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BEPA. Boletim Epidemiológico Paulista (Online)

versão On-line ISSN 1806-4272

BEPA, Bol. epidemiol. paul. (Online) vol.7 no.78 São Paulo jun. 2010

 

NOTA

 

Mortalidade por Aids caiu 84,5% em São Paulo com uso da HAART

 

HAART use reduces Aids mortality in 84,5% in São Paulo

 

 

Correspondência

 

 

Estudo de sobrevida desenvolvido no Centro de Referência e Treinamento DST/Aids-SP (CRT/Aids) - órgão da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CCD/SES-SP) - confirmou o sucesso da política nacional de combate à epidemia de HIV/aids e os excelentes resultados obtidos com o acesso livre e universal aos antirretrovirais. A pesquisa foi realizada pela epidemiologista Mariza Vono Tancredi, como tese de doutorado, sob a orientação do Prof. Dr. Eliseu A. Waldman, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

No estudo, observou-se uma população adulta de 6.594 pacientes que desenvolveram aids, no período de 1988 a 2003, acompanhada até 2005. Identificou-se expressivo aumento da sobrevida na era pós-HAART (início da terapia antirretroviral de alta potência, conhecida como coquetel). Comparou-se a probabilidade de sobrevida nove anos após o diagnóstico de aids para pacientes que tiveram seu diagnóstico feito em três épocas (1988 a 1993; 1994 a 1996; e 1997 a 2003), e observou-se expressiva elevação nas probabilidades de sobrevida de 10,6% para 24,4% e 72%, nos respectivos períodos.

A introdução dos esquemas antirretrovirais de alta potência apresentou expressivo impacto nas taxas de mortalidade por Aids no CRT-SP. Em 1988, a taxa de mortalidade foi de 8,0/1.000 pessoas-ano; em 1994, atingiu seu pico, com 24,8/1.000 pessoas-ano; e, em 2003, foi de 3,4/1.000 pessoas-ano. Portanto, entre os anos de 1994 e 2003 ocorreu um declínio de 84,5% na taxa de mortalidade.

Outro estudo, realizado por Guibu e colaboradores, em 2007, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, revelou que para pacientes com diagnóstico de aids, entre 1998 e 1999, a probabilidade de sobrevida foi de 59,4% até nove anos. Segundo Tancredi, a sobrevida nesse estudo foi associada aos seguintes fatores preditores: período de diagnóstico de aids, idade na época do diagnóstico, categoria de exposição, escolaridade e contagem de células CD4. Para os que tiveram diagnóstico de aids, entre 1988 e 1993, o risco de óbito foi três vezes maior, comparado com os diagnosticados entre 1997 e 2003.

Em relação à idade, o risco de óbito dos indivíduos com mais de 50 anos foi duas vezes maior do que entre jovens de 13 e 29 anos. Para aqueles que adquiriram o vírus por meio de uso de drogas injetáveis, o risco de óbito foi 50% maior quando comparado aos heterossexuais. Os pacientes que não tinham nenhuma escolaridade apresentaram um risco duas vezes maior de morrer do que aqueles com mais de oito anos de estudo.

Por último, a contagem de CD4 também foi um fator associado à sobrevida dos pacientes com aids, pois entre os que tinham CD4 abaixo de 350 cel/mm3 o risco de óbito foi 30% superior, quando comparado àqueles com CD4 acima de 500 cel/mm3;. Segundo Tancrdi , " os fatores associado s à sobrevida dos pacientes com Aids do CRT são os mesmos apresentados em estudos internacionais”. De acordo com a pesquisadora, o aumento da sobrevida dos pacientes do CRT/Aids-SP se deve, além do uso da terapia antirretroviral de alta potência, à qualidade do serviço prestado na instituição e ao empenho da equipe multidisciplinar.

 

 

Correspondência:
Mariza Vono Tancredi
Rua Rebeca, 140 - V. Palmares
CEP: 09061-400 - Santo André/SP - Brasil
Tel.: 55 115084-6143
E-mail: mariza@crt.saude.sp.gov.br

 

 

Centro de Referência e Treinamento DST/Aids. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde. São Paulo, SP, Brasil