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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.) vol.14 no.1 São Paulo  2012

 

Promoção de saúde integral e abordagem de gênero como estratégia de ação em saúde sexual e reprodutiva de homens heterossexuais

 

Comprehensive health care promotion and gender approach as an action strategy for heterosexual men’s reproductive and sexual health

 

Regina FigueiredoI; Marta McBrittonII; Marcelo PeixotoIII

I Regina Figueiredo (reginafigueiredo@uol.com.br) é socióloga, mestre em Antropologia da Saúde e doutoranda em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora científica do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e assessora técnica de produção de materiais do Instituto Cultural Barong
II Marta McBritton (martamcbritton@gmail.com) é assistente social, presidente e coordenadora-geral de projetos do Instituto Cultural Barong e membro do Fórum de ONGs Aids de São Paulo
III Marcelo Peixoto (marcelopeixoto1950@hotmail.com) é ator e diretor de teatro pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), arte educador e coordenador de projetos do Instituto Cultural Barong

 

 


RESUMO

O artigo relata a experiência de atuação em saúde do homem desenvolvida pelo Instituto Cultural Barong. A metodologia adotada partiu de indicadores de morbidade e mortalidade masculinas e de referenciais da construção de gênero do padrão de masculinidade heterossexual atual, para criar um discurso de promoção à saúde sexual e reprodutiva e prevenção de DST/Aids e hepatites para homens. Como estratégia de trabalho foram realizadas ações de rua e em empresas com grande concentração masculina, desenvolvimento e distribuição de materiais educativos e informativos para este público, incorporando temas gerais de saúde, por meio de uma abordagem lúdica dos padrões de masculinidade, visando à reconstrução destes, com base na percepção das vulnerabilidades masculinas, e apontando a necessidade de adoção de comportamentos de autocuidado e prevenção, incluindo a busca de serviços públicos de saúde. Diante da inexistência de protocolos e fluxos definidos quanto à realização de consultas, exames e informação de serviços quanto à saúde de homens no Brasil, foram criados parâmetros práticos de orientação ao público masculino no cuidado de sua saúde em geral e qualidade de vida, incluindo foco em saúde sexual e prevenção, além da criação de folhetos e cartilhas específicos para este público, que teve grande aceitação, demostrando o sucesso da abordagem.

Palavras-chave: Saúde do homem, Prevenção de DST/Aids, Promoção da saúde


ABSTRACT

This article describes the experience on men’s health promotion developed by the Barong Cultural Institute (Instituto Cultural Barong). The adopted methodology was based on men´s morbidity and mortality indicators and on references of the construction of gender of the current heterosexual masculinity pattern. This methodology intends to create a discourse for the promotion of sexual and reproductive health and for the prevention of STD/HIV and hepatitis for men. The used strategy for the study was grounded on actions carried out on streets and in companies with high concentration of men. Moreover, reports and educational material were developed and distributed for this public, incorporating general health themes, through an unique playful approach of masculine patterns, aiming to the reconstruction of these patterns on the basis of the perception of men´s vulnerability. Another objective of this process was to point out the need to adopt the self-care and prevention behavior, including the search for health public services. In face of the inexistence of defined flows and protocols related to appointments, exams and information services that involves men´s health in Brazil, practical parameters were created to guide men in general health care and quality of life, including the focus on sexual health and prevention, as well as the creation of leaflets and brochures for this public, who very well received the initiative. It demonstrates how successful the approach was.

Keywords: Man´s health, Prevention of Std/Aids, Health promotion


 

Introdução

A saúde do homem no Brasil

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem do Ministério da Saúde8, elaborada em 2008, aponta que os principais fatores de morbimortalidade masculina no Brasil poderiam ser evitados caso ações de prevenção fossem adotadas com relação aos homens, tanto como medidas primárias tomadas por gestores e serviços de saúde, quanto com relação à realização de consultas e exames preventivos com regularidade pela população masculina, que tem pouca frequência aos serviços básicos de saúde.

Diversas questões afetam o acesso do homem à saúde, entre elas a visualização tardia da saúde do homem como um campo importante de prevenção em nosso país, que impossibilitou a mobilização de atenção, recursos e estratégias de atenção a esse público, mas também fatores relacionados à construção cultural dos gêneros, que incentiva atitudes de risco entre os homens e não orienta a percepção das vulnerabilidades a que estão sujeitos, induzindo-os a se verem como grupo inatingível e distante das doenças2.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística3 revelam que, no Brasil, embora a expectativa de vida dos homens tenha aumentado proporcionalmente bem mais do que a das mulheres, ainda se encontra em 3,28 anos mais baixa do que a feminina.

 

A Política Nacional de Saúde do Homem aponta que os homens são 52,9% do público internado em hospitais do país ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS), cerca de 2,7 milhões de casos atuais8.

De acordo com o Ministério da Saúde6, a primeira causa de morte masculina são as doenças do coração, seguida pelas cerebrovasculares, depois por homicídios, acidentes de transporte, pneumonia, doenças do fígado, diabetes, hipertensão, cânceres (principalmente de pulmão, próstata e estômago), outras doenças circulatórias e a Aids.

Fazendo um corte por faixa etária, até os 40 anos, as causas externas (violência, agressões e acidentes de trânsito/trabalho) predominam; depois dos 40 anos, doenças ligadas ao envelhecimento, mas também doenças respiratórias, câncer de próstata e doenças cardiovasculares ligadas ao consumo de tabaco8.

Com relação à mortalidade em acidentes de trânsito brasileiros, 82% ocorrem entre homens8, sendo que há forte associação entre o consumo de bebidas alcoólicas, que em 53% estão presentes nesses eventos5. O consumo de álcool é masculino em 89,1% dos óbitos, sendo provocadores, também, de quedas em trabalho e acidentes como afogamentos9. Esse consumo encontra base em 19,5% de dependência química entre homens, comparado a 6,9% entre as mulheres, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid)1.

 

Com relação a doenças sexuais, o Instituto Nacional de Câncer (Inca)4 registra que o câncer de próstata, na maioria das vezes associado à presença do vírus HPV transmitido sexualmente, é o segundo carcinoma mais comum, atrás apenas do de pele. Em 2009, foram registrados no país 12.274 mortes relacionadas a esse mal, que tem estimativa de mais de 60.000 casos para 20128.

Além do câncer de próstata, provocado pelo vírus HPV transmitido sexualmente, o câncer de pênis provocou, apenas em 2007, 295 mortes no Brasil, e atinge quase 5.000 homens anualmente8.

No país, 17% dos homens sexualmente ativos já tiveram alguma DST, que atinge 6,6 milhões, 18% sem busca de nenhum tipo de apoio para tratamento7. Com relação à Aids, para cada dois casos em mulheres há três entre homens, totalizando, apenas em 2011, 9.035 casos masculinos registrados no país, sendo 22,4% por transmissão heterossexual e  76,7% na faixa etária entre 20 e 49 anos.

Como não há dados específicos registrando casos de sífilis sexualmente adquirida em homens, se for considerado que os casos de sífilis congênita revelam parte da parcela de mulheres que engravidou após adquiri-la em heterossexuais, é possível registrar pelos dados de 20106 que, no mínimo, 3.844 homens heterossexuais parceiros dessas mulheres tiveram sífilis no país. Com relação a doenças transmitidas sexualmente, foram também registrados, por essa via de infeção, 2.603 casos de hepatites virais em 20106.

Além das DST/HIV/Aids, outros problemas sexuais e reprodutivos vêm afetando cada vez mais a população masculina: a impotência sexual e a ejaculação precoce. Segundo cálculo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), de 45% a 50% dos homens acima de 18 anos apresentam alguma grau de disfunção sexual, mesmo que moderado10.

A impotência sexual pode estar relacionada a distúrbios psicológicos, mas também a problemas físicos, diabetes, problemas hormonais, vasculares e neurológicos e, ainda, a comportamentos de risco que a geram, como o consumo excessivo de medicamentos, de bebidas alcoólicas, cigarros ou outras drogas. Com relação à ejaculação precoce, fatores psicológicos e relacionais com a parceira são as principais razões desse mal. Assim, na saúde sexual e reprodutiva dos homens, estão cada vez mais explícitos casos que envolvem a qualidade de vida e a saúde mental desse público que ainda precisa ser relevada.

 

Promoção de saúde sexual e reprodutiva e prevenção entre homens heterossexuais

Com o objetivo de introduzir no campo das ações a problemática da saúde sexual e reprodutiva do homem heterossexual, o Instituto Cultural Barong, organização não-governamental (ONG) localizada em São Paulo, iniciou uma série de levantamentos, de forma a constituir um diagnóstico para embasar as discussões da equipe técnica da instituição na construção de uma metodologia de abordagem da prevenção de DST/Aids com homens heterossexuais.

Partindo do panorama de saúde masculina geral, no qual a saúde sexual e reprodutiva se insere, e buscando integrar as demandas dos homens comuns e anônimos contatados nas diversas ações de rua desenvolvidas pela ONG desde a sua fundação, em 1995, a metodologia para atuação com homens heterossexuais foi definida preconizando a integração de elementos que constroem o padrão do gênero masculino hegemônico. Nestes, estão definidos o jeito de ser e o comportamento esperados socialmente dos homens: racional, emocionalmente frio, prático, resolutivo, forte, ativo, hipersexualizado, invulnerável, independente; ou seja, o perfil daquele que “deve dar conta” estruturalmente da vida e da família com responsabilidade econômica e prática, ser ativo e disposto sexualmente e não ceder às consideradas fraquezas ligadas à emocionalidade, à falta de disposição física e ao medo ou receio dos vários riscos que a vida impõe.

Esse olhar coincide com resultados observados na pesquisa que subsidiou a implementação pelo SUS da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem8, que mostraram que a falta de frequência dos homens ao sistema de saúde deriva de barreiras culturais, por meio das quais o homem é levado a crer que ações profiláticas e doenças estão ligadas à fragilidade. Ao mesmo tempo, o estudo aponta barreiras institucionais, nas quais os serviços de saúde não se mostram aptos a ouvir/atender homens, e barreiras relacionais (médicas), uma vez que a maior parte dos profissionais da atenção básica é formada por mulheres, o que impõe restrição para que falem de temas constrangedores, como, por exemplo, sua vida sexual.

Dessa forma, procurando provocar mudanças de comportamento com base em reflexões de padrões culturais, o Barong optou, nas suas intervenções com o público masculino, partir dos modelos de masculinidade hegemônicos, procurando proporcionar reestruturações destes com a difusão de informações de vulnerabilidade, promoção do autocuidado entre homens heterossexuais e o estímulo à adoção de opções a comportamentos preventivos com relação à saúde sexual e reprodutiva, à saúde e à qualidade de vida em geral, bem como à procura de serviços de saúde para realização de acompanhamento, exames e busca de atenção em saúde.

Estratégias de atuação

Como estratégias de trabalho visando à promoção da saúde, foram planejadas intervenções “corpo a corpo” com plantões de orientação de prevenção de DST/Aids e de promoção da saúde sexual e reprodutiva, incluindo a prevenção de DST/HIV/Aids utilizando a unidade móvel da instituição e sua equipe multidisciplinar, instaladas em locais de grande concentração masculina para a realização de plantões de orientação de dúvidas em saúde sexual e reprodutiva e distribuição de materiais educativos:

– na rua no “Dia Internacional do Homem” (15 de julho);

– em bares e locais onde foram dispostos telões para a transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2011;

– em pátios de estacionamentos rodoviários e caminhoneiros, incluindo a data do “Dia do Caminhoneiro” (30 de junho);

em empresas privadas com efetivo de funcionários predominantemente masculino.

Observada a ausência de materiais específicos para o público masculino heterossexual – uma vez que historicamente homens homossexuais têm sido o maior alvo de ações de prevenção de DST/Aids –, nas estratégias de ação foram também incluídos o desenvolvimento e a distribuição de materiais educativos específicos para esse público e esses contextos, de forma a servir não apenas como apoio para disseminação de informações, mas como “disparador temático” de diálogo com o público-alvo. O conteúdo desses materiais procurou, com base em discussão multiprofissional, disseminar consensos de orientação prática de condutas de prevenção e atenção em saúde do homem, em formato e linguagem facilitadores de comunicação:

– folhetos de prevenção de DST/Aids com formato de tabelas de jogos da Copa do Mundo de 2011;

– cartilha de bolso “Cuidando deles! Guia de saúde sexual e reprodutiva do homem e outros cuidados”*.

 

 

 

Resultados

A experiência de atuação em promoção à saúde sexual e reprodutiva do homem desenvolvida pelo Barong gerou, entre meados de 2010 e abril de 2012:

– um levantamento informal dos serviços e especialidades disponíveis no âmbito da cidade de São Paulo para atenção à saúde do homem, em especial à saúde sexual e reprodutiva;

– a discussão interna da equipe com membros da Coordenação Municipal de DST/Aids de São Paulo e da Coordenação Estadual DST/Aids de São Paulo sobre os principais fatores de risco e agravos que acometem a saúde masculina e quais orientações de condutas e tratamentos deveriam ser preconizadas;

– oito ações de rua na Copa do Mundo de 2010, com duração média de seis horas cada, atingindo cerca de 24.000 pessoas;

– distribuição de 25.000 folhetos de prevenção, no formato de tabelas de jogos da Copa do Mundo de 2010, nessas ações em bares;

– três ações para caminhoneiros em estradas no Dia do Caminhoneiro – 31 de junho de 2009, 2010 e 2011;

– 24 eventos em empresas privadas com perfil de trabalho masculino braçal (mineiros e construção civil), atingindo cerca de 72.000 trabalhadores;

– produção e distribuição de 20.000 cartilhas de saúde do homem nessas ações;

– distribuição de cerca de 120.000 preservativos em todas essas ações, além de 10 mil camisinhas verdes e amarelas, distribuídas durante a Copa do Mundo de 2010;

– realização de pelo menos 3.000 orientações individuais em plantões das unidades móveis.

A cartilha “Cuidando deles...” aborda temas que circundam as principais causas de morbimortalidade masculina: saúde sexual e reprodutiva, qualidade de vida, saúde mental, estresse, violência, leis e direitos de paternidade, entre outros cuidados. O material inclui dados epidemiológicos, orientações de prevenção e disseminação de locais e serviços de saúde de apoio aos homens, inseridos na abordagem de temas de saúde mais gerais que afetam a sua saúde, utilizando adequação de linguagem e formatos para serem de fácil compreensão, lúdicos, buscando facilitar não apenas a transmissão de conteúdos, mas reflexões sobre os mais diversos temas que interessam ou acometem os brasileiros:

Com relação a orientações de fluxos em serviços, foi definido pela equipe, juntamente com especialistas da área dos programas estadual de DST/Aids de São Paulo e municipal de DST/Aids da capital, o incentivo da divulgação das unidades básicas de saúde (UBS) como “portas de entrada” para acesso ao SUS, o Centro de Referência do Homem (“Hospital do Homem”), de âmbito estadual, localizado na capital de São Paulo, além de telefones de apoio como Disque-Saúde, Disque-Aids e Disque-Tuberculose.

 

 

 

Discussão

Além das dificuldades iniciais de lidar com um tema pouco explorado em ações preventivas brasileiras, que exigiu esforços de pesquisa e discussões sobre a melhor forma de abordagem do público masculino pela equipe, o grande problema na orientação de saúde do homem consiste na falta de normatizações técnicas orientando práticas para a efetivação de ações. A própria Política Nacional de Saúde do Homem e a instalação de uma área técnica de Saúde do Homem no Ministério da Saúde8, apesar de representarem um grande avanço como sensibilizadoras e mobilizadoras de atenção para um panorama de morbimortalidades masculinas, na maior parte gerada por causas evitáveis, ainda não definiram protocolos quanto ao papel dos diferentes serviços, categorias profissionais, bem como os tipos de condutas, faixa etária beneficiada ou características do público ao qual devem ser orientados procedimentos.

Em São Paulo, a “descoberta” de atuação do Centro de Referência do Homem (“Hospital do Homem”) foi uma surpresa apresentada pelo projeto à equipe, juntamente com a percepção de que este local estava, na época, ainda sem papel definido na estrutura local ou regional de saúde, atuando de forma paralela e fora de qualquer sistema de fluxo ou orientação de busca de serviços ou especialidades por outras áreas da saúde, vinculando apenas pacientes por livre demanda ou por envio de algum profissional de outro serviço público que tivesse contato com sua equipe.

Quanto à confecção de materiais educativos, tanto o folheto-tabela de jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2010 como a cartilha “Cuidando deles...” tiveram uma grande procura masculina, mostrando que associar temas de interesse dos homens com informações preventivas potencializa a adesão deste público às ações e aos materiais educativos.

Especificamente a cartilha “Cuidando deles...” mostrou-se como um material fundamental na medida em preencheu a lacuna de comunicação na área dos cuidados da saúde e sexualidade, fortalecendo a ação de prevenção de DST/Aids dirigida a homens heterossexuais. Por isso e por sua boa aceitação, está em processo de reimpressão pelo Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo para distribuição em vários serviços do estado; o material também foi solicitado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Essa recepção positiva levou à produção pelo Barong do DVD educativo de curta-metragem “Cuidando deles! Saúde sexual e reprodutiva do homem”, em fase de finalização, que estará incorporando a problemática da saúde sexual e reprodutiva dos homens heterossexuais na mesma ótica de utilização e desconstrução das características hegemônicas de masculinidade por meio de uma ficção lúdica, complementada por diversos depoimentos masculinos.

 

Considerações finais

A inserção do cuidado em saúde sexual e reprodutiva do homem dentro de uma ótica de cuidado mais geral de promoção de saúde e qualidade de vida, incluindo temas de interesse estimulados pela atual construção do gênero masculino, se mostrou eficaz como estratégia mobilizadora do tema e da aceitação das ações e materiais por esse público.

Brechas importantes são importantes para sensibilizar a população masculina, levando-a a questionar e adotar mudanças de atitude ao utilizar seus próprios referenciais de construção masculina como ponto de partida e contrapondo-os a situações reais, incluindo dados que apontam as vulnerabilidades e consequências dessas posturas em sua própria saúde, o que automaticamente reformula, aos poucos, o próprio conceito de masculinidade.  Isso inclui, obviamente, a exploração de espaços masculinos (ou identificados como masculinos) para ações de intervenção, como os espaços de sociabilidade natural do homem (bares, locais ligados a esportes, principalmente futebol, jogos “masculinos” como sinuca etc.) e também o mundo do trabalho principalmente braçal, que é majoritariamente ocupado por esse público.

Nesse sentido, parcerias realizadas com empresas com grande parte de mão de obra composta por homens se mostram efetivas, como foi observado na iniciativa do Instituto Barong, favorecendo a promoção da saúde neste público e a busca dos serviços de saúde públicos disponíveis no SUS.

 

Referências bibliográficas

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* Ver a íntegra do material, que pode ser baixado em PDF no site <http://www.barong.org.br>.