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BEPA. Boletim Epidemiológico Paulista (Online)

versão On-line ISSN 1806-4272

BEPA, Bol. epidemiol. paul. (Online) vol.8 no.95 São Paulo nov. 2011

 

INFORME

Notificação dos Casos assintomáticos Soropositivos para o HIV no Sinan no Estado de São Paulo 2000 a 2010

 

Assymptomatic Seropositive HIV Case Reporting for Sinan in the State of São Paulo 2000 to 2010

Gerência de Vigilância Epidemiológica Centro de Referência e Treinamento DST/Aids. Coordenação Estadual de DST/Aids. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo, SP, Brasil

 


Correspondência/Correspondence to


O Estado de São Paulo tem demonstrado, desde o início da década de 90, a intenção de trabalhar com a notificação dos portadores assintomáticos do HIV, entendendo que, dado o longo período de incubação desta infecção, o perfil epidemiológico apresentado pelos casos, reflete um padrão de transmissão do vírus de 5 a 10 anos atrás.

Em 1994, o Programa Estadual de DST/Aids propôs a notificação voluntária de portadores assintomáticos do HIV no estado, utilizando o “Sistema de Informação de Soropositivo Assintomático – SIHIV” para a transmissão de dados das unidades notificadoras para o nível central de vigilância epidemiológica. A partir de 2000, passou a ser utilizado o SINAN como ferramenta de transmissão de dados. A adoção desta medida se deu de forma diferenciada nos municípios.

A Figura 1 apresenta ano de notificação e de diagnóstico (primeira evidência laboratorial de infecção pelo HIV) de 38.076 casos de soropositivos para o HIV em indivíduos com 13 anos de idade e mais. Em 2001 observa-se aumento das notificações, sendo que em 2004 houve o maior número de casos notificados, seguido de queda nas até 2007. Analisando a curva por ano de diagnóstico, observa-se aumento progressivo no número de casos até 2004, seguido de queda e novo aumento em 2008 com diminuição em 2009. Os dados relativos a 2010 são parciais até 30 de junho, não significando queda na ocorrência de casos.

As notificações anteriores a 2000 podem ter sido feitas por iniciativas isoladas de notificação dos soropositivos, mas principalmente por erro no preenchimento dos critérios de classificação de casos como aids. Assim, a análise dos dados foi baseada nas 37.382 notificações a partir de 2000 e destes 32.636 casos com diagnóstico sorológico também a partir do mesmo ano.

Observa-se na Tabela 1 que o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE 1) da Capital foi responsável por 39,7% das notificações de casos de HIV, seguido das regionais de Campinas e de Santos. Estas três regionais notificaram a maioria dos casos (53,7%).

Do total de 645 municípios do Estado, 541 (84%) têm ao menos um caso soropositivo de HIV notificado. Dos 32.636 casos, 36,5% residem no município de São Paulo, sendo que São Paulo, Santos, Campinas, Guarulhos, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto respondem por 51,3% dos casos, enquanto que 428 (79%) municípios com menor número de casos são responsáveis por 10% das notificações.

A maioria dos casos notificados foi do sexo masculino (60,4%), no entanto ao longo do período houve grande variação na distribuição percentual de casos entre os sexos, com aumento na razão de masculinidade a partir de 2000. Em 2009, essa razão foi de 2 homens para uma mulher, com três pontos de acentuação em 2003, 2005 e 2008 (Tabela 2 e Figura 2).

Observa-se na Tabela 3 aumento de casos notificados de indivíduos com diagnóstico de infecção pelo HIV em idade mais elevada no decorrer do período. As alterações são mais evidentes para o sexo feminino, com redução da proporção de casos de 13 a 29 anos e aumento nas faixas de 30 a 49 e 50 a 69. No sexo masculino as proporções nas faixas de 13 a 29 e de 30 a 49 anos apresentaram manutenção, em torno de 37% e 52% respectivamente (Figura 3).

Chama atenção na Figura 4 a redução da proporção de casos soropositivos com o quesito raça/cor ignorado. Ainda merece destaque o aumento progressivo de casos classificados como da raça negra, categoria que inclui os originalmente classificados como pretos ou pardos e a pequena porcentagem de casos nas categorias amarelo ou indígenas, agrupados como “outras”.


Quanto à escolaridade, Figura 5, verifica-se que os homens têm mais anos de estudo do que as mulheres, sendo que 47,9% deles têm 8 anos ou mais de estudo contra 35.3% das mulheres na mesma situação. Neste atributo também se destaca a elevada proporção de casos ignorados.

A categoria de exposição para os casos notificados em indivíduos soropositivos para o HIV foi ignorada em 11,3% dos casos em homens e 9,5% entre as mulheres. Nota-se na Figura 6 que, entre as mulheres, a exposição sexual foi preponderante durante todo o período, e a exposição por drogas injetáveis (UDI) manteve-se estável até 2006, representando menos de 5% dos casos a partir desse ano. Entre o sexo masculino, foram notificados cerca de 183 casos ao ano com exposição por UDI. Apesar de essa categoria de exposição ter mostrado redução durante o período, sua participação proporcional no sexo masculino foi sempre superior ao sexo feminino. Já a participação proporcional de homens HSH mostrou diminuição inicial seguida de aumento a partir de 2007. Enquanto para os casos de HIV a exposição na categoria de homens que fazem sexo com homens (HSH) supera os 40% durante todo o período, entre os casos de aids a proporção desta categoria de exposição apresenta aumento de 23,8% em 2000 para 33,5% em 2008 (Boletim epidemiológico 2010-SES-CRT)

A análise dos dados baseada na notificação de casos de infectados pelo HIV visa diminuir o intervalo de tempo imposto pelos dados provenientes das notificações de casos de aids em virtude do longo período de incubação da doença. No entanto, muita cautela é necessária devido às questões de representatividade dessas informações. Se por um lado os dados permitem avaliar possíveis impactos de medidas ou estratégias de prevenção adotadas, por outro são sujeitos a viés devido à possibilidade de captação diferenciada de casos em conseqüência de fatores relacionados à organização e oferta de serviços, à compreensão diferenciada de risco dos vários grupos populacionais envolvidos e outros de ordem cultural e psicossocial.

 

 


Correspondência/Correspondence to
Maria Lucia Rocha de Mello
Rua Santa Cruz, 81 – 1º andar – Vila Mariana
CEP: 04121-000 – São Paulo/SP – Brasil
Tel.: 55 11 5539 3445
Email: epidemio@crt.saude.sp.gov.br