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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

Print version ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.) vol.14 no.3 São Paulo Aug. 2013

 

EDITORIAL

Kátia Cibelle Machado Pirotta
Maria de Lima Salum e Morais
Suzana Kalckmann
Márcio Derbli

A violência é hoje, em todo o mundo, um tema de preocupação para governantes, políticos, imprensa, setores da sociedade organizada e a população em geral. Atinge amplos segmentos da sociedade e vem tomando sérias proporções tanto nas grandes metrópoles, quanto nas cidades menores.

A violência é um grave elemento da precarização da vida. Ao mesmo tempo em que atinge a sociedade, é a própria sociedade que a produz. Seu enfrentamento depende de políticas públicas e exige mudanças nas instituições sociais. Por tratar-se de um fenômeno de grande complexidade, as políticas públicas e as ações voltadas para esse fim devem possuir caráter intersetorial e multidisciplinar. No entanto, a criação de parcerias e o conhecimento ne cessário para sua construção ainda são pouco desenvolvidos e há pouco incentivo para sua realização.

No Brasil, observa-se a fragmentação das políticas para o enfrentamento da violência, com ações e programas superpostos. No âmbito da saúde, o enfrentamento da violência abrange uma enorme gama de situações que envolvem, entre outros tantos exemplos, a violência doméstica, a violência sexual, a atenção aos usuários do crack e de outras substâncias psicoativas, a morbidade e a mortalidade devido a acidentes de trânsito, os  homicídios e os suicídios. A violência também se expressa por diferenciais de gênero, de raça e de geração, sendo que alguns grupos sociais são mais vulneráveis a sofrer suas consequências. Ainda que se trate de um fenômeno global, a violência atinge de forma diferente mulheres e homens, crianças e adultos, além dos diversos grupos étnicos e raciais da população.

Embora o sistema de saúde ainda não esteja adequadamente preparado para o enfrentamento da violência, existem diversos esforços sendo feitos nos serviços. Buscando contribuir para a reflexão sobre as possibilidades de ações e de políticas para o enfrentamento da violência por parte da saúde, a presente edição do BIS selecionou estudos que se detiveram em aspectos relevantes para a organização dos serviços de saúde e para o SUS. Pretende- se também dar visibilidade às iniciativas dos seus profissionais através de relatos de experiências, buscando colaborar para sua divulgação.

Os artigos aqui reunidos abordam diferentes facetas do enfrentamento da violência pela saúde. Em virtude da repercussão da chamada de trabalhos e do grande número de artigos recebidos, optou-se pela publicação desse eixo temático em dois números do BIS. No presente, apresentamos estudos sobre as necessidades da organização dos serviços para fazer frente à violência, sobre as dificuldades de seus profissionais em reconhecerem a violência, sobre a sensibilização e a capacitação das equipes para a atenção a pessoas em situação de violência, sobre os sistemas de notificação e o emprego das fontes de dados quantitativos na investigação da violência.

Responder à violência implica a articulação entre diversos setores sociais, como saúde, educação e justiça. Desse modo, buscou-se também enfocar as iniciativas para a atuação conjunta entre vários atores sociais. Por fim, publicamos a experiência de uma equipe de saúde com a população de rua, enfrentando a violência causada pela discriminação e pela exclusão.

Esperamos, com isso, apresentar ao público interessado no problema um material que subsidie a redução das vulnerabilidades e das iniquidades vividas na sociedade.