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BEPA. Boletim Epidemiológico Paulista (Online)

versão On-line ISSN 1806-4272

BEPA, Bol. epidemiol. paul. (Online) vol.10 no.113 São Paulo maio 2013

 

ATUALIZAÇÃO

Aids no estado de São Paulo, Brasil

 

AIDS in the State of São Paulo, Brasil

 

Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT/DST/Aids)*
Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo, Brasil.

 

No estado de São Paulo, os casos de Aids são notificados na Base Integrada Paulista de Aids (BIP-Aids), atualizada anualmente, desde 2004, por um acordo de cooperação técnica com a Fundação Seade, e gerada a partir do relacionamento de banco de dados do SINAN-Aids com os dados de mortalidade do estado. Ao lado desse acordo de cooperação, a parceria com a área de Vigilância e Informação do Departamento Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde propicia, pelo terceiro ano consecutivo, a descoberta de novos casos de Aids registrados no Sistema de Informação de Exames Laboratoriais (SISCEL) e no Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM).

No estado de São Paulo, no período de 1980 a 30 de junho de 2012, foram registrados 217.367 casos na Base Integrada Paulista de Aids – BIPAIDS – (SINAN até 30/06/2012 e SEADE até 31/12/2010) e no banco de dados do Departamento Nacional de DST/Aids, sendo 149.827 (68,9%) em homens e 67.522 (31,1%) em mulheres.

A taxa de incidência masculina apresentou seu pico em 1996 (47 casos em homens por 100 mil habitantes). Entre as mulheres, a maior taxa de incidência ocorreu em 1998 e, desde esse ano, o número de casos e taxas vem se reduzindo paulatinamente, em ambos os sexos, e de forma mais significativa em mulheres do que nos homens. Comparativamente, entre os anos de 2000 e 2010, houve uma queda de 33,7% na incidência, sendo 39,8% entre as mulheres e 30,1% entre os homens.

A razão entre o número de casos do sexo masculino e feminino foi de 34/1 em 1985 e apresentou queda até 1996, quando foi de 2/1. Essa razão vem se mantendo estável, entretanto, é importante observar que, em números absolutos, embora tenha se mantido em queda até 2005, quando foi de 1,64, vem apresentando ligeiro acréscimo desde esse ano, atingindo 2,07 em 2010.

De 1991 a 1995, a maior incidência concentrou-se nas idades de 25 a 29 anos, quando foi superada, em 1996, pelo grupo de 30 a 39 anos (TI= 85,0 casos por 100.000 habitantes em 1996), que permaneceu como predominante até o presente (TI= 37,7 casos por 100.000 habitantes). De 1996 até 2002, o grupo etário de 25 a 29 anos passou a ocupar a segunda posição da taxa de incidência, mas foi superado em 2003 pelo grupo de 40 a 49 anos (TI = 47,5 casos por 100.000 habitantes em 2003), que passa a ser o segundo grupo etário de maior incidência (o que transfere as idades entre 25 e 29 anos para a terceira posição), distribuição essa que permanece até o último ano analisado.

Observa-se que o grupo de 40 a 49 anos vem se igualando ao grupo de 30 a 39 anos, de modo que, se em 2003 essas taxas eram respectivamente 47,5 e 65, em 2009 elas passaram a ser praticamente iguais (37,1 e 37,7 casos por 100 mil habitantes/ano). Outra questão a ser observada é que na comparação das idades de 20 a 24 anos e de 50 a 59 anos, as taxas de incidência do grupo mais jovem foram maiores do que as dos mais velhos até 1999, tendo sido ultrapassadas por estes em 2000. A partir de então, as taxas de incidência de 50 a 59 anos têm sido cada vez maiores, quando comparadas às do grupo de 20 a 24 anos.

A taxa de incidência total de Aids no sexo masculino permanece mais elevada do que a feminina em todo o período, e foi crescente até 1996, quando atingiu 47,0 por 100.000 homens, caindo para 26,5 em 2010. Entretanto, no sexo feminino, o pico da taxa de incidência foi atingido em 1998, com 23,8 casos por 100.000 mulheres, caindo para 12,1 em 2010.

Finalmente, deve-se destacar que, se as meninas entre 15 e 19 anos passaram a ter TI maiores do que os meninos desde 1997, em 2004 os meninos voltam a apresentar taxas ligeiramente maiores, que permanecem assim até 2010. Já entre as pessoas com 70 anos e mais, comparando-se os anos de 2000 e 2010, observa-se um aumento de 45% e 71% na taxa de incidência para homens e mulheres, respectivamente.

Dos 189.392 casos de Aids, com 13 anos de idade ou mais, notificados no sistema de vigilância epidemiológica (Sinan), 42,6% tiveram exposição heterossexual; 20,3% eram homens que fizeram sexo com homens (HSH) e 20,8% eram usuários de drogas injetáveis (UDI). Ainda existem 15,7% das notificações sem informação sobre a forma de transmissão.

No período de 1985 a 2010 ocorreram 100.500 óbitos por Aids no estado de São Paulo. Segundo dados da Fundação Seade, foram registrados 3.006 óbitos no ano de 2011 e a taxa de mortalidade (TM) caiu de 7,6 no ano anterior para 7,2 óbitos por 100.000 habitantes em 2011.

Comparando-se os anos de 2007 e 2011, identificam-se quedas de 8,9% dos óbitos (2.219/2.021) para o sexo masculino e de 5,7% (1.045/985) para o sexo feminino. A taxa de mortalidade apresentou variação de 8,5 para 7,2 óbitos por 100.000 habitantes no período. Ressalta-se que, em 2011, pela primeira vez, a Aids não aparece como primeira causa de óbito em nenhum dos grupos etários.

Estimou-se o número de pessoas vivendo com Aids subtraindo-se o total de casos de cada ano pelo número de óbitos do respectivo ano, adicionando-se o resíduo de casos vivos do ano anterior. Obteve-se, portanto, a estimativa de 103.172 pessoas vivendo com Aids em 2012 (Figura 1).

 

O impacto da introdução dos antirretrovirais tem aumentado sobremaneira a prevalência de pessoas vivendo com Aids, trazendo novos desafios, que merecem políticas públicas específicas. Adolescentes e adultos jovens que adquiriram a infecção por transmissão vertical necessitam de abordagem especial, assim como aqueles que estão envelhecendo com a doença, além da readequação dos serviços, diante da população crescente de pessoas sobre seus cuidados e a complexidade desses novos problemas.

* E-mail: contato@crt.saude.sp.gov.br