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BEPA. Boletim Epidemiológico Paulista (Online)

On-line version ISSN 1806-4272

BEPA, Bol. epidemiol. paul. (Online) vol.6 no.68 São Paulo Aug. 2009

 

RESUMO DE TESE

 

Caracterização genética de vírus da raiva isolados de bovinos, no período de 1999-2001, em uma área epizoótica do Estado de São Paulo

 

 

Pedro Carnieli Jr; Nazle Mendonça Collaço Véras; Willian de Oliveira Fahl; Juliana Galera Castilho; Maria do Carmo Sampaio Tavares Timenetsky

Instituto Pasteur. São Paulo, SP, 2008 [Tese de Doutorado – Área de concentração: Pesquisas Laboratoriais em Saúde Pública – Programa de Pós-graduação em Ciências. Coordenadoria de Controle de Doenças. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo]

Correspondência

 

 

Para que o controle da raiva seja eficiente, é necessário conhecer as linhagens do vírus da raiva (RABV) nas diferentes regiões geográficas e associá-las aos vetores encontrados na mesma área. A associação das sequências de nucleotídeos (nt), ou de aminoácidos (aa) deduzidos das sequências de nt, possibilita determinar a origem de uma variante viral e sua dinâmica no ecossistema. Este trabalho analisou 149 sequências dos genes N e G do RABV isoladas de bovinos, normalmente transmitidos pelo morcego hematófago Desmodus rotundus. O gene N possui 1.350 nt e a proteína N possui 450 aa; o gene G possui 1.572 nt e a glicoproteína G, 524 aa. As amostras do RABV foram isoladas em três áreas epizoóticas do Estado de São Paulo, entre os anos de 1997 e 2002. Essas três áreas são designadas como Área I (Vale do Paraíba), Área II (região de Campinas) e Área III (região de São João da Boa Vista). O ápice dessas epizootias ocorreu entre os anos de 1997-1999, 1998-2000 e 2000-2002, nas Áreas I, II e III, respectivamente. O principal objetivo deste trabalho foi associar as três áreas epizoóticas para determinar a relação entre elas, como também caracterizar geneticamente as sequências geradas a partir das amostras do RABV. As sequências dos gene N e G foram alinhadas separadamente, com sequências de referência, utilizando o programa Clustal W e editadas manualmente no BioEdit. A construção das árvores filogenéticas foi realizada pelo método Neighbor-Joining e a confiabilidade estatística das árvores foram avaliadas pelo método bootstrap. As árvores filogenéticas N e G puderam ser divididas em dois clados principais, um deles agrupando amostras da Área I e outro agrupando amostras das Áreas II e III, demonstrando que a epizootia da Área I não tem relação com as Áreas II e III. Ainda, como a epizootia da Área III ocorreu após a da Área II, conclui-se que a primeira é consequência da segunda. Interessante é o fato de que, apesar das diferenças de nt entre as sequências das Áreas I e II-III, a diferença de aa foi pequena, demonstrando não haver seleção positiva. Esse fato deve estar relacionado com a forma pela qual os vetores (D. rotundus) infectados se deslocam no espaço geográfico. Algumas assinaturas genéticas relacionadas a áreas polimórficas dos genes N e G foram encontradas nas sequências da Área I, como também algumas em comum com as Áreas II e III.

 

 

Correspondência:
Pedro Carnieli Jr.
Av. Paulista, 393
CEP: 01311-001– São Paulo/SP – Brasil
pecarniel@yahoo.com.br

 

 

Suporte Financeiro: Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo