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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.)  no.45 São Paulo ago. 2008

 

Uso de álcool e drogas entre adolescentes do ensino médio em São Paulo

 

 

Regina FigueiredoI; Maria Cecília Goi Porto AlvesII; Maria Mercedes EscuderIII; Lígia Rivero PupoIV; Neuber José SegriV

ISocióloga, Mestre em Antropologia da Saúde e Pesquisadora Científica do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Contato: reginafigueiredo@uol.com.br
IIEstatística, Mestre e Doutora em Saúde Pública e Pesquisadora Científica de Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Contato: cecília@isaude.sp.gov.br
IIIEnfermeira, Mestre em Saúde Pública e Pesquisadora Científica de Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Contato: mescuder@isaude.sp.gov.br
IVPsicóloga, Mestre em Medicina Preventiva e Pesquisadora Científica de Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Contato: ligia@isaude.sp.gov.br
VEstatístico, Mestre em Saúde Pública. Contato: nsegri@gmail.com

 

 

Introdução

O consumo de drogas está associado a fatores que constituem risco à saúde, como sexo desprotegido, violência urbana, acidentes de trânsito, problemas físicos e mentais. Este consumo crescente entre adolescentes vem sendo apontado como um problema de Saúde Pública no Brasil (GALDURÓZ et al, 1997; SOLDERA et al, 2004; CHAVES; ANDRADE, 2005). Por este motivo, seu acompanhamento e o estudo de suas implicações precisa ser realizado, especificando aspectos que desmistifiquem as situações de experimentação e acompanhem e associem o uso contínuo e também o abusivo e suas implicações.

Este artigo apresenta resultados do levantamento que identificou a freqüência de uso de drogas lícitas e ilícitas entre adolescentes estudantes da rede pública estadual no município de São Paulo.

 

Metodologia

O levantamento sobre uso de drogas foi realizado junto ao inquérito escolar de maior abrangência realizado pelo Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo no final de 2006, que objetivou levantar comportamentos sexuais e reprodutivos de risco, além de fatores a eles associados (FIGUEIREDO et al, 2008). A amostra representou proporcionalmente os estudantes de Ensino Médio da rede pública de ensino estadual, conforme as 5 macro-regiões nas quais as escolas da cidade de São Paulo é dividida (centronorte, sul, sudeste, leste e oeste). Foram entrevistados 4.929 alunos de um total de 151 turmas sorteadas dos três períodos escolares (matutino, vespertino e noturno) de 38 escolas, também sorteadas, através do uso de questionário auto-aplicável em sala de aula.

 

Resultados

Foram entrevistados 2.632 garotas e 2.297 rapazes com idade média 16,5 anos (mediana = 16), sendo 47,9% brancos e 46,7% negros e pardos, com 51,5% de religião católica e 23,5% evangélicos, que residem com chefes de família onde 47,9% cursou apenas até o Ensino Fundamental.

A experimentação de cigarros foi feita por 30,1%, sendo maior entre meninas (33,2%) que entre rapazes (26,4%). A continuidade no uso desses atualmente é feita por 20% dos estudantes.

O uso de bebidas alcoólicas já foi realizado por 57,5% (56,1% meninas; 59,1% rapazes), sendo que atualmente 50% continuam a utilizar essa substância.

O uso de drogas ilícitas foi de 13,1% (11,2% meninas; 15,2% rapazes). A principal droga consumida foi a maconha, por 5,3% dos alunos, a cocaína por 1,6%, a cola por 0,4% e o crack por 0,1%, conforme o Gráfico 1:

 

 

Tanto as drogas lícitas, como as ilícitas foram mais consumidas (71,9% e 47,4%, respectivamente) em festas, com grupos de amigos. Seu uso na vida foi mais freqüente entre alunos do período noturno (P = 0,0000), sendo as drogas ilícitas, mais consumidas nas regiões Leste e Centro do município (P = 0,0307).

O consumo de drogas ilícitas foi mais comum entre rapazes (P = 0,0010) e foi abandonado por 38,2% de quem as experimentou. Dos que utilizaram crack, houve 64,3% de abandono; dos de cigarro, 46,8%; dos de maconha, 43,4%; dos de cocaína, 44,7% e dos de cola, 35,7%. O álcool é a droga em que há mais adesão e permanência de uso, 86,7% continuaram a consumi-la após a experimentação.

As drogas que apresentam maior freqüência de uso por quem as utiliza são, conforme o Gráfico 2: o crack, utilizado "sempre" por 21,4% deles; o cigarro, utilizado "sempre" por 18,8%; a maconha utilizada "sempre" por 10,5%; a cocaína usada "sempre" por 9,1% a cola utilizada "sempre" por 7,1% e, por último, as bebidas alcoólicas, utilizadas "sempre" por 6,8% de seus consumidores.

Entre os entrevistados, 55,6% já mantiveram relação sexual, sendo 64,8% dos entrevistados do sexo masculino e 47,9% dos do sexo feminino. Dos que já praticaram sexo, 24,8% afirmaram já ter feito esta prática sob efeito de drogas (18,6% meninas; 30,5% rapazes).

Dentre os que já usaram drogas ilícitas na vida, é menor o percentual dos que se preocupam em sempre evitar DST/Aids (Teste Qui-quadrado, P = 0,002) e o estudo de associação demonstrou que entre as mulheres que referiram ter utilizado drogas ilícitas, há 1,86 vezes mais chances de não uso de camisinha atualmente do que entre as que nunca usaram drogas (Teste Quiquadrado, P = 0,027).

A pesquisa aponta que o fato de haver ter tido consumo de álcool e outras drogas não se relaciona ao uso de preservativos, porém o consumo freqüente do álcool está ligado ao não uso constante ("sempre") do preservativo (Teste de Qui-quadrado, P = 0,049):

 

Conclusões

Há grande experimentação de drogas lícitas e ilícitas por adolescentes estudantes de Ensino Médio. A droga mais utilizada é a bebida alcoólica, observada em ambos os sexo e também o uso de cigarros por meninas, o que aponta a necessidade de trabalhos preventivos sobre drogas com adolescentes.

 

 

O estudo revela que o contato com drogas ilícitas não leva necessariamente a permanência de seu uso e nem ao seu uso abusivo. A ocorrência de permanência no uso contínuo é maior entre usuários de crack, assim como se observa com usuários de cigarro.

A utilização de drogas no grupo adolescente está ligada à sociabilidade, uma vez que é realizada com amigos, normalmente em situações de lazer.

A prática de sexo é realizada muitas vezes sob efeito de drogas psicotrópicas, o que aponta a vulnerabilidade a comportamentos sexuais de risco com relação à prevenção de gravidez e DST/Aids. Esse comportamento se confirma na relação de menor uso de preservativo entre meninas que utilizaram drogas ilícitas e no não uso constante de preservativos entre usuários freqüentes de bebidas alcoólicas. Este fato aponta a importância de trabalhos de intervenção que motivem a prevenção sexual e o uso de preservativos em situações ou locais onde o consumo de bebidas alcoólicas é realizado, além de outras situações de lazer onde o consumo de drogas ilícitas pode ser realizado, como festas, danceterias, shows e eventos de encontro jovem.

 

Referências Bibliográficas

CHAVEZ, L.M.C.; ANDRADE, D. La escuela básica em la prevención Del consumo de alcohol y tabaco: retrato de uma realidade. Ribeirão Preto: Revista LatinoAmericana de Enfermagem, 13 (spe), 2005.         [ Links ]

GALDURÓZ, J.C.F.; NOTO, A.R.; CARLINI, E.A. Levantamento sobre uso de drogas entre estudantes de 1º e 2º graus em 10 capitais brasileiras. São Paulo: CEBRID/ EPM, 1997.         [ Links ]

FIGUEIREDO, R.; PORTO ALVES, M.C.G.; ESCUDER, M.M.; PUPO, L.R. Relatório Final da Pesquisa Contracepção de Emergência entre Estudantes de Ensino Médio e Público do Município de São Paulo. São Paulo: Instituto de Saúde, 2008. (relatório)        [ Links ]

SOLDERA, M.; DALGALARRONDO, P.; CORREA FILHO, H. R.; SILVA, C. A. M. Use of psychotropis drugs Amon students: prevalence and associated social fators. São Paulo: Revista de Saúde Pública, 38 (2), 2004.         [ Links ]