SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 número44Algumas considerações sobre seminário "Juventude Negra: Preconceito e Morte" índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Artigo

Indicadores

  • Não possue artigos citadosCitado por SciELO

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Bookmark


BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.)  no.44 São Paulo abr. 2008

 

Editorial

 

 

Suzana Kalckmann; Marisa Feffermann; Claudete Gomes dos Santos

Pesquisadoras do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde e editoras responsáveis deste exemplar

 

 

Nos últimos anos, estudos vêm evidenciando que é maior a vulnerabilidade da população negra frente a diversos agravos à saúde. Vários autores do tema revelam que a discriminação racial perpassa as instituições e as políticas públicas, contribuindo de maneira importante para a existência de formas distintas de adoecer e morrer entre brancos e negros, evidenciando que não se trata apenas de piores condições econômicas. Sabe-se que, além da questão socioeconômica e da genética, as desigualdades no acesso e na qualidade da assistência à Saúde são determinadas por práticas discriminatórias, principalmente contra a população negra.

A experiência do Instituto de Saúde no combate ao racismo e a discriminação racial tem comprovado, cada vez mais, que é necessário compreender e decodificar símbolos e códigos utilizados para a perpetuação desta situação. Acreditamos ser importante criar espaços de sensibilização e de instrumentalização que propiciem a troca de conhecimentos, experiências e vivências entre os profissionais e a sociedade organizada, visando a definição de Políticas Públicas de Saúde e de Educação mais equânimes.

Neste sentido, realizamos o Seminário Juventude Negra: Preconceito e Morte, no Memorial da América Latina, em 17 de maio de 2007, que reuniu profissionais da Saúde, Educação e participantes de movimentos sociais, como Movimento Negro, Juventude, Direitos Humanos, Violência, detalhados no texto: Algumas considerações sobre Seminário Juventude Negra: Preconceito e Morte, das pesquisadoras Suzana Kalckmann e Marisa Feffermann.

Nesta edição do BIS temático "Raça e Juventude"1, reunimos artigos adaptados das falas dos palestrantes deste evento, que trazem, em linguagem mais coloquial, a proximidade do leitor da experiência de exposições feitas para, cerca, de 700 pessoas que propuseram-se a refletir e discutir a questão da juventude negra na realidade brasileira.

Contribuindo para o maior entendimento das raízes históricas do preconceito e seus reflexos na juventude negra, temos os textos: "Os jovens e as jovens são as maiores vítimas da violência na nossa sociedade", do Prof. Kabengele Munanga; "Da lei do Ventre Livre ao Estatuto da Criança e do Adolescente: uma abordagem de interesse da juventude negra", da Profª Gevanilda Gomes dos Santos, da Soweto Organização Negra e da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP); "A criminalização da juventude popular no Brasil: histórias e memórias de luta na cidade do Rio de Janeiro", da Profª Vera Malaguti, do Instituto Carioca de Criminologia; "O genocídio da juventude negra: da acumulação primitiva a superfluidade", de Weber Lopes Góes, militante jovem do grupo Força Ativa.

A discussão sobre a morte no cotidiano da juventude negra está retratada nos textos: "Dos navios negreiros aos dias de hoje: a violência e a juventude negra", de Deise Benedito, do grupo Fala Preta Organização de Mulheres; "Morte real", do rapper Edi Rock; "Movimento Negro Unificado: reflexões sobre dominação e opressão", do Milton Barbosa.

Focalizando o tema específico da Saúde, o pesquisador Dr. Luis Eduardo Batista, da Secretaria de Estado da Saúde, mostra, no texto "Violência, juventude e saúde: quem é que vai pagar por isso?", os efeitos do preconceito e da discriminação na morbi-mortalidade deste grupo etário.

Para ampliar a discussão sobre a questão Saúde, no sentido amplo de qualidade de vida e garantia de direitos, como descrito no Sistema Único de Saúde (SUS), acrescentamos os artigos: "Atuação de grupos juvenis no combate a epidemia do HIV/Aids", de Fabiana Pitanga, "Mortalidade feminina por causas violentas segundo cor e classe: algumas reflexões", de Jaqueline Romio e "Juventudes, periferias e fragmentação", do prof. Rubens Adorno, da Faculdade de Saúde Pública da USP1. Finalizando a edição, contamos com a contribuição do jovem Wellington Loes Góes com o texto "A via colonial e a "entificação" do racismo".

O artigo "Fundamentos filosóficos e psicológicos da discriminação e sua aplicação ao caso brasileiro", do prof. Rodrigo Duarte, traz elementos para uma reflexão teórica sobre o tema do preconceito, principalmente no que se refere à questão étnica no Brasil.

Esta edição tem como objetivo trazer elementos que estimulem a reflexão sobre o papel das instituições como geradoras e mantenedoras de diferenças historicamente construídas. Esperamos que os artigos apresentados possam contribuir para uma re-significação de valores, crenças e concepções acerca da realidade do negro, especialmente dos jovens, na nossa sociedade.

Agradecimentos especiais a Mário Baldini que gravou todo o seminário, possibilitando este resgate.

 

 

 

1 Quem desejar aprofundar as discussões sobre as questões de saúde apresentadas ou pontuadas nesta edição pode acessar o número dedicado à saúde da população negra da revista Saúde e Sociedade: http://apsp.org.br/SaudeSociedade/XVI_2/; os livros Seminário Saúde da População Negra e Saúde da População Negra no Brasil: contribuições para a promoção da equidade (FUNASA), e o Boletim do Instituto de Saúde (BIS) nº 31, disponíveis no site: www.isaude.sp.gov.br