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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.)  no.46 São Paulo dez. 2008

 

A participação feminina na produção científica brasileira sobre HIV/aids, 1983-2007

 

 

Claudete Gomes dos Santos

Historiadora, Mestre em Ciências, Educadora de Saúde Pública do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Contato: cgsantos@isaude.sp.gov.br

 

 

Introdução

Em junho de 1981, dois artigos publicados no Morbidity and Mortality Weekly Reports (MMWR), periódico de divulgação do Centers of Diseases Control and Prevention (CDC), órgão governamental dos Estados Unidos responsável pela vigilância epidemiológica no país, reportavam a ocorrência de uma misteriosa patologia acometendo jovens homossexuais masculinos em Los Angeles. Era a primeira menção ao que posteriormente seria conhecido como Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS).

Desde então, o número de casos registrados de aids só fez aumentar em todo o mundo, a doença se expandindo para além da população homossexual. Em menos de uma década, tornouse um dos mais graves problemas de saúde pública enfrentados pelos diversos países, um dos "... mais impiedosos golpes (...) contra a humanidade do século XX" (LE PARGNEUR, 1987, p.141).

Dadas a gravidade e a magnitude da doença, desde o início a comunidade científica internacional se mobilizou em busca de melhor conhecimento e de uma terapia eficaz, e, por a aids envolver aspectos complexos do ser humano, principalmente questões vinculadas à sexualidade, em pouco tempo passou de tema quase que exclusivamente restrito à área médica a objeto de estudo das demais ciências - Biológicas, Sociais e Humanas nos seus diversos campos (ROSENTHAL, 2001, p.7).

No Brasil, a produção científica, no geral, vem crescendo, tanto quantitativa como qualitativamente (AMORIM, 2007), e a aids tem desempenhado um papel muito importante neste crescimento, incitando pesquisadores a estudarem o assunto.

Bastos e Coutinho (1999) realizaram um levantamento da produção científica em HIV/aids, no período 1983-1997, visando mostrar, em linhas gerais, a resposta da ciência brasileira às questões suscitadas pela epidemia no país. O acesso às publicações se deu através dos bancos de dados Medline e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), dos CD-Roms anuais de aids, além da biblioteca pessoal de um dos autores. A pesquisa resultou em 428 trabalhos: 196 artigos em revistas nacionais, 95 em revistas internacionais, 125 capítulos de livros e 12 livros. Para os autores, a aids possibilitou à ciência brasileira uma maior interlocução com o Estado, além de conseguir mais diálogo e financiamentos das agências internacionais. Além disso, o trabalho cooperativo entre pesquisadores nacionais e estrangeiros fez com que a produção nacional sobre o tema se avolumasse.

Bastos e Malta (2002) atualizaram e aprofundaram em alguns pontos o trabalho sobre o mesmo tema (BASTOS e COUTINHO, 1999). A análise da produção se ateve às transformações qualitativas da comunidade científica brasileira e sua produção na área de HIV/Aids, no triênio 1997-2000. Os autores concluem que houve um aumento expressivo da produção no período, com as pesquisas apresentando um vigor e um impacto, tanto nacional como internacional, pouco habituais na ciência brasileira.

Alves e Souza et al (2002) tiveram como objetivo analisar quantitativamente as pesquisas sobre HIV/aids realizadas por enfermeiros e divulgadas em dois periódicos nacionais. A análise se centrou nas temáticas investigadas e nos enfoques teóricometodológicos utilizados. Foram analisados 29 artigos, a maioria deles versando sobre conhecimento sobre a doença e as experiências vividas pelos portadores ou doentes.

Laurindo da Silva e Santos (2003), em pesquisa demandada pela Coordenação Nacional de DST/aids, procederam a um balanço crítico e reflexivo dos estudos produzidos na área de Ciências Sociais entre 1996 e 2001, objetivando verificar como a introdução dos antiretrovirais e dos inibidores de protease no Brasil, a partir de 1996, se refletiu nos estudos produzidos a partir de então. Foram analisados 54 documentos: 31 artigos, 8 livros, 5 relatórios de pesquisa, 4 dissertações, 3 teses e 3 capítulos de livros. Os resultados mostraram que foram poucos os estudos que abordaram a questão do tratamento.

O trabalho de Santos (2004) objetivou caracterizar quantitativamente a produção científica nacional veiculada sob a forma de artigos em revistas brasileiras. A participação feminina, tanto como produtora de conhecimento como sujeito de pesquisa, mereceu atenção especial. Foram analisados 185 artigos, 15,5% dos referenciados na base de dados LILACS, entre 1983 e setembro de 2002. Os resultados apontaram que as mulheres, enquanto autoras, tiveram uma participação expressiva, ficando menos de 1% abaixo dos homens, um indicativo de que elas estão cada vez mais se firmando na carreira científica. A concentração regional das pesquisas, quase que exclusivamente domiciliada na região Sudeste, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro, foi outra constatação, também apontada por outros estudos (BASTOS e COUTINHO, 1999; ALVES e SOUZA et al., 2002; ARAÚJO et al., 2006). A análise empreendida no trabalho permitiu admitir que as pesquisas em HIV/aids no Brasil se igualam às desenvolvidas no meio científico internacional.

Por fim, Araújo et al. (2006) avaliaram as pesquisas sobre HIV/aids publicadas em 6 periódicos nacionais, no período de 1998 a 2005, cujos autores, ou um deles, fossem enfermeiros. Foram analisados 40 artigos, a maioria versando sobre a vivência e convivência dos portadores de HIV/aids. As autoras concluem que é necessário expandir a abrangência das pesquisas, para atender as exigências da área.

Em todos os trabalhos acima mencionados, os artigos se destacaram quantitativamente sobre os demais meios de divulgação. À exceção de um (SANTOS, 2004), os estudos não contemplaram, na análise da produção, o sexo dos autores, e é a isto que o presente trabalho se propõe. Levando em conta que "... mulheres e homens têm trajetórias diferenciadas e que é necessário conhecer os dados por sexo das situações analisadas para compreender o papel de cada um no mundo científico e tecnológico" (MELO e OLIVEIRA, 2006, p.304), este artigo objetiva analisar a produção científica nacional sobre HIV/Aids, referenciada na base de dados LILACS sob a forma de artigos publicados em revistas brasileiras, tendo como foco o gênero.

No Brasil, até fins do século XIX, as mulheres não tinham acesso à universidade (FERREIRA e NASCIMENTO, 1994), mas a situação foi mudando ao longo dos anos, particularmente a partir dos anos 60 do século XX, com a emergência dos movimentos feministas, os grandes responsáveis pela inclusão, no debate social, da desigualdade entre os gêneros (FERREIRA e NASCIMENTO, 1994). Nos anos 70 iniciou-se uma crescente afluência de mulheres às universidades (RAGO, 1998: 92), com o conseqüente aumento das que se dedicam às atividades científicas, buscando cada vez mais se aperfeiçoar, visando "... participar soberanamente, e não de forma subordinada, dos grupos de pesquisa nacionais" (MELO e OLIVEIRA, 2006, p.305).

 

Do método

Procedeu-se a uma consulta na base de dados LILACS, disponibilizada pela Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Saúde (BIREME), utilizando-se os campos descritor de assunto (Aids/HIV/HIV-1/HIV-2) e país/ano de Publicação (Brasil/1987-2007). O foco do trabalho foram os artigos publicados em revistas científicas nacionais, de autores brasileiros, e, como o objetivo foi mensurar a produção dos pesquisadores por sexo, foram excluídos os artigos assinados por entidades coletivas (Ministério da Saúde, Comitês, entre outros) e por autores estrangeiros, cujos trabalhos foram desenvolvidos em seus países de origem. O mesmo foi feito com artigos cuja autoria constava como anônima. A consulta se deu entre outubro e dezembro de 2007, o último acesso em 28 de dezembro. Os dois primeiros artigos foram publicados em 1983.

De posse do material, e tomando como referência classificatória os trabalhos de Bastos e Coutinho (1999) e Bastos e Malta (2002), os artigos foram separados por áreas temáticas; ciência básica, área clínica, área epidemiológica e Ciências Sociais e do comportamento. Este procedimento permitiu que fossem identificadas as duplicações, considerando-se apenas um artigo. Ao final, foram computados 26 artigos, publicados em 237 revistas científicas.

Para a discriminação por sexo, primeiro foi feita uma listagem, por ordem alfabética e para cada área temática, dos autores cujas referências constavam nome e sobrenome. Em alguns casos, mesmo só com as iniciais e o sobrenome, foi possível a inclusão na listagem, visto serem pesquisadores famosos, nacional e internacionalmente reconhecidos.

Quanto aos demais, recorreu-se inicialmente à Plataforma Lattes, disponibilizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no site http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/index.jsp, a consulta sendo realizada por nome e por assunto. O procedimento resultou satisfatório mas, em que pese a Plataforma conter atualmente mais de um milhão de currículos cadastrados, verificou-se que muitos pesquisadores, até mesmo alguns reconhecidos no cenário científico nacional, não possuem o Currículo Lattes. Ao mesmo tempo em que se identificava o sexo dos autores, levantou-se a titulação, vinculação institucional e procedência geográfica, isto para os primeiros autores.

Utilizou-se também o site de busca Google, no endereço eletrônico http://google.com.br, para tentar solucionar os casos indefinidos. A pesquisa permitiu a identificação de alguns autores que, sem estarem cadastrados no Lattes, constavam em sites de universidades, entidades coletivas, organizações não governamentais, etc. Esgotadas todas as possibilidades de identificar o sexo dos autores, os casos não resolvidos foram classificados como "ignorados".

Para eliminar a duplicidade de contagem dos autores e coautores, dada a sua multiplicidade entre as várias publicações e ocupando posições diferentes nos créditos, mensurou-se quantas vezes eles apareceram, computando-se apenas uma participação. O mesmo foi feito para os classificados como "ignorados".

Em que pesem suas limitações, mormente a utilização de só uma base de dados e de apenas quatro descritores, entre os diversos existentes no tocante ao HIV/Aids, e da análise ter se centrado apenas nos artigos publicados em periódicos, em detrimento dos outros tipos de publicações, acredita-se que a metodologia utilizada se mostrou eficiente na consecução do objetivo proposto de mensurar a produção científica feminina no campo do HIV/aids.

Inicialmente, apresentar-se-á um quadro geral da produção e dos autores e co-autores, segundo sexo e área temática, e as revistas onde a produção foi veiculada, e a seguir os dados referentes apenas aos primeiros autores, considerados segundo sexo, titulação, vinculação institucional e procedência geográfica.

 

A produção

No período em estudo, foram computados 26 artigos e 7660 autores, incluídos os "ignorados" e sem o desconto das multiplicidades de participação. O número de autores, por artigo, variou de 1 a 22, com média de 3,6. Entre as mulheres, 626 participaram de mais de um artigo, variando de 2 a 31 participações. Já entre os homens, 580, com variação de 2 a 32 participações.

Dos primeiros 13 anos para os últimos 12, houve um aumento expressivo da produção, em termos percentuais, da ordem de 119,1%. Pode-se afirmar que esse aumento foi decorrente do grande avanço tecnológico que marcou o período, em nível mundial, com a descoberta de novos elementos que permitiram entender melhor a infecção pelo HIV, propiciando o desenvolvimento de medicamentos mais poderosos no combate à doença (BASTOS e COUTINHO, 1999).

Com relação às áreas temáticas, a área clínica ocupava a primeira posição entre 1985 e 1995, 46,7% da produção, caindo para 28,3%, de 1996 a 2007. Essa queda também foi observada na área básica, que passou de 22% para 16,3%. Por sua vez, a área epidemiológica e as Ciências Sociais e Humanas, que detinham 16,8% e 14,3%, respectivamente, da produção no primeiro período, tiveram um aumento da ordem de 5,4% e 18,2%: a área epidemiológica passando para 22,3% e as Ciências Sociais e Humanas para 32,5%, esta ocupando a primeira posição. Essa mudança muito provavelmente se deve ao fato de que as Ciências Humanas "... continuam a desbravar as cenas de um país em que a diversidade quase infinita de contextos sócioculturais oferece desafios permanentes aos estudiosos das singularidades" (BASTOS e COUTINHO, 1999, p.350). Em termos de taxa de crescimento, as quatro áreas tiveram um desempenho bastante próximo, em torno de 1% ao ano.

Descontada a multiplicidade de participações, o número real de autores foi 4724, incluindo os "ignorados", a participação feminina representando mais da metade do total de autores e co-autores, (2494/52, 8%), confirmando que as mulheres se fazem cada vez mais presentes nas atividades científicas. As áreas básicas, clínica e epidemiológica concentraram 81,2% da taxa de participação, mulheres e homens apresentando o mesmo percentual, 40%. A área clínica se destacou sobre as demais, com um percentual de 37,7%, sendo a única onde a participação masculina superou a feminina, 21% e 16,4%, respectivamente.

Quanto às revistas científicas, os artigos indexados no LILACS foram publicados em 237 periódicos, 27 deles (11,4%) concentrando mais da metade das publicações (57,7%). A distribuição geográfica dos periódicos se mostrou bastante desigual, a região Sudeste concentrando quase a totalidade deles, São Paulo (12) e Rio de Janeiro (9) registrando o maior número, confirmando o predomínio desses dois estados no cenário científico nacional.

 

Os Autores: vínculo institucional, titulação e procedência geográfica

Os dados são referentes apenas aos primeiros autores. Foram computados 26 artigos, como já mencionado, e 1481 autores, incluídos os "ignorados". Quase 78% dos autores assinaram só um artigo, as mulheres com um percentual de 3,78% acima dos homens, resultado que se repete no total, a participação feminina fica 3,85% à frente da masculina. Embora a diferença não seja tão grande, tal resultado vem mais uma vez confirmar a disposição das mulheres em se firmarem na carreira científica.

Na distribuição dos autores por sexo, titulação e vínculo institucional, sem a inclusão dos "ignorados", observa-se, como constatado também em outros trabalhos (BASTOS e COUTI-NHO, 1999; SANTOS, 2004; MELO e OLIVEIRA, 2006), que mais da metade dos autores são vinculados a Instituições de Ensino Superior (IES) públicas (836/56,60%), secundados pelos pertencentes às IES privadas (144/9,75%) e aos institutos de pesquisa públicos (112/7,58%). Juntas, essas três instituições respondem por quase 74% dos autores. Tal qual na definição do sexo, em muitos casos também não foi possível determinar a titulação (158/10, 69%) e o vínculo institucional (143/9, 68%) dos autores, seja pelos artigos não mencionarem tais dados, seja por não haver, na Plataforma Lattes, registro sobre esses autores.

Bastos e Coutinho (1999), ao observarem tendência igual em seu trabalho, compararam-na com o observado nas conferências internacionais de Aids, em que a participação de autores de outras instituições, como ONGs, Secretarias de Saúde (estaduais e municipais), e mesmo da Coordenação Nacional de DST/Aids, tem se mostrado expressiva. Para os autores, "é possível estabelecer a hipótese de que apenas as instituições com tradição de pesquisa acadêmica conseguem cumprir as exigências que se interpõem entre a apresentação dos resumos a congressos e a publicação completa dos trabalhos" (p.3523). Conclui-se, então, que o Estado, representado pelas IES e instituições de pesquisa públicas, é um dos grandes responsáveis pelo avanço e divulgação da ciência e tecnologia no país (MELO e OLIVEIRA, 2006).

No tocante à titulação, os doutores corresponderam a 39,26% do total, as mulheres com ligeira vantagem sobre os homens, 0,54%. A situação se acemtia quanto aos mestres, onde elas, em termos numéricos, sobrepujaram-nos em mais da metade, o que, em termos percentuais, representa 8, 33%. Tais resultados demonstram que as mulheres, que a partir dos anos 70 do século XX "invadiram" as universidades, souberam aproveitar "... a expansão da pós-graduação brasileira nos últimos vinte anos" (MELO e OLIVEIRA, 2006, p.318). Também se pode inferir, com base nos resultados, que o número de mulheres cientistas poderá se alterar em futuro próximo, com tendência mesmo a superar a participação masculina, como já ocorre nos cursos de graduação.

Mais da metade dos autores (65,18%) está concentrada na região Sudeste, a maioria vinculada a instituições localizadas no eixo São Paulo/Rio de Janeiro (546/36, 96% em São Paulo e 308/20, 85% no Rio de Janeiro), esses dados representando, grosso modo, a concentração regional da pesquisa brasileira, no seu conjunto (BASTOS e COUTINHO, 1999)

A destacada participação de São Paulo se deve, talvez, ..... aos incentivos à produção acadêmica existente no estado (...), consubstanciados no sistema estadual de universidades públicas e na agência de pesquisa do estado (FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo" (NARVAI, 1997, p.55). Deve-se ressaltar também que São Paulo foi o primeiro estado da Federação a criar oficialmente um programa de Aids, em 1983 (MORENO, 2001), tendo iniciado as pesquisas sobre a doença praticamente logo após o seu surgimento no mundo.

Em relação ao Rio de Janeiro, a Fundação Oswaldo Cruz tem um peso significativo sobre a produção científica no estado, uma vez que grande parte dos autores é vinculada a esta instituição.

A região Norte, por sua vez, foi a mais carente, com 1,37% dos pesquisadores, resultado que vai ao encontro do levantamento apresentado pela Capes, com base nos dados de 2006, segundo o qual apenas 4% dos mestres e 2% dos doutores brasileiros atuam na região (AMORIM, 2007).

 

Considerações finais

A metodologia utilizada neste trabalho, em que pese a restrição decorrente da utilização de apenas uma base de dados, mostrou-se eficiente na consecução do objetivo proposto, mensurar a produção feminina na área do HIV/Aids. Em apenas 1,44% dos casos não foi possível determinar o sexo dos autores e co-autores, um resultado considerado bastante efetivo.

A partir de 1996 a produção científica sobre o tema HIV/aids cresceu expressivamente, assim como a participação feminina nessa produção. Foi também a partir deste ano que aumentou o número de mulheres acometidas pela doença, o que leva a supor que tal fato tenha contribuído para o aumento de pesquisadoras voltadas ao tema.

A análise mostrou que a produção está concentrada na região Sudeste (65,18%), São Paulo liderando com 36,96%, Rio de Janeiro em segundo lugar, com 20,85%. Esta concentração também se faz presente em relação aos periódicos, onde, entre os que mais veicularam a produção, o primeiro e o segundo, DST- Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Cadernos de Saúde Pública, são do Rio de Janeiro, e o terceiro e o quarto, Jornal Brasileiro de Aids e Revista de Saúde Pública, são de São Paulo.

Outra constatação: mais da metade dos autores são vinculados a instituições de ensino superior públicas..

No quesito titulação, os Doutores representaram 39,26% do total, 37% deles concentrados nas universidades públicas. Vale dizer que não houve diferença significativa entre mulheres e homens no tocante a este quesito.

O trabalho mostrou que a inserção feminina na carreira científica é incontestável e irreversível, uma indicação de que num futuro muito próximo tal participação se iguale à masculina ou até mesmo a supere, uma vez que, ao contrário do que ainda pensam alguns, o fazer ciência independe de se ser homem ou mulher. O que se precisa é ter competência e talento para tal.

 

Referências Bibliográficas

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