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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.)  n.47 São Paulo abr. 2009

 

Envelhecimento(s) e velhice(s) no Bairro do Bom Retiro-SP: narrativas

 

 

Belkis TrenchI; Tânia Machado LisboaII; Diego Caldas OliveiraIII

IPsicóloga, Mestre e Doutora em Psicologia e Pesquisadora do Científica Centro de Memória da Saúde Pública do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Contato: belkis@usp.br
IIPsicóloga e Estagiária da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP) no Centro de Memória da Saúde Pública do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, em 2007. Contato: telisboa3@yahoo.com.br
IIIEstudante de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Estagiário da FUNDAP no Centro de Memória da Saúde Pública do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, em 2008. Contato: diegocaldasoliveira@yahoo.com.br

 

 

"O mundo nos nutre quando sentimos a sua velhice".

(James Hilmann)

 

Quando pensamos no bairro do Bom Retiro em São Paulo, dificilmente o associamos a velho(s), velhice(s) ou a envelhecimento(s), especialmente porque uma das primeiras imagens recorrentes que nos vem à mente talvez seja a da Rua José Paulino. Esta rua pode ser considerada a grande vitrine do bairro e, no local, circulam ao menos 70.000 pessoas por dia, quer fazendo compras ou simplesmente olhando a grande oferta de mercadorias (TRENCH; COPPÊDE; MACHADO; 2007, p.26).

O bairro, que é considerado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como o melhor representante do multiculturalismo em situação urbana, hoje abriga em seus espaços uma população fixa de 21.707 pessoas, sendo que 15% desta população é formada por pessoas com mais de 60 anos, 5,44% são homens e 9,65% mulheres. (SEADE, 2008).

A partir de 2006 começamos a trabalhar no Centro de Memória da Saúde Pública1 e, desde então, o bairro também se transformou em nosso objeto de investigação. Mantivemos durante este período uma relação bastante estreita com o espaço, desenvolvendo e realizando alguns estudos exploratórios. (TRENCH; MACHADO; COPPEDE, no prelo) . Pretendíamos com estes estudos obtermos subsídios para elaborarmos um projeto de pesquisa sobre envelhecimento e multiculturalismo, investigando e coletando as histórias de vida dos diferentes idosos que vivem no Bom Retiro. Para atingirmos esse objetivo e concretizar o estudo que chamamos de: Projeto Escutatória - delineamos e realizamos os seguintes movimentos. No primeiro - passos - realizamos um estudo de contextualização do espaço. Buscamos nesta fase da pesquisa nos familiarizar com o bairro, identificar seus moradores e os principais códigos e marcos da localidade; criamos a partir destas referências a nossa cartografia do bairro (op.cit., no prelo). No segundo movimento - contato - identificamos e estabelecemos relações com alguns dos serviços direcionados aos idosos do bairro, bem como buscamos identificar alguns dos locais freqüentados por eles, tais como ruas, igrejas, praças etc. Atuamos nestes espaços como observadores participantes.  O presente artigo narra e relata a experiência deste segundo movimento.

 

O(s) envelhecimento(s) e a(s) velhice(s) nas ruas e praças públicas do bairro

Se quisermos nos relacionar com os idosos que vivem no Bom Retiro, ou identificarmos alguns dos serviços que lhes são direcionados, devemos, em primeiro lugar, nos afastarmos da José Paulino e adentrarmos em suas travessas, sejam elas paralelas ou perpendiculares, tais como a Rua da Graça, Prates, Mamoré, Guarani etc.

Nestas ruas nos deparamos com uma grande diversidade de homens e mulheres idosos, alguns são judeus, outros coreanos, brasileiros, portugueses, italianos etc., apenas não vemos idosos bolivianos. Chama também a nossa atenção, o número de idosos que ainda trabalham, vemos idosos taxistas, donos de banca de revistas, gerenciando lojas e outros assumindo o papel de destaque em negócios, como é o caso do Sr. Thrassyvolos, grego, 90 anos e dono do famoso Restaurante Acrópoles, ou de Dona Lina, 82 anos, proprietária da Casa Búlgara.

Idosos são vistos também fazendo compras de alimentos nos supermercados da redondeza, conversando entre eles nas ruas, ou apenas andando pelas calçadas. Alguns realizam estas atividades sozinhos, outros as fazem acompanhados, e há ainda aqueles que andam pelas ruas e praças do bairro, contando com  o auxílio de cadeira de rodas ou bengalas. Em geral, são homens e mulheres que residem no bairro e que muitas vezes imigraram para o Brasil quando ainda eram jovens, como é o caso da maioria da população judaica que ainda vive no Bom Retiro, dos coreanos e de outros tais como portugueses, árabes, armênios e italianos. No caso dos bolivianos, talvez porque a imigração seja mais recente, não notamos a presença no bairro de pessoas mais velhas.

A Praça Coronel Fernando Prestes2 é um outro espaço do bairro muito freqüentado pelos idosos que vivem no Bom Retiro; e desde que foi restaurada em 2006 é considerada uma das praças mais bonitas da cidade de São Paulo.  Em uma de suas laterais estão localizados dois prédios projetados por Ramos de Azevedo, um deles é a sede do Arquivo Municipal e o outro pertence à FATEC (Faculdade de Tecnologia de São Paulo). Em outra de suas laterais localiza-se o prédio do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar de São Paulo com um lindo jardim oriental na entrada onde, todas às sextas feiras, acontece a Retreta (toque de banda de música em praça pública) organizada pelos militares. Em dezembro também é comemorado na praça a Festa das Luzes ou Chanucá3.

O espaço é freqüentado por pessoas de diferentes faixas etárias, vemos mães com crianças, jovens estudantes da escola, sem-teto que fazem da praça a sua moradia e dependendo da hora, numerosos homens e mulheres mais velhos. Os idosos freqüentam a praça especialmente na parte da manhã e no final da tarde e eles a utilizam tanto como um local de conversas e encontros como de silêncio e descanso. Coreanos, judeus e brasileiros disputam os bancos com sombras - nos dias de muito calor - ou os bancos com sol - nos dias de muito frio. Alguns nos contam suas histórias de sobrevivência durante a II Grande Guerra, outros pregam suas crenças em religiões mesmo não sabendo falar o português, há ainda aqueles que conversam entre si sobre a vida dos outros senhores e senhoras que passam pela praça. Observamos que alguns idosos estão acompanhados de empregados ou familiares, outros, em turmas com amigos, e, raramente se vê um idoso desacompanhado ou sozinho. Há idosos de ambos os sexos, mas raramente se misturam, a não ser que formem um casal, ou que estejam acompanhados de netos. Lá todos parecem se reconhecer mesmo que não haja entre eles qualquer tipo de saudação ou cumprimento.

Conversarmos em diferentes dias com algumas pessoas idosas que freqüentam a praça, sentávamos lado a lado com eles nos bancos e quase sempre se estabelecia uma intimidade, conversávamos sobre a praça, sobre o bairro, sobre suas vidas.  Dona Lídia, por exemplo, uma das senhoras com quem conversamos, contou espontaneamente sobre as inúmeras dificuldades que enfrentou no casamento devido ao alcoolismo do marido.  Relatou seus problemas com a filha e a relação com a neta, ambas vivendo ainda com ela, deixando transparecer que para ela é a rua, e não a sua casa, que desempenha um espaço de saúde, sossego e de respiro em sua vida. Também contou que diariamente anda pelo bairro, e mesmo quando chove sai de casa. Gostando de andar pelas ruas e de passar seu tempo nas igrejas e na praça - onde alimenta os pombos com o pão que traz de casa.

Alguns idosos também freqüentam o Parque da Luz, o Sr.Jonas, por exemplo, prefere o parque porque segundo ele: "lá tem mais movimento". Sua acompanhante ri e diz brincando: "sei que tipo de movimento que o Senhor gosta", referindo-se às prostitutas que freqüentam o parque, algumas inclusive com mais de 60 anos. No Parque da Luz também é oferecido aos idosos o Radio Taissô, uma espécie de ginástica rítmica originária no Japão, acontecendo todos os dias úteis pela manhã, das 7 às 7:50 horas (segundas, quartas e sextas-feiras) e das 7:20 as 7:40 (nas terças e quintas), sem que seja necessário nenhum tipo de inscrição. Basta chegar e praticar.

Além dessas possibilidades de perambular pela suas praças e ruas o bairro do Bom Retiro oferece aos seus idosos outras regalias. É um dos bairros mais seguros da cidade, sua taxa de homicídio há 4 anos é zero e são registrados apenas quatro furtos de carro por mês4. Outra vantagem para quem é idoso e vive no bairro é a facilidade para se deslocar pela cidade por causa do fácil acesso a ônibus, metrô e trem. Já para aqueles que preferem não sair do bairro e apreciam as atividades culturais, nas proximidades do bairro encontram-se instituições como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa, a Sala São Paulo e o Museu de Arte Sacra. Mas caso queiram participar de oficinas ou palestras, encontram à disposição a programação da Oficina Oswald de Andrade e do Teatro TAIB.

 

Velhice(s) e envelhecimento(s) em espaços institucionais

Para quem tem mais de 60 anos e vive no bairro do Bom Retiro, além destas atividades acima citadas, também existe a possibilidade destas pessoas participarem de serviços ou de grupos de atividades especialmente direcionadas à sua faixa etária. A Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Octavio Augusto Rodovalho, por exemplo, promove duas vezes por semana um grupo de caminhada para idosos com o acompanhamento de dois agentes do Programa de Saúde da Família (PSF). Participam deste grupo dez senhoras com mais de 70 anos e de diferentes nacionalidades: uma grega, três portuguesas, três descendentes de italianos e uma de alemães, e duas brasileiras. O grupo existe há aproximadamente 5 anos e surgiu, segundo a diretora da UBS, para atender a necessidade de desenvolver um trabalho específico com a população idosa do bairro. A caminhada acontece todas às segundas e quartas-feiras às 8 horas, mas antes deste horário, um agente mede a pressão de cada uma das senhoras que anotam em uma caderneta ou caderno o resultado da sua medição.

Tivemos oportunidade de acompanhar o grupo tanto em 2007 como em 2008 e pudemos observar que a caminhada adquire para essas pessoas significados bem mais amplos do que simplesmente realizar uma atividade física.  Quando perguntamos às senhoras do que mais gostavam desse caminhar, elas foram unânimes em responder: "o encontro com as colegas", "ter amizade", "ver as amigas...".  Celina, uma das participantes do grupo, além de concordar com todas ainda completa: "A gente bate um papinho, dá risada, conta uma piadinha, então… é muito mais saudável do que a própria caminhada".

Um dos agentes do PSF que entrevistamos também explicitou com muita sensibilidade e clareza o sentido que esse caminhar adquire para essas senhoras: "Eu acho assim… aquilo que elas perderam no lar, elas encontraram na caminhada. Não tem mais um acompanhamento do esposo, dos filhos, dos netos, cada um está com as suas tarefas (...). Aqui elas encontram amigas com quem conversar".

Já aquelas senhoras que além de conversar gostam de costurar e bordar, todas às quintas-feiras das 14h às 17h podem se reunir na Igreja Católica Santo Eduardo. O grupo é coordenado por voluntárias e duas vezes ao ano organizam um bazar para arrecadação de fundos para a Igreja e melhorias na sala cedida para seus encontros semanais. E durante um ponto e outro de costura ou bordado, as voluntárias e senhoras vão costurando suas relações de amizade e companheirismo.

Outras instituições que conhecemos, tais como a Igreja Católica Coreana do Brasil - cujo padroeiro é o Santo Coreano André Kim Taegon - e a União Brasileira-Israelita do Bem-Estar Social (UNIBES), promovem trabalhos direcionados aos idosos de sua comunidade, judaica ou coreana. Na Igreja Católica Coreana do Brasil o trabalho para esse público é mais recente, tendo início em 2007 com a criação de um grupo experimental. Seu objetivo é o de orientar e atender os coreanos com mais de 70 anos, especialmente com relação à legislação brasileira, já que a maioria dos coreanos mais velhos não fala o português. Com aproximadamente 80 senhores e senhoras com mais de 70 anos, o grupo se encontra toda quinta-feira para atividades de orientação e de confraternização. Ao chegarem à Igreja, os idosos tomam seu café da manhã e assistem duas palestras faladas em coreano e ministradas por médicos, advogados, freiras, padres etc. Depois almoçam juntos e escolhem a atividade de sua preferência: dança, alongamento ou outro tipo de ginástica. Além disso, regularmente na segunda semana de cada mês organizam uma confraternização para homenagearem todos os aniversariantes daquele período.

Já a comunidade judaica, mesmo não sendo o grupo imigratório majoritário no bairro, mantém grande influência pelo Bom Retiro, especialmente com relação aos idosos através do trabalho da Unibes.  Nesta instituição, são atendidas 1.199 pessoas com mais de 60 anos e os serviços ofertados são os mais diversos: assistência odontológica, psicológica e médica com hospitais e profissionais conveniados, visitas domiciliares, além de uma extensa programação em seu centro de convivência (com ginástica, dança, teatro, palestra, arte, coral, etc).

 

Envelhecimento, velhices, e multiculturalismo

O multiculturalismo em situação urbana, tal como acontece no Bom Retiro, pode ser assim compreendido:

"o multiculturalismo como marca do bairro, é produto da convivência histórica entre diferentes grupos sociais, convivência por meio da qual foram e são relembrados os seus sentimentos de pertencimento a um lugar, foram e são reinventados os seus hábitos e costumes ao mesmo tempo que cada grupo controla suas relações e reconhece o seu pertencimento também acompanha as manifestações de outros grupos com os quais convive. E é assim, na miscelânea de experiências culturais diversas, que são criadas e recriadas as relações multiculturais do Bom Retiro." (http;// area luz.incubadora fapesp/br/portal/projeto mapa cultural-bom retiro e seus vizinhos).

Envelhecer ou ser um velho ou velha, nesta primeira década do século XXI, e viver em um bairro multicultural, tal como é hoje o Bom Retiro, significa também conviver com uma miscelânea de velhices e de envelhecimentos. Conviver no mesmo espaço com uma diversidade de traços, religiões e culturas possibilita a quem é velho ou vive o processo de envelhecimento, perceber em si e no outro, tanto a singularidade de cada pessoa que envelhece, como a  multiplicidade de envelhecimentos.  Ser igual e ser diferente, também propicia que o nosso olhar se dirija tanto ao outro - o diferente, como facilita o retorno do caminho para si mesmo.  A esse respeito, assim diz Todorov: "Não podemos fazer um julgamento sobre nós mesmos sem sair de nós e sem nos olhar pelos olhos dos outros. Se pudéssemos criar um ser humano no isolamento, ele não poderia nada julgar, nem a si próprio, pois não teria um espelho para se olhar" (TODOROV, 1996, p.31).

Nesse sentido, o nosso olhar em direção aos diferentes grupos sociais de velhos que vivem no bairro, e que estão presentes quer em suas ruas e praças ou nos serviços a eles direcionados,  sobretudo nos fizeram ver e perceber  o quanto o sentimento de pertencimento a um determinado grupo, cultura ou comunidade, influência a experiência do envelhecimento, conspirando favoravelmente para o bem-estar das pessoas mais velhas. Ao pertencimento, poderíamos também associar o reconhecimento, "condição preliminar de toda coexistência" (TODOROV, 1996, p.71).  É a sua ausência, ou seja, a falta de reconhecimento de quem somos, ou a quem pertencemos, que pode levar, especialmente os mais velhos, à mais profunda solidão. No bairro ,pelo que pudemos observar, ainda que os diferentes grupos sociais de idosos pouco se relacionem entre eles, é visível o quanto existe o reconhecimento da presença do outro que lhe é diferente, nem que seja pelo um simples olhar.

 

Referências Bibliográficas

TODOROV,T.  A vida em Comum, Ensaio de Antropologia Geral. São Paulo: Papirus,1996.         [ Links ]

TRENCH, B; MACHADO, T.L.; COPPÊDE, D.; O Bom Retiro: Além, muito além das fronteiras da José Paulino. In: Revista Imaginário, n.17 , no  prelo.         [ Links ]

TRENCH, B; COPPÊDE,D; MACHADO,T.L O Bom Retiro: fronteiras visíveis e invisíveis. São Paulo: BIS - Boletim do Instituto de Saúde, N.º 41 - Saúde, Cultura e Subjetividade; p. 26-29; abril/2007.         [ Links ]

 

Webgrafia

Chanucá. Disponível em: [http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u482343.shtml]. Acessado em Janeiro de 2009.         [ Links ]

http://4.bp.blogspot.com/__7783Niez4M/SUFVE7fNLkI/AAAAAAAADq4/Mop2ASSddVc/s1600-h/chanuk%C3%A1+chabad+explica%C3%A7%C3%A3o.JPG        [ Links ]

Praça Coronel Fernando Prestes. Disponível em: http://www.direcoesderuas.com.br/logradoro. Acessado em: setembro/2007.         [ Links ]

Rádio Taissô. http://www.cinderela.com.br/taisso/o_que_eh2.ht. Acessado em: dezembro/2008. Disponível em:         [ Links ]

Multiculturalismo. Disponível em [http://arealuz.incubadora_fapesp/br/portal/projeto_mapa_cultural-bom_retiroe_seus_vizinhos].  Acessado em janeiro/2009.         [ Links ]

CONSEG. Acessado em janeiro/09. Disponível em: http://www.conseg.sp.gov.br/conseg/default.aspx        [ Links ]

 

 

1 O Centro de Memória da Saúde está localizado na Rua Tenente Pena, 100 e pode ser considerado um dos prédios mais antigos do bairro, criado em 1893 no terreno onde antes ficava a "Chácara Bom Retiro", de propriedade de Manfredo Meyer e adquirida pelo Estado em 1882.

2 A Praça Coronel Fernando Prestes encerra múltiplas significações para o bairro e para a cidade de São Paulo. Criada em 1893, era considerada entre 1870 e 1880, como mostram os mapas da cidade, como uma espécie de "quintal do presídio" ou da antiga Casa de Correção. Em 1893, a partir do desenvolvimento de outras ruas em suas proximidades, como a Três Rios, um vereador fez a seguinte sugestão que foi aprovada: indico que a Praça situada atrás do Edifício de Correção seja denominada "Praça do Visconde Congonhas do Campo". O nome era uma homenagem a Lucas Antonio Monteiro de Barros (1761-1851), que teria ocupado o cargo de Presidente da Província de São Paulo. A Praça, apenas dez depois, já mostrava visíveis sinais de deterioração; reclamou-se então da falta de iluminação e do lixo que se acumulava no espaço. Em 1894, portanto um ano depois, com a instalação na Rua Três Rios da Escola Politécnica, a praça era utilizada por alunos e professores da Escola de Agronomia pertencente à mesma instituição. A escola foi transferida em 1904 para outro local da cidade, mas os canteiros experimentais permaneceram na Praça até 1938, quando então, promoveu-se a sua reurbanização e passou-se a considerá-la como uma nova Praça, agora com o nome de Coronel Fernando Prestes. O nome foi uma homenagem a um homem que era considerado um grande defensor dos escravos. A praça estava abandonada e era praticamente utilizada como um grande estacionamento de veículos, mas em 2006 foi restaurada e recuperou o traçado original. (http://www.direcoesderuas.com.br/logradoro)

3 "Chanucá é a vitória dos macabeus contra os gregos. Os gregos não queriam acabar fisicamente com o Povo de Israel, mas sim, assimilá-lo espiritualmente. Nunca os gregos fizeram uma solução final para exterminar o Povo judeu. Eles queriam introduzir a cultura helenista pois eram politeístas; queriam colocar seus deuses dentro do Templo de Jerusalém. Deus fez um milagre, no qual foi achado um pequeno frasco de óleo puro para acender a Menorá, que durou oito dias. Os Macabeus, que eram poucos, venceram um exército organizado. Em Chanucá foi salvo o espírito do judeu e por isso festejamos através das luzes, acendendo o chanukiá todas as noites. A cada noite é acrescentada uma nova vela, um pouco mais de judaísmo. Festejamos a ocasião de maneira espiritual" - (http://4.bp.blogspot.com/__7783Niez4M/SUFVE7fNLkI/AAAAAAAADq4/Mop2ASSddVc/s1600-h/chanuk%C3%A1+chabad+explica%C3%A7%C3%A3o.JPG)

4 Os dados foram fornecidos pelo Diretor do Conselho de Segurança do Bom Retiro (CONSEG), mas também poderão ser obtidos no site.