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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.) v.12 n.1 São Paulo abr. 2010

 

Editorial

 

 

Belkis Trench; Samuel Antenor

 

 

Grande parte das Teorias de Comunicação elaboradas a partir de meados do século XX compreendia a comunicação unicamente como propagação, transmissão ou emissão de mensagem entre um emissor ativo e um receptor passivo. Como contrapartida a esse modelo unidimensional, ao menos duas escolas de pensamento surgiram: a Escola de Frankfurt e a de Palo Alto. Resumidamente, diríamos que a primeira aprofunda as relações entre comunicação e indústria cultural. Já a segunda, utilizando o conceito da pragmática, mostra que as interações sociais intersubjetivas são a base da criação de toda a produção de sentido, e estruturam a vida em sociedade.

Nesta segunda ótica, a Comunicação é um todo integrado e, para explicar melhor essa teoria, é feita uma analogia entre essa forma de comunicação e uma orquestra: vários instrumentos contribuem para compor a melodia ou a sinfonia, mesmo aqueles que, em determinados momentos, se silenciam. Reconhecemos facilmente a influência desta escola em diferentes discursos, tanto naqueles que pensam a comunicação integrada unicamente sob a perspectiva do marketing, quanto em teóricos ou pensadores, como, por exemplo, Pierre Levy, quando discute questões relacionadas à cibercultura, redes de conhecimento etc.

No que diz espeito às relações estabelecidas entre Comunicação e Saúde, poderíamos apontar que se trata de algo mais complexo e mais antigo do que, à primeira vista, podemos supor. Para tanto, basta lembrarmos dos velhos almanaques de medicamentos, das campanhas conduzidas por Oswaldo Cruz para debelar a febre amarela, ou mesmo da época do Estado Novo. Porém, podemos considerar como grande marco para a consolidação desta relação as Conferências Nacionais de Saúde, realizadas em 1986 (VIII), 1992 (IX), 1996 (X), 2000 (XI). Ainda que de uma maneira não tão explícita, o Instituto de Saúde desenvolveu, em diferentes momentos de sua trajetória, inúmeros trabalhos que, hoje, poderíamos apontar como estritamente vinculados a essa área de conhecimento, tais como o da Boneca Gertrudes, o projeto Beija-Flor, os diferentes projetos de leitamento materno e de humanização, sejam de nascimentos e partos ou de serviços, entre outros.

A partir de 2009, com a formalização do Núcleo de Comunicação Técnico-Científica do Instituto de Saúde, a proposta é que essa área de conhecimento seja construída privilegiando, inicialmente, duas vertentes: pesquisa e difusão científica. O Boletim do Instituto de Saúde (BIS) situa-se nesta segunda perspectiva. Desde sua criação, em 1994, o BIS passou por inúmeras transformações. Criada inicialmente para ser um boletim interno, a publicação ganhou o atual formato em 1999 e foi, consecutivamente, aumentando o número de páginas e se abrindo para um público mais amplo, formado primordialmente por profissionais dos serviços de saúde, mas também por aqueles que atuam em universidades e instituições congêneres, de pesquisa e ensino.

Neste número, intitulado “Comunicação e Saúde”, o BIS dá um novo passo, com a reformulação de seus projetos gráfico e editorial. Assim, a publicação, que passou a integrar, logo na primeira fase, o Portal de Revistas da SES-SP – um projeto da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), com a utilização da metodologia Scielo para publicações eletrônicas – passa a publicar um número maior de textos com estrutura de artigo científico, escritos, em grande parte, por profissionais de diferentes instituições de ensino e pesquisa, além daqueles que atuam no próprio Instituto de Saúde. Os novos critérios de publicação pretendem melhor qualificar o BIS junto às bases de dados, bem como ampliar sua gama de leitores, formada, essencialmente, por trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa mudança reafirma o papel do BIS de levar a esses trabalhadores um amplo leque de informações de cunho técnico-científico, além de relatos de casos e experiências vivenciados por profissionais que acompanham a evolução desse sistema, há mais de 20 anos. Espera-se, desse modo, contribuir para a renovação de um ciclo de aprimoramento e inovação no qual a grande beneficiada seja a qualidade de vida da população.

Boa leitura.