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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.) v.12 n.2 São Paulo ago. 2010

 

Editorial

 

 

Anna Volochko; Samuel Antenor; Suzana Kalcmann

 

 

Na área da Saúde, temas como iniquidades, desigualdades e diversidades contam com ampla e variada produção de conhecimento, incluindo as discussões em que participa o Instituto de Saúde e, mais especificamente, as propostas nesta edição do Boletim do Instituto de Saúde (BIS). Ao revisitarmos e atualizarmos essas questões, buscamos inspiração na reflexão oriunda de recentes projetos de pesquisa e intervenção que, entre outros fatores, originaram um curso anualmente oferecido pela instituição.

Na própria propositura do título deste número ficou patente a existência de diversos entendimentos sobre os termos aplicáveis para essa discussão, polarizada entre desigualdades e iniquidades. Por isso, a opção dos editores foi a de se ater às desigualdades injustas e
desnecessárias, as iniquidades, no acesso e acessibilidade à saúde, resultantes de estruturações sociais originalmente baseadas na divisão social do trabalho. Assim, buscou-se enfatizar as iniquidades originadas de diferenciações econômicas, raciais e de gênero.

Embora se advogue a eliminação do trabalho como categoria explicativa das relações sociais, permanece, no inconsciente coletivo e no comportamento e postura da sociedade em geral – e dos profissionais de saúde em particular – a discriminação contra esses grupos particulares da população.

Historicamente, os pobres, os negros escravizados, as mulheres donas de casa e os idosos, pela sua inserção no mercado de trabalho, eram destituídos dos direitos de cidadania. Esta situação alterou-se radicalmente. Hoje, no Brasil, as políticas sociais são universais. Reconheceu-se a existência do racismo com a implantação de inúmeras políticas públicas direcionadas à inclusão social dos negros e indígenas, bem como a escolaridade feminina tornou-se maior do que a masculina, com reflexos, inclusive, na significativa participação das mulheres no mercado de trabalho, ainda que certas discrepâncias permaneçam.

Todavia, a discriminação a esses grupos nos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) permanece, tendo sido documentada pelos inúmeros depoimentos de usuários e confirmada por diversos indicadores de saúde. Discriminação essa que, interiorizada e culturalmente aceita, passa despercebida dos danos que causa.

Assim, a partir dos artigos aqui selecionados, busca-se aumentar a percepção e estimular o reconhecimento de posturas inconscientes que aprofundem as iniquidades na saúde, bem como propiciar a reflexão e discussão sobre o tema e propor mudanças comportamentais compatíveis com os princípios do SUS – de universalidade, integralidade e equidade – rumo à construção de uma sociedade melhor e mais justa. Esperando ter suscitado o interesse do leitor, o convidamos a refletir, comparar com suas vivências e participar das discussões acerca dos temas aqui levantados.

Boa leitura.