulata, 15 machos de Amblyomma humerale; Linhares, Tapirus terrestris, 1 fêmea e 2 ninfas de Amblyomma brasiliense,1 fêmea e 2 ninfas de Amblyomma incisum, 1 fêmea e 2 ninfas de Amblyomma naponense; Pinheiros, Didelphis albiventris, 1 ninfa de Amblyomma coelebs; Pinheiros, Nasua nasua, 1 larva de Amblyomma sp., 6 ninfas de A. brasiliense e 3 ninfas de Amblyomma oblongoguttatum; Pinheiros, Tayassu pecari, 1 fêmea de A. brasiliense, 4 machos, 6 fêmeas e 1 ninfa de A. naponense, 4 machos, 11 fêmeas e 4 ninfas de A. oblongoguttatum; e Pinheiros, T. terrestris, 1 larva de Amblyomma sp, 4 machos, 5 fêmeas e 1 ninfa de A. brasiliense, 1 macho, 7 fêmeas e 2 ninfas de A. incisum, 1 fêmea e 1 ninfa de A. naponense, 7 machos e 3 fêmeas de A. oblongoguttatum. De acordo com a literatura científica, o estágio de ninfa do carrapato A. brasiliense já foi relatado em N. nasua no Brasil. O presente estudo reforça o achado prévio da literatura desta espécie de carrapato utilizar os quatis como hospedeiros para o estágio ninfal. O presente trabalho registra pela primeira vez ninfas da espécie A. oblongoguttatum em N. nasua em território nacional. O presente estudo registra ainda pela primeira vez a espécie A. coelebs no Espírito Santo, aumentando desta forma o conhecimento sobre as espécies de carrapatos que ocorrem neste estado.

Financiadoras: CNPq, Fapesp

 


Ocorrência de carrapatos (Acari: Ixodidae) em gambás e humanos no Parque Estadual do Rio Doce, estado de Minas Gerais

Martins TFI;Widmer CEII; Azevedo FCCIII; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIPrograma Interunidades de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada, Universidade de São Paulo
IIIDepartamento de Ciências Naturais, Universidade Federal de São João del Rei

Correspondencia para:
thiagodogo@hotmail.com

 

Os carrapatos são agressivos para humanos que adentram áreas habitadas por animais silvestres. O objetivo deste trabalho foi relatar a ocorrência de carrapatos em gambás-de-orelhas pretas e humanos no Parque Estadual do Rio Doce, localizado na região do Vale do Aço, Município de Marliéria, Estado de Minas Gerais. Durante os meses de junho a novembro de 2012, foram inspecionados para a presença de carrapatos onze Didelphis aurita assim como os humanos envolvidos na inspeção dos gambás de vida livre. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 70% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados na “Coleção Nacional de Carrapatos da FMVZ-USP”. Os carrapatos identificados nos D. aurita do Parque foram: Amblyomma sp. (19 larvas), Amblyomma coelebs (7 ninfas), Amblyomma dubitatum (6 ninfas), Amblyomma cajennense (9 ninfas) e Ixodes aragaoi (14 ninfas). Nos humanos parasitados foram encontradas as espécies de carrapatos: Amblyomma brasiliense (1 ninfa), Amblyomma incisum (1 ninfa) e A. cajennense (2 machos, 4 fêmeas e 27 ninfas). De acordo com a literatura científica, o estágio de ninfa do carrapato A. coelebs já foi registrado em Didelphis albiventris no Brasil. O presente trabalho relata pela primeira vez ninfas de A. coelebs em D. aurita, reforçando os achados prévios da literatura dessa espécie de carrapato utilizar os gambás como hospedeiros para o estágio ninfal.

Financiadoras: CNPq, FAPEAM

 


 

Ocorrência de carrapatos (Acari: Ixodidae) em aves silvestres no Parque Nacional da Amazônia, estado do Pará

Martins TFI; Fecchio AII; Labruna MBI;

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIDepartamento de Biologia, Universidade Federal do Amazonas

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

Vários trabalhos relatam a ocorrência de carrapatos em aves silvestres no Brasil. Entretanto, um único trabalho descreve a ocorrência de carrapatos em aves silvestres na Amazônia brasileira. O objetivo deste estudo foi relatar a ocorrência de carrapatos em aves silvestres no Parque Nacional da Amazônia, localizado no Município de Itaituba, no Estado do Pará. Durante os meses de julho e outubro de 2012, foram inspecionadas para a presença de carrapatos 432 aves silvestres (98 espécies), sendo que apenas treze indivíduos estavam infestados. Os carrapatos coletados foram enviados em etanol 95% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados na “Coleção Nacional de Carrapatos da FMVZ-USP” sob os números de acesso: CNC-2388 a CNC-2398. As aves infestadas do PARNA da Amazônia com os respectivos carrapatos identificados foram: Cyanoloxia cyanoides (1 larva de Amblyomma sp); Knipolegus poecilocercus (1 larva de Amblyomma sp); Lepidothrix nattereri (1 larva de Amblyomma sp.); dois Ramphocelus carbo (5 larvas de Amblyomma sp); Deconychura longicauda (1 ninfa de Amblyomma longirostre); Dendrocincla merula (1 ninfa de A. longirostre); Dendrocolaptes certhia (1 ninfa de A. longirostre); Epinechrophyla leucophtalma (1 ninfa de A. longirostre); Glyphorhynchus spirurus (1 ninfa de A. longirostre); Micrastur ruficollis (1 ninfa de A. longirostre); e dois Thamnomanes caesius (1 ninfa de Amblyomma humerale / 1 ninfa de Amblyomma geayi). O presente trabalho relata pela primeira vez a espécie de carrapato A. longirostre nas aves E. leucophtalma e M. ruficollis em território nacional. Existe um único registro na literatura científica de uma ninfa de A. humerale coletada em T. caesius no Estado do Pará, o presente estudo corrobora o achado prévio da literatura desta espécie de carrapato utilizar T. caesius como hospedeiro para o estágio ninfal. De acordo com a literatura, existe um único relato da espécie A. geayi parasitando aves no Brasil, sendo este uma larva e uma ninfa coletada em duas Dixiphia pipra no Estado do Pará. O primeiro registro deste carrapato em T. caesius no Município de Itaituba reforça o achado prévio da literatura do carrapato A. geayi utilizar as aves passeriformes como hospedeiros para os estágios imaturos, especialmente na região Amazônica.

Financiadoras: CNPq, Fapesp

 


 

Ectoparasitismo por carrapatos em aves silvestres de vida livre na reserva extrativista verde para sempre, Pará, Brasil

Martins TFI; Saraiva DGII; Silva JCIII; Rocha MIII; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
II Instituto de Pesquisa Bicho do Mato
IIIBiocev Consultoria Ambiental, Linhas de Xingu Transmissora de Energia S/A

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

Algumas espécies de carrapatos parasitam a avifauna brasileira, sendo as aves grandes dispersoras desses ectoparasitos, principalmente dos estágios imaturos. Informações sobre carrapatos em aves silvestres de vida livre no Brasil são escassas e fragmentadas, principalmente no bioma Amazônico. O objetivo deste estudo foi amostrar a diversidade de carrapatos em aves silvestres na Reserva Extrativista Verde para Sempre, localizada no Município de Porto de Moz, Estado do Pará. Durante o mês de março de 2013, após capturas em redes-de-neblina, foram inspecionados para a presença de carrapatos, 71 espécimes, pertencentes a 36 espécies, sendo que apenas dez encontravam-se parasitadas. Os carrapatos coletados foram acondicionados em eppendorfs contendo álcool 70% e enviados para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados na “Coleção Nacional de Carrapatos da FMVZ-USP” sob os números de acesso: CNC-2402 a CNC-2410. As aves parasitadas com a respectiva identificação das espécies de carrapatos encontradas foram: Cercomacra nigrescens (1 larva de Amblyomma sp); Synallaxis rutilans (1 larva de Amblyomma sp); Thamnomanes caesius (1 larva de Amblyomma sp); duas Dendrocincla merula (1 larva de Amblyomma sp e 1 ninfa de Amblyomma humerale); Phlegopsis nigromaculata (2 ninfas de A. humerale); Xenops minutus (1 ninfa de Amblyomma coelebs); Malacoptila rufa (2 ninfas de A. coelebs); Xiphorhynchus spixii (1 ninfa de Amblyomma nodosum); Turdus albicollis (1 ninfa de Amblyomma longirostre). O presente trabalho registra pela primeira vez a ocorrência de ninfas de A. humerale parasitando D. merula e P. nigromaculata no território brasileiro. De acordo com a literatura científica o estágio de ninfa do carrapato A. coelebs já foi relatado em Malacoptila striata no Brasil. O presente estudo registra pela primeira vez ninfas deste carrapato em M. rufa, reforçando o achado prévio da literatura desta espécie de carrapato utilizar as aves deste gênero como hospedeiros para o estágio ninfal. O presente trabalho relata ainda pela primeira vez ninfa de A. coelebs em X. minutus. Também pela primeira vez o presente estudo registra ninfa de A. nodosum parasitando X. spixii no território nacional. Larvas da espécie A. longirostre já foram relatadas parasitando T. albicollis no Estado do Pará, sendo que o presente estudo com o registro de ninfa desta espécie de carrapato nesta espécie de hospedeiro está de acordo com o trabalho anterior realizado na Amazônia Oriental, demostrando desta forma que imaturos de A. longirostre parasitam com frequência T. albicollis.

Financiadoras: CNPq, Biocev Consultoria Ambiental, Linhas de Xingu Transmissora de Energia S/A

 


 

Carrapatos (Acari: Ixodidae) parasitando anfíbios, répteis, mamíferos silvestres e humanos no município de Porto de Moz, estado do Pará.

Martins TI; Saraiva DGII; Pacheco BGIII; Labruna MBI;

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIInstituto de Pesquisa Bicho do Mato
IIIGuira Guira Consultoria Ltda

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

As espécies de carrapatos que parasitam animais domésticos são as mais estudadas, porém as que parasitam a fauna silvestre são pouco conhecidas. O objetivo deste trabalho foi amostrar a diversidade de carrapatos em anfíbios, répteis e mamíferos silvestres no Município de Porto de Moz no Estado do Pará. Durante uma expedição no mês de fevereiro de 2013, foram inspecionados para a presença de carrapatos treze animais silvestres assim como os dez humanos envolvidos na expedição e inspeção dos animais de vida livre. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 70% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio e identificados com base em chaves taxonômicas. Os animais inspecionados com a respectiva identificação das espécies de carrapatos foram: duas Rhinella castaneotica (1 larva de Amblyomma sp. e 1 ninfa de Amblyomma rotundatum); Kentropyx calcarata (2 larvas de Amblyomma sp); cinco Chelonoides denticulata (3 larvas de Amblyomma sp, 1 ninfa de Amblyomma oblongoguttatum, 49 machos e 4 fêmeas de Amblyomma humerale); Oecomys bicolor (1 macho de A. oblongoguttatum); Marmosops parvidens (1 larva de Amblyomma sp); Micoureus demerarae (1 ninfa de A. humerale); e duas Monodelphis emiliae (2 ninfas de Ixodes luciae). As espécies de carrapatos encontradas nos humanos parasitados foram: Amblyomma sp (15 larvas), Amblyomma scalpturatum (1 ninfa), Amblyomma latepunctatum (2 ninfas), Amblyomma naponense (5 ninfas), Amblyomma coelebs (18 ninfas), Amblyomma cajennense (21 ninfas) e A. oblongoguttatum (11 ninfas e 3 machos). O presente trabalho registra pela primeira vez a ocorrência de ninfa de A. rotundatum em R. castaneotica, assim como ninfa e macho de A. oblongoguttatum em C. denticulata e O. bicolor, respectivamente. O presente estudo relata ainda pela primeira vez ninfa de A. humerale em M. demerarae no Brasil.

Financiadoras: CNPq; Biocev Consultoria Ambiental; Linhas de Xingu Transmissora de Energia S/A

 


 

Ocorrência de carrapatos (Acari: Ixodidae) em animais silvestres no estado do Rio Grande do Norte

Martins TFI; Pereira JSII; Ahid SMMII; Freitas CIAII; Oliveira ZCZII; Figueiredo JNIII; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIDepartamento de Ciências Animais, Universidade Federal Rural do Semi-Árido
IIIAquário de Natal

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

No Brasil, existem poucos trabalhos que relatam a ocorrência de carrapatos em animais silvestres no bioma Caatinga. O objetivo deste estudo foi relatar a ocorrência de carrapatos em animais silvestres nos Municípios de Natal, Serra do Mel e Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte. Durante os meses de agosto de 2012 a março de 2013, foram inspecionados para a presença de carrapatos seis animais silvestres encaminhados pelo IBAMA e Polícia Ambiental para o Laboratório de Estudos em Imunologia e Animais Silvestres da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e para o Aquário de Natal. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 70% para o Laboratório de Parasitologia Animal da UFERSA, onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados nas coleções do Laboratório de Parasitologia Animal da UFERSA e “Coleção Nacional de Carrapatos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo”. O único animal proveniente do Município de Natal foi um Tamandua tetradactyla parasitado por 1 macho e 3 fêmeas de Amblyomma nodosum. Outro T. tetradactyla proveniente do Município de Serra do Mel estava parasitado por 1 macho, 1 fêmea e 37 ninfas de Amblyomma auricularium. Os demais animais foram capturados e inspecionados no Município de Mossoró com a respectiva identificação das espécies de carrapatos: Procyon cancrivorus (1 macho de Amblyomma auricularium e 1 fêmea de Rhipicephalus sanguineus); Athene cunicularia (6 ninfas de A. auricularium); e três Euphractus sexcinctus (20 machos, 8 fêmeas e 9 ninfas de A. auricularium). De acordo com a literatura científica o carrapato R. sanguineus já foi reportado em outros carnívoros silvestres (Cerdocyon thous, Lycalopex vetulus, Chysocyon brachyurus, Leopardus wiedii e Leopardus tigrinus) em condições de cativeiro no Brasil. O presente trabalho registra pela primeira vez a espécie R. sanguineus em P. cancrivorus no território brasileiro, reforçando os achados prévios da literatura desta espécie de carrapato utilizar os carnívoros silvestres cativos como hospedeiros. O presente estudo reporta pela primeira vez o carrapato A. auricularium em P. cancrivorus e A. cunicularia, sendo desta forma o primeiro registro desta espécie de carrapato parasitando ave no território nacional. O presente trabalho registra ainda pela primeira vez a espécie A. nodosum no Estado do Rio Grande do Norte, Brasil.

Financiadoras: CNPq; Ufersa; Aquário de Natal

 


Primeiro registro de três espécies de Amblyomma (Acari: Ixodidae) no estado de Rondônia e segundo relato de macho de Amblyomma rotundatum no Brasil

Martins TFI;Terasini FAII;Costa FBI;Camargo LMAIII;Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIDepartamento de Zoologia, Faculdade São Lucas, Porto Velho, Rondônia
III Departamento de Parasitologia, Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

No estado de Rondônia (RO) foram relatadas 29 espécies de carrapatos em 7 gêneros, sendo 23 espécies de Ixodídeos e 6 espécies de Argasídeos. Entre os anos de 2007 a 2012 foram coletados carrapatos de animais silvestres no estado de RO e os mesmos preservados em álcool 70%. Os carrapatos foram identificados utilizando estereomicroscópio, chaves taxonômicas e depositados na "Coleção Nacional de Carrapatos" da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. As seguintes associações parasitárias (carrapato-hospedeiro) foram encontradas com suas respectivas localidades: 1 macho, 2 fêmeas e 7 ninfas de Amblyomma auricularium em um tatu-galinha (Dasypus novemcinctus) no município de Itapuã do Oeste; 35 machos e 5 fêmeas de Amblyomma dubitatum/76 machos, 10 fêmeas e 2 ninfas de Amblyomma romitii em uma capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) no município de Jaru; 1 macho e 1 fêmea de A. dubitatum/3 machos de Amblyomma oblongoguttatum /18 machos, 2 fêmeas e 7 ninfas de A. romitii /1 macho de Amblyomma scalpturatum em uma capivara (H. hydrochaeris) no município de Ariquemes; 4 machos de Amblyomma geayi e 1 fêmea de Amblyomma varium em uma preguiça-comum (Bradypus variegatus) no município de Porto Velho; 2 machos de A. geayi em uma preguiça-comum (B. variegatus) no município de Candeiras do Jamari; 1 macho e 1 fêmea de Amblyomma rotundatum em uma jibóia (Boa constrictor) no município de Porto Velho. Os carrapatos A. auricularium e A. dubitatum foram registrados no Brasil nas regiões norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e sul, enquanto o carrapato A. geayi apenas na região norte. A. rotundatum é uma espécie partenogenética, entretanto no Brasil existe um único registro de um macho deste carrapato coletado em um lagarto Tropidurus sp no município de Monte Negro, estado de RO. O presente trabalho registra pela primeira vez a presença de A. auricularium, A. dubitatum e A. geayi no estado de RO e o segundo relato de macho de A. rotundatum no Brasil. Os presentes dados aumentam a ixodofauna de RO para 32 espécies.

Financiadora: CNPq

 


 

Carrapatos e agentes infecciosos associados, na Estação Ecológica Samuel, Rondônia, Brasil

Terasini FAI; Martins TFII; Labruna MBII; Camargo LMAIII;

IDepartamento de Zoologia, Faculdade São Lucas, Porto Velho, Rondônia
IIDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
IIIDepartamento de Parasitologia, Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo

Correspondência para:
ticksman@gmail.com

 

Este estudo avaliou a ocorrência de carrapatos de vida livre e em parasitismo em pequenos mamíferos, anfíbios, répteis e aves silvestres na Estação Ecológica Samuel, uma área de floresta ombrófila densa da Amazônia no Estado de Rondônia. Em adição, pesquisou-se a existência de patógenos bacterianos dos gêneros Rickettsia, Anaplasma, Ehrlichia e Borrelia em carrapatos e em pequenos mamíferos. De outubro de 2007 a setembro de 2008, foram realizadas capturas mensais de aves por redes de neblina, de pequenos mamíferos, répteis e anfíbios por técnicas de armadilhamento terrestre, e de carrapatos de vida livre pelos métodos de busca visual e arraste de flanela na vegetação. Amostras de carrapatos foram testadas por meio de técnicas de reação em cadeia pela polimerase (PCR) para presença de patógenos bacterianos dos gêneros Rickettsia, Ehrlichia e Anaplasma. Semelhantemente, amostras de fígado dos mamíferos foram também processadas por PCR para esses três gêneros de bactérias, além de Borrelia spp. Amostras de soro sanguíneo de mamíferos foram processadas pela reação de imunofluorescência indireta (RIFI), utilizando-se antígenos de Rickettsia rickettsii, R. parkeri, R.feliz, R. rhipicephali, R. amblyommii e R. bellii. Foram coletadas 60 aves, 36 mamíferos, 14 répteis e 11 anfíbios ao longo de 12 meses. De todos os animais capturados, apenas 5 (14%) dos 36 mamíferos e 2 (16,7%) dos 12 anfíbios foram encontrados parasitados por carrapatos das seguintes espécies: Amblyomma coelebs, A. latepunctatum, A. scalpturatum, A. naponense, A. oblongoguttatum, A. rotundatum, Ixodes fuscipes e Haemaphysalis juxtakochi. Em vida livre, foram coletados 265 carrapatos adultos e 597 ninfas de oito espécies, sendo elas: A. scalpturatum, A. latepunctatum, A. oblongogutattum, A. naponense, A. coelebs, A. nodosum, A. varium e H. juxtakochi. Nenhuma amostra de carrapato ou fígado de mamífero se mostrou positiva nas reações de PCR para bactérias transmitidas por carrapatos. Por outro lado, algumas amostras de soro de mamíferos marsupiais e roedores cavídeos demonstraram a presença de anticorpos anti-Rickettsia spp do grupo da febre maculosa na RIFI, indicando que esses animais foram expostos a agentes deste gênero de bactéria. Neste estudo, são relatados os primeiros registros de ninfas de A. naponense e A. latepunctatum em pequenos mamíferos. A área de floresta amazônica da Estação Ecológica Samuel alberga uma fauna de carrapatos predominantemente composta por espécies de Amblyomma relacionadas primariamente a mamíferos de médio e grande porte, contrastando com outras áreas de floresta amazônica do Estado de Rondônia, onde outras espécies de Amblyomma, tal como A. ovale, que dependem de pequenos roedores para seu estabelecimento, também estão presentes e abundantes.

Financiadoras: CNPq, Fapesp

 


 

Ocorrência de carrapatos (Acari: Ixodidae) em roedores silvestres em três municípios localizados no interior do estado de São Paulo

Peres MGI; Martins TFII; Bacchiega TSI; Appolinario CMI; Antunes JMAPI; Allendorf SDI;Costa FBII; Megid JI; Labruna MBII

IDepartamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, São Paulo
II Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

Durante um estudo sobre o ciclo silvestre do Vírus Vaccinia em áreas com e sem relatos de surto em rebanhos bovinos e humanos, roedores silvestres foram avaliados como potenciais reservatórios do vírus em três municípios localizados no interior do Estado de São Paulo. Com o objetivo de relatar a ocorrência de carrapatos nos roedores capturados, os mesmos foram inspecionados para a presença de carrapatos durante as coletas entre os meses de maio a setembro de 2011. Foram analisados 104 roedores (4 espécies), dos quais 21 indivíduos estavam infestados. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 70% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados na “Coleção Nacional de Carrapatos da FMVZ-USP” sob os números de acesso: CNC-2457 a CNC-2462. Os municípios de coleta com os roedores parasitados e as respectivas espécies de carrapatos identificados foram: Torre de Pedra, quatro Oligoryzomys nigripes (14 larvas de Amblyomma sp/ 3 ninfas de Amblyomma ovale), um Oligoryzomys flavescens (4 larvas de Amblyomma sp); Bofete, três O. nigripes (2 larvas de Amblyomma sp. / 1 ninfa de A. ovale), três O. flavescens (1 larva de Amblyomma sp/1 ninfa de A. ovale/1 ninfa de Ixodes schulzei), um Nectomys squamipes (1 ninfa de A. ovale); Anhembi, sete O. nigripes (16 ninfas de A. ovale/1 ninfa de I. schulzei), dois Sooretamys agouya (1 ninfa de A. ovale/1 ninfa de Amblyomma cajennense). De acordo com a literatura científica ninfas do carrapato A. ovale parasitam principalmente roedores, sendo que esta espécie já foi relatada parasitando N. squamipes. O presente estudo registra pela primeira vez ninfas desta espécie em O. flavescens, O. nigripes, e S. agouya, ninfas da espécie I. schulzei já foram relatadas em Akodon montensis e Oryzomys russatus no território brasileiro. O presente trabalho registra pela primeira vez ninfas do carrapato I. schulzei nos roedores O. flavescens e O. nigripes. Ninfas do carrapato A. cajennense já foram relatadas nos roedores das espécies O. nigripes e Cerradomys subflavus. O presente estudo registra ainda pela primeira vez ninfa de A. cajennense em S. agouya em território nacional. O presente trabalho reforça os achados prévios da literatura destas espécies de carrapatos utilizarem os roedores como hospedeiros para o estágio ninfal no Brasil.

Financiadoras: CNPq, Fapesp

 


 

Carrapatos do gênero Amblyomma (Acari: Ixodidae) parasitando aves e mamíferos silvestres de vida livre no estado de São Paulo

Martins TFI; Cutolo AAII; Teodoro AKMIII; Allegretti SMIII; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo.
IISetor de Controle de Zoonoses e Vetores, Secretaria Municipal de Saúde, Monte Mor, São Paulo.
IIIDepartamento de Biologia Animal, Instituto de Biologia, UNICAMP, Campinas, São Paulo.

Correspondência para:
thiagodogo@hotmail.com

 

Carrapatos são ectoparasitas que se alimentam do sangue de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. O objetivo deste trabalho foi amostrar a diversidade de carrapatos em aves e mamíferos silvestres no Estado de São Paulo. Durante os meses de agosto de 2000 a outubro de 2012, foram inspecionados para a presença de carrapatos duas aves e dezessete mamíferos silvestres. Os carrapatos coletados foram enviados em álcool 70% para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), onde foram analisados com o auxílio de estereomicroscópio, identificados com base em chaves taxonômicas e depositados na “Coleção Nacional de Carrapatos da FMVZ-USP”. Os animais inspecionados com a respectiva identificação das espécies de carrapatos encontrados e os Municípios de coleta foram: Formicarius colma, 1 ninfa de Amblyomma calcaratum, Iporanga; Crotophaga ani, 3 ninfas de Amblyomma cajennense, Conchas; Nasua nasua, 1 macho de Amblyomma ovale, Tietê; Tamandua tetradactyla, 4 machos de Amblyomma nodosum, Dracena; Sphiggurus villosus, 1 macho de Amblyomma longirostre, Monte Mor; Hydrochoerus hydrochaeris, 5 machos e 2 fêmeas de Amblyomma dubitatum, Monte Mor; Myocastor coypus, 2 larvas de Amblyomma sp/68 ninfas de A. dubitatum, Monte Mor; e doze Didelphis sp, 57 larvas de Amblyomma sp/ 28 ninfas de A. cajennense/23 ninfas de A. dubitatum, Monte Mor. De acordo com a literatura científica ninfas dos carrapatos A. calcaratum e A. cajennense já foram relatadas em passeriformes no Brasil. O presente trabalho registra pela primeira vez a espécie A. calcaratum em F. colma e a espécie A. cajennense em C. ani em território nacional, reforçando os achados prévios da literatura destas espécies de carrapatos utilizarem os passeriformes como hospedeiros para o estágio ninfal, aumentando desta forma o conhecimento sobre as espécies de carrapatos que parasitam a avifauna brasileira.

Financiadoras: CNPq, Prefeitura Municipal de Monte Mor

 


 

Carrapatos em humanos no Pantanal Sul-mato-grossense

Ramos VNI; Osava CFI; Piovezan UII; Szabó MPJI

ILaboratório de Ixodologia, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, Minas Gerais
IIEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Pantanal

Correspondência para:
vanvanecologia@gmail.com

 

Na América do Sul, a maior parte dos registros de picadas de carrapatos em seres humanos refere-se ao gênero Amblyomma. No Brasil, a principal doença associada a esses artrópodes é a Febre Maculosa Brasileira (FMB), cujo vetor do patógeno, Rickettsia rickettsii, é o carrapato Amblyomma cajennense. Entretanto, há regiões nas quais o carrapato A. cajennense é abundante mas a FMB não ocorre, como é o caso da sub-região da Nhecolândia, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Sendo assim, neste estudo o objetivo foi realizar um levantamento de ocorrências de carrapatos em seres humanos na Nhecolândia, e contribuir para compreender o comportamento da espécie em uma área não endêmica para a FMB. As ocorrências de carrapatos sobre seres humanos foram registradas entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2013, na Fazenda Nhumirim, Pantanal da Nhecolândia (Corumbá, MS). A amostra consistiu de pesquisadores e funcionários da fazenda, todos com uso intenso das áreas de vegetação natural. Os carrapatos foram agrupados em amostras por hospedeiro e mês, e foi feita distinção entre espécimes fixados e não-fixados. Foram coletados 281 espécimes e 2 bolos de larvas em 70 pessoas. Destes, 121 estavam fixados em 26 pessoas, sendo 102 Amblyomma cajennense (9 adultos e 93 ninfas) e 19 Amblyomma parvum (adultos). Ninfas foram encontradas somente na estação seca e adultos durante todo o ano com pico na estação chuvosa. Observou-se uma grande afinidade de ninfas de A. cajennense por seres humanos, o que não ocorreu em A. parvum. Por outro lado, adultos dessa espécie foram duas vezes mais frequentes que aqueles de A. cajennense. Esses resultados indicam que, no Pantanal, o carrapato A. cajennense possui comportamento semelhante àqueles de áreas endêmicas, com grande número de ocorrências de picadas de ninfas em seres humanos. É possível supor que a ausência de FMB deva-se à não circulação da riquétsia nesse sistema parasito-hospedeiro, sendo necessário investigar a presença do patógeno na região.

 


 

Anticorpos anti-Rickettsia spp em cães e detecção molecular de Rickettsia Amblyommii em carrapatos no Mato Grosso

Melo ALT; Amorim MV; Witter R; Aguiar DM; Pacheco RC

Universidade Federal de Mato Grosso

Correspondência para:
andreialtm@gmail.com

 

Em outubro de 2011, amostras de soro de 26 cães e seus carrapatos do município de Nova Mutum, norte de Mato Grosso. Objetivou-se pesquisar anticorpos anti-Rickettsia spp. pela Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI), utilizando 5 antígenos brutos (R. bellii, R. amblyommii, R. rhipicephali, R. rickettsii e R. parkeri). Um total de 37 carrapatos (34 ninfas de Amblyomma spp, 1 macho e 2 fêmeas de Amblyomma cajennense) foram processados individualmente seguindo o protocolo de extração de DNA isoticianato de guanidina. Posteriormente, os mesmos foram testados na Reação em Cadeia Pela Polimerase (PCR) usando um par de primers que amplificam um fragmento de 401-pb do gene citrato sintase (gltA), presente em todas as espécies do gênero Rickettsia. Os carrapatos positivos na PCR foram submetidos a outra reação, que amplifica um fragmento de 530-pb do gene de proteína externa de membrana A (ompA), presente em todas as espécies do Grupo da Febre Maculosa (GFM). Pela RIFI, as amostras de soro positivas (título ≥ 64) apresentaram variação de 64 a 512. Em 5 (19,23%) cães foi possível determinar a R. amblyommii como o provável antígeno responsável pela infeção (PARI), pois apresentaram títulos pelo menos quatro vezes superiores aos observados para as outras espécies testadas. Em 9 (34,61%) cães não foi possível determinar o PARI e 12 (46,15%) foram negativos. Quatro ninfas de Amblyomma spp foram positivas na PCR (genes gltA e ompA) e o sequenciamento do gene ompA (449 pb) mostrou 100% de identidade com “Candidatus Rickettsia amblyommii str. GAT-30V” (CP003334.1). Pode-se afirmar que a R. amblyommii encontra-se circulando na região estudada, sendo provavelmente transmitida por carrapatos do gênero Amblyomma, representando possível impacto em saúde pública em função da suspeita de ser patogênica aos seres humanos.

Financiadores: Capes, CNPq, Fapemat.

 


 

Ixodofauna em pequenos mamíferos não voadores, répteis, seres humanos e vida livre, registrados no norte e sudeste do estado do Pará, Brasil

Melo ALTI; Martins TFII; Semedo TBFIII; Labruna MBIII; Pacheco RCI

IPrograma de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá/MT
IIFaculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo/SP
IIIInstituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá/MT

Correspondência para:
andreialtm@gmail.com

 

Dentro do filo artrópode, os carrapatos são considerados vetores de um grande número de agentes infecciosos. Existem espécies que parasitam humanos, além de animais domésticos e silvestres, o que contribui para a manutenção enzoótica de diversos patógenos na natureza. Este trabalho descreve o parasitismo desses ácaros em pequenos mamíferos não voadores (roedores e marsupiais) para o estado do Pará nos municípios de Primavera, Faro e Juruti em duas campanhas distintas, realizadas nos meses de maio e junho de 2013, respectivamente. Foram capturados 24 indivíduos de pequenos mamíferos não voadores utilizando armadilhas convencionais (shermans e tomahawks), os quais foram inspecionados quanto à presença de carrapatos. Ademais, foram coletados carrapatos parasitando répteis, humanos e em vida livre. No total, 11 pequenos mamíferos encontravam-se parasitados, sendo: 2 Didelphis marsupialis (9 machos e 10 fêmeas de Ixodes luciae, 2 ninfas de Amblyomma humerale e 1 ninfa de Amblyomma latepunctatum) em Primavera e Juruti; 3 Micoureus demerarae (4 larvas de Amblyomma sp e 2 ninfas de A. humerale) em Juruti; 4 Monodelphis emiliae (1 larva de Ixodes sp, 2 ninfas de I. luciae, 47 larvas de Amblyomma sp e 1 ninfa de A. humerale) em Juruti; 2 Oecomys sp (1 larva de Ixodes sp e 1 larva de Amblyomma sp) Juruti. Nos répteis foram encontrados: Podocnemis unifilis (14 larvas de Amblyomma sp, 2 ninfas e 1 fêmea de A. humerale) em Juruti; Anolis crysolepis (2 ninfas de Amblyomma dissimile) Faro. Foi registrado em Juruti o parasitismo humano por carrapatos do gênero Amblyomma (23 larvas de Amblyomma sp, 1 ninfa de A. latepunctatum, 2 ninfas de Amblyomma naponense, 1 ninfa de Amblyomma coelebs, 1 fêmea de Amblyomma oblongoguttatum e 1 macho de Amblyomma ovale). Por fim, foram coletados 3 carrapatos de vida livre em Juruti: 1 ninfa de A. humerale, 1 macho de A. oblongoguttatum e 1 fêmea de Amblyomma scalpturatum. Futuros estudos epidemiológicos devem ser conduzidos visando esclarecer as interações entre os carrapatos, hospedeiros e ambiente, especialmente na Amazônia brasileira.

Financiadores: CNPq, Capes, Fapemat

 


 

Detecção molecular de Ehrlichia spp. e Rickettsia spp em carrapatos da região do Pantanal, Brasil

Melo ALTI; Pacheco TAI; Witter RI; Martins TF II; Pacheco RCI; Labruna MBII; Aguiar DMI

IPrograma de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal de Mato Grosso
II
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo

Correspondência para:
andreialtm@gmail.com

 

O presente estudo objetivou investigar a presença de Ehrlichia spp. e Rickettsia spp. em carrapatos coletados de cães domésticos (n=320) das áreas urbana e rural do município de Poconé, Pantanal de Mato Grosso. Durante julho a setembro de 2009, um total de 930 carrapatos foram coletados, incluindo 708 Rhipicephalus sanguineus (100 ninfas e 608 adultos), 209 Amblyomma cajennense (200 ninfas e 9 adultos) e 13 adultos de Amblyomma ovale. Os carrapatos foram processados individualmente ou em pools (3 carrapatos) e submetidos à extração de DNA pela técnica de tiocianato de guanidina. O DNA extraído foi submetido a uma heminested-PCR (Reação em Cadeia Pela Polimerase) contendo 401-pb (1ª reação) e 349-pb (2ª reação) do gene dsb para todas as espécies do gênero Ehrlichia. As amostras também foram testadas pela PCR usando um par de oligonucleotídeos que amplificam um fragmento de 401- pb do gene citrato sintase (gltA), que está presente em todas as espécies do gênero Rickettsia. As amostras positivas no gene gltA foram submetidas a uma outra PCR, utilizando fragmento com 530-pb do gene de proteína externa de membrana (ompA), presente somente nas riquétsias pertencentes ao Grupo da Febre Maculosa (GFM). Do total, 1 pool com 3 machos de R. sanguineus foi positivo para o gene dsb, e 4 pools (cada um contendo 3 ninfas), 1 ninfa de A. cajennense e 2 fêmeas individuais de A. ovale foram positivas para o gene ompA. Os produtos das PCR foram sequenciados e as sequências obtidas (342-pb) do gene dsb apresentaram 100% (342/342) de similaridade com Ehrlichia canis (GU586135.1). As sequências obtidas do gene ompA de A. cajennense (484-pb) e A. ovale (388-pb) apresentaram 99% (483/484) de similaridade com R. amblyommii (GQ891955.1) e 100% (388/388) com Rickettsia parkeri - Cepa Mata Atlântica (JQ906784.1), respectivamente. Estes resultados indicam que há evidências de que estes agentes infecciosos possam estar circulando na população animal da região estudada, além de demostrarem a detecção molecular de duas espécies Rickettsia spp. com potenciais zoonóticos.

Financiadores: Capes, CNPq, Fapemat.

 


 

 

Diversidade de carrapatos em aves silvestres do Pantanal Mato-grossense e do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães

Ramos DGSI; Pinto LBI; Alves ASI; Sabino UI; Melo ALTI; Martins TFII; Labruna MBII; Siqueira FRDI; Evangelista MMIII; Pinho JBI; Pacheco RCI

IUniversidade Federal de Mato Grosso
IIUniversidade de São Paulo
IIIUniversidade de Cuiabá

Correspondência para:
dgramos_vet@hotmail.com

Os carrapatos são reconhecidos como principais vetores de patógenos e as aves silvestres podem atuar como carreadores mecânicos desses ácaros. Durante o período de novembro de 2012 a julho de 2013 foram capturadas 575 aves de 110 espécies e 26 famílias, sendo as mais abundantes Tyrannidae, Trochilidae, Thraupidae e Thamnophilidae. As aves foram capturadas nas regiões do Pantanal de Poconé- MT e Parque Nacional da Chapada dos Guimarães por meio de redes de neblina, no período das 6h às 11h em seis campanhas, totalizando 1800 horas de rede. As aves foram inspecionadas quanto à presença de carrapatos, os quais foram identificados segundo chaves taxonômicas específicas. No total, foram encontrados 80 carrapatos em 56 aves (9,74%), com uma intensidade média de parasitismo de 1,43 e amplitude de 1-8 carrapatos/ave. A diversidade de carrapatos foi: larvas de Ornithodoros mimon (2,5%), larvas de Amblyomma sp (11,25%), ninfas de A. nodosum (28,25%), ninfas de A. calcaratum (18%), ninfas de A. cajennense (31,25%), ninfas de A. longirostre (7,5%) e ninfas de A. ovale (1,25%), totalizando 9 larvas, 70 ninfas e um único adulto de A. cajennense em Turdus subalaris. Larvas de Amblyomma sp são comumente relatadas em aves, entretanto essa é a primeira descrição de parasitismo por larvas O. mimon em aves. A espécie A. nodosum tem como hospedeiro na sua fase adulta Myrmecophaga tridactyla e Tamandua tetradactyla e tem sido relatada em aves nas fases de larva e ninfa, assim como A. calcaratum. Apesar do A. cajennense ser a espécie mais abundante do cerrado possuindo como hospedeiros primários equinos, capivaras e antas, sua ocorrência em aves tem sido restrita às fases imaturas, sendo rara a descrição do parasitismo pela fase adulta. Apesar de ser comum o parasitismo por ninfas de A. longirostre em aves, poucos são os relatos de ninfas de A. ovale nestes hospedeiros. A diversidade de carrapatos reitera a importância das aves como potenciais carreadores mecânicos de carrapatos e possivelmente disseminadores de patógenos.

Financiadores: CNPq, Capes, Fapemat

 


 

Ixodofauna de anfíbios e répteis no estado de Mato Grosso

Witter RI; Melo ALTI; Martins TFII; Corrêa SHRI; Morgado TOI; Vieira ASI; Brito ESII; Sinkoc ALI; Strüssmann CI; Pacheco RCI

IUniversidade Federal de Mato Grosso(UFMT)
IIUniversidade de São Paulo (USP)
IIIInstituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA)

 

Vários ectoparasitos são registrados em anfíbios e répteis, dentre os quais se destacam os carrapatos, que além de causarem lesões durante o repasto sanguíneo também atuam como vetores de diversos agentes infecciosos, como bactérias e protozoários. No presente estudo, objetivou-se relatar a ocorrência de carrapatos em espécies de anfíbios e répteis que ocorrem no Estado de Mato Grosso, oriundos de ambientes naturais e cativeiro. Dentre as espécies de animais de vida livre parasitados estão: 3 Rhinella bergi (2 ninfas de Amblyomma rotundatum/2 fêmeas de Amblyomma dissimile), Poconé; 8 Rhinella schneideri (2 larvas de Amblyomma sp/1 ninfa, 10 fêmeas e 19 machos de A. dissimile/4 fêmeas de A. rotundatum), Cuiabá e Poconé; 1 Acanthochelys macrocephala (1 ninfa, 1 fêmea e 1 macho de A. dissimile), Poconé; 1 Mesoclemmys vanderhaegei (1 fêmea de A. rotundatum), Cáceres; 2 Chelonoidis carbonaria (3 fêmeas de A. rotundatum/4 fêmeas de A. dissimile), Cuiabá e Paranatinga; 1 Chelonoidis carbonaria (2 fêmeas de A. dissimile), Poconé; 5 Boa constrictor (120 ninfas, 91 fêmeas e 105 machos de A. dissimile), Cuiabá; 1 Chironius laurenti (1 fêmea e 4 machos de A. dissimile), Cuiabá; 1 Mussurana bicolor (2 ninfas de A. dissimile), Poconé; 1 Crotalus durissus (57 ninfas, 87 fêmeas e 69 machos de A. dissimile), Cuiabá; 1 Eunectes murinus (1 fêmea de A. dissimile), Cuiabá; 1 Mastigodryas bifossatus (2 machos de A. dissimile), Poconé; 4 Iguana iguana (2 larvas de Amblyomma sp/32 ninfas, 33 fêmeas e 56 machos de A. dissimile), Cuiabá. Dentre as espécies de animais de cativeiro parasitados estão: 2 B. constrictor (1 larva de Amblyomma sp/39 ninfas, 76 fêmeas e 104 machos de A. dissimile), Cuiabá; 3 I. iguana (71 ninfas, 137 fêmeas e 182 machos de A. dissimile), Cuiabá. O estudo amplia o conhecimento sobre as espécies de carrapatos que parasitam representantes da herpetofauna do Estado de Mato Grosso, incluindo espécies de répteis aquáticas que ocasionalmente se locomovem por terra, como A. macrocephala e M. vanderhaegei, mostrando o quanto os carrapatos podem ser oportunistas em relação aos seus hospedeiros.

Financiadores: CNPq, Capes, Fapemat.

 


 

Detecção molecular de Rickettsia amblyommi e diversidade de carrapatos em mamíferos silvestres do Estado de Mato Grosso

Witter R I; Melo ALT I; Martins TFII; Corrêa SHRI; Morgado TOI; Semedo TBFI; Siqueira FRDI; Sinkoc AL I;Labruna MBII; Pacheco RCI

IUniversidade Federal de Mato Grosso
IIUniversidade de São Paulo

Correspondência para:
rutewitter@hotmail.com

 

Carrapatos são considerados vetores e reservatórios de riquétsias que podem ser transmitidas para animais e humanos. Dentre as espécies de animais parasitados estão: 1 Sylvilagus brasiliensis (1 macho e 1 fêmea de Haemaphysalis leporispalustris); 1 Choloepus didactylus (1 macho de Amblyomma varium); 1 Dasypus novemcinctus (1 macho e 1 fêmea de Amblyomma aricularium); 1 Euphractus sexcinctus (1 fêmea de Amblyomma cajennense); 6 Tamandua tetradactyla (4 larvas de Amblyomma sp/ 58 ninfas, 4 fêmeas e 1 macho de A. cajennense/1 fêmea e 3 machos de Amblyomma calcaratum/7 fêmeas e 19 machos de Amblyomma nodosum/1 ninfa de Amblyomma humerale); 5 Myrmecophaga tridactyla (1 ninfa, 31 fêmeas e 79 machos de A. cajennense/2 fêmeas e 6 machos A. nodosum/1 ninfa de Amblyomma sp.); 2 Nasua nasua (1 fêmea de A. cajennense/2 fêmeas e 8 machos de Amblyomma ovale). 1 Cerdocyon thous (25 larvas de Amblyomma sp/5 ninfas de A. cajennense); 1 Puma yagouaroundi (1 macho de Amblyomma parvum); 3 Panthera onca (112 larvas de Amblyomma sp/944 ninfas e 11 fêmeas de A. cajennense/8 ninfas de Amblyomma coelebs); 1 Coendou prehensilis (1 fêmea de Amblyomma longirostre); 4 Hydrochoerus hydrochaeris (2 larvas de Amblyomma sp/7 ninfas, 23 fêmeas e 135 machos de A. cajennense /14 ninfas, 13 fêmeas e 48 machos de Amblyomma dubitatum); 4 Mazama gouazoubira (5 ninfas e 2 fêmeas de Dermacentor nitens/1 fêmea de Riphicephalus microplus/1 fêmea de Haemaphysalis juxtakochi/9 larvas de Amblyomma sp/10 fêmeas e 2 machos de A. cajennense/ 3 ninfas e 1 fêmea de A. dubitatum/2 fêmeas de A. parvum); 4 Tapirus terrestres (1 fêmea de D. nitens/24 fêmeas de R. microplus/5 ninfas, 97 fêmeas e 201 machos de A. cajennense/11 fêmeas e 29 machos de A. coelebs /2 machos de Amblyomma oblongoguttatum/1 macho de A. parvum/7 fêmeas e 16 machos de Amblyomma scalpturatum). Foi realizada a PCR para detecção molecular de Rickettsia sp. em 33 carrapatos coletados em T. terrestres provenientes do município de Sinop (16 A. cajennense, 10 A. coelebs e 7 A. scalpturatum), sendo que no total 18 carrapatos foram positivos para o gene de membrana externa A (ompA), com as amostras apresentando 100% (468/468) de similaridade com Rickettsia amblyommii (CP003334.1). Trata-se do primeiro relato desta riquétsia em A. coelebs e A. scalpturatum no Estado de Mato Grosso.

Financiadores: CNPq, Capes, Fapemat

 


 

Levantamento da fauna ixodídica nas áreas urbana e industrial compreendidas pelo programa de recuperação socioambiental da Serra do Mar em Cubatão, SP: qual o risco das zoonoses transmitidas por carrapatos para uma cidade em transformação?

Botelho MLA I; Caseiro MM II; Rocha SIII

IPrefeitura Municipal de Cubatão; Universidade Católica de Santos – Santos, SP
IICentro Universitário Lusíada – Santos, SP
IIIUniversidade Católica de Santos – Santos, SP

Correspondência para:
mlab933@hotmail.com

 

A partir de 2007 o Governo do Estado de São Paulo implantou o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, que configura um conjunto de ações e intervenções envolvendo o Parque Estadual e outras áreas remanescentes do bioma Mata Atlântica. No Município de Cubatão, SP, a estimativa é de reassentamento de cerca de 7.500 famílias ocupantes de 9 núcleos. Desde o início do programa, mais de 4.000 famílias já foram removidas para apartamentos. Como consequência, um grande número de cães está sendo abandonado nas áreas desocupadas. Pela localização desses bairros, tanto podem esses animais transitar pela Mata Atlântica como pela área urbana. Com o objetivo de conhecer as espécies de carrapatos infestantes dos cães e domicílios na área afetada pelo Programa, foram colhidos, entre agosto de 2011 e maio de 2012, 828 espécimes de carrapatos morfologicamente identificados, sendo 827 Rhipicephalus sanguineus e 01 Amblyomma ovale. A coleta foi realizada em ambientes infestados sem a presença de cães (15%) e na superfície corporal de cães errantes e domiciliados (85%) provenientes de 26 bairros. Desse total, 266 exemplares (32,12% das amostras) foram coletados em áreas de ocupação irregular. Concluiu-se que há considerável potencial zoonótico representado pelas consequências imprevistas dos movimentos migratórios. Os resultados apontam a necessidade de um fluxo efetivo de notificação de parasitismo humano e identificação dos patógenos veiculados pelos mesmos.

 


 

Análises sorológicas de cães domésticos de áreas endêmicas para febre maculosa no Uruguai

Lado PI; Labruna MB II; Costa FB II; Venzal JMIII

IDepartamento de Parasitología Veterinaria, Facultad de Veterinaria, Universidad de la República, Montevideo, Uruguay
IIDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil
IIIDepartamento de Parasitología Veterinaria, Facultad de Veterinaria, Universidad de la República, Regional Norte, Salto, Uruguay

Correspondência para:
pau.lado@adinet.com.uy

 

 

A rickettsiose, causada por R. parkeri, é uma zoonose considerada endêmica e emergente nos estados do sul do Uruguai, sendo como vetor o Amblyomma triste, espécie que mais frequentemente ataca o ser humano, sendo muito agressiva. Casos humanos confirmados de febre maculosa atribuidos a R. parkeri existem na Argentina e Uruguai. Neste país o principal hospedeiro para o estadio adulto é o cão doméstico. O objetivo central deste trabalho foi realizar uma análise sorológica de cães residentes na área endêmica. Foram coletados 1000 soros caninos de áreas urbanas, suburbanas e rurais, no período de março de 2012 e junho de 2013. A análise sorológica foi realizada pela técnica de immunofluorescência indireta, sendo cada soro testado para três antígenos de Rickettsia spp: R. parkeri, R. felis e R. rhipicephali. Os soros que demonstraram para uma determinada espécie de Rickettsia um título pelo menos quatro vezes maior para as demais espécies testadas, considerou-se homólogo para a primeira espécie. Do total de 1.000 soros testados contra os antígenos de R. parkeri, R. felis e R. rhipicephali, 203 reagiram pelo menos para uma espécie, sendo a frequência de ocorrência de 20,3%. Do total de amostras positivas, conseguiu-se determinar o provável antígeno responsável pela infecção natural em 140 soros, correspondendo a uma frequência de ocorrência de 14% para R. parkeri, com títulos finais variando entre 128 a 32.768. Este estudo permitiu agregar informação para a epidemiologia das rickettsioses no Uruguai, conhecendo os primeiros valores de soroprevalência em cães domésticos residentes na área endêmica.

 


 

Soroprevalência de anticorpos anti-Rickettsia spp em equídeos do Pantanal Mato-grossense, Poconé, MT

Alves AS; Amorim MV; Borges AMCM; Silva LG; Melo ALT; Aguiar DM; Pacheco RC

Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGVET) da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT),Cuiabá, MT

Correspondência para:
allvair@hotmail.com

 

Riquétsias são bactérias intracelulares obrigatórias, sendo classificadas em dois grupos: o Grupo do Tifo e o Grupo da Febre Maculosa (GFM), no qual os carrapatos são os principais vetores. Os equinos assumem um importante papel de sentinela da Febre Maculosa Brasileira (FMB), causada por R. rickettsii em áreas onde o carrapato vetor é o A. cajennense, por serem considerados hospedeiros primários dessa espécie de carrapato. Buscou-se avaliar a exposição de equídeos no Pantanal Mato-grossense à R. rickettsii, R. parkeri, R. amblyommii, R. rhipicephali e R. bellii por meio da pesquisa de anticorpos pela reação de imunofluorescência indireta (RIFI). Foram avaliadas 500 amostras de soro de equinos e 47 amostras de muares e asininos, nas quais utilizou-se o cálculo de amostragem por conglomerado. No total, 337 (65,9%) amostras foram positivas (títulos ≥ 64) para pelo menos um antígeno. Quando um título obtido para uma determinada espécie de riquétsia foi pelo menos quatro vezes maior do que o título mais alto obtido para as demais espécies, pode-se sugerir que os anticorpos foram homólogos à primeira espécie, sendo considerado o provável antígeno responsável pela infecção (PARI). Assim, determinou-se como PARI: 147 (30,5%) equídeos para R. amblyommii, e 30 (4,75%) equídeos para R. parkeri. Observou-se alto percentual (65,9%) de animais sororeagentes à Rickettsia spp, com títulos variando de 64 a 4.096. A comprovação da circulação de R. amblyommii e R. parkeri já havia sido confirmada no município de Poconé-MT infectando cães e carrapatos. A R. amblyommii tem sido associada a possíveis casos de riquetsioses nos EUA, enquanto a R. parkeri é atualmente reconhecida como patógeno de uma riquetsiose mais branda que acomete seres humanos, inclusive no Brasil. No entanto, esses dados devem ser observados com cautela, pois não há confirmação de casos de FMB no Estado por qual espécie de riquetsia patogênica aos seres humanos.

Fonte financiadora: CNPq, Capes, Fapemat

 


 

Primeiro registro de Ixodes luciae (Acari: Ixodidae) no estado do Maranhão

Costa FBI; Martins TFI; Costa API; Ramirez DGI; Barros-Battesti DMII; Labruna MBI

IDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo
IILaboratório de Coleções Zoológicas, Instituto Butantan, São Paulo

Correspondência para:
franc.borges@yahoo.com.br

 

O carrapato Ixodes luciae Sénevet, 1940, parasita roedores durante as fases imaturas, e marsupiais na fase adulta. No Brasil, a espécie já foi relatada nos estados da região Norte (Acre, Amazonas, Pará e Rondônia) e em um estado da região Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul). Durante uma expedição realizada no estado do Maranhão no mês de agosto de 2013, foram coletados carrapatos de um gambá (Didelphis albiventris) no munícipio de Açailândia pertencente ao bioma Amazônico. Os carrapatos foram enviados vivos para o Laboratório de Doenças Parasitárias da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, onde foram identificados utilizando estereomicroscópio e chaves taxonômicas. Os seis carrapatos coletados foram identificados como machos de Ixodes luciae. O presente trabalho registra pela primeira vez esta espécie de carrapato no estado do Maranhão, sendo este relato o primeiro na região Nordeste do Brasil.

Financiadoras: CNPq; Fapesp