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BIS. Boletim do Instituto de Saúde (Impresso)

versão impressa ISSN 1518-1812

BIS, Bol. Inst. Saúde (Impr.)  no.43 São Paulo dez. 2007

 

Editorial

 

 

Luiz Vicente Souza Martino

Pesquisador Científico do Instituto de Saúde da SES-SP e editor responsável por essa edição. Contato: lmartino@isaude.sp.gov.br

 

 

"A luta para a construção de uma prática pública
que incorpore e inclua a cidadania de todos e todas
como sua premissa básica - onde igualdade é um ponto
de partida e não um objetivo eventual e místico -
não é um sonho"1

Em 2008, a Constituição Federal que abriu caminho para o surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS), completa 20 anos. Neste contexto de profícuas lutas e motivo de justa satisfação, onde também completa 20 anos a divulgação do pequeno texto mimeografado - o hoje famoso marco teórico (Saúde Bucal Coletiva2) -, é que pela primeira vez o Boletim do Instituto de Saúde (BIS), em seu 43º número, tem como tema central a Saúde Bucal Coletiva. Mais precisamente, o Projeto "Observatório de Saúde Bucal Coletiva - construindo a cidadania na saúde", que nasceu no próprio Instituto de Saúde da SES-SP entre reflexões e debates do Grupo de Estudos de Clínica Odontológica, lá pelos idos de 2003.

O Projeto, aprovado e financiado pelo CNPq, teve como seu território de observação a região da extinta Direção Regional de Saúde (DIR) V de Osasco - hoje pertencente ao Departamento Regional de Saúde (DRS) I, juntamente com todos os municípios da Região Metropolitana de São Paulo -, entre os anos de 2005 e 2007. Aspectos fundamentais aos serviços públicos de saúde como a universalidade, equidade, integralidade e controle social foram examinados pelo Observatório, utilizando algumas possibilidades de investigação: observação, investigação teórica, análise documental, entrevista e pesquisa-ação e guiando-se por cinco linhas de pesquisa: clínica ampliada, ações coletivas, média e alta complexidade, gestão e co-gestão e informação em saúde.

O componente "clínica ampliada", no contexto do Observatório de Saúde Bucal Coletiva, trabalhou com elementos que pretendiam que o cirurgião-dentista repensasse sua prática, propiciando condições subjetivas para o exercício ampliado da clínica odontológica, ultrapassando a usual abordagem de "cariologia" e puericultura presente nos serviços e a fragmentação das especialidades.

Enquanto isso, inovações em promoção da saúde foram propostas pelo componente de ações coletivas, avaliando o potencial de mobilização social e política das práticas educativas em saúde bucal, como expressão de ações coletivas em saúde, no tocante à participação do usuário e à capacidade dos conselhos de saúde na formulação e implementação das políticas de saúde.

A média e alta complexidade avaliou a demanda e sistemas de referência e contra-referência na região da DIR V. Ao contextualizar a região, deparou-se com o processo de implantação dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e dos Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPD), parte integrante da Política Nacional de Saúde Bucal (Brasil Sorridente), que teve como propostas aspectos como ampliação do acesso e integralidade das ações de saúde bucal.

O grupo gestão e co-gestão ocupou-se em pesquisar modelos de gestão para os serviços de saúde que impulsionassem a participação popular na condução e implantação das políticas de saúde, discutindo modelos de gestão que incluíssem o usuário na gestão do SUS. E a informação em saúde trabalhou com os sistemas de informação em saúde bucal, utilizados pelos municípios, representados no Comitê de Saúde Bucal da Direção Regional de Saúde V, avaliando-os, sugerindo readequações e propondo a construção e utilização de novos indicadores de saúde bucal.

O percurso do Projeto foi marcado por inúmeras experiências que construíram uma vasta biblioteca de assuntos que, logicamente, carecem de investigações futuras. Os textos presentes nesta edição do BIS fornecem apenas uma pequena amostra do trabalho produzido pelo Observatório. Por enveredar pela diversidade da pesquisa que o SUS proporciona, o Observatório de Saúde Bucal Coletiva agregou uma grande quantidade de pessoas em sua estrutura dentre usuários, trabalhadores e pesquisadores, bem como os participantes de seus dezesseis "Seminários de Pesquisa em Saúde Bucal Coletiva - Integrando Serviços" que se realizaram em seu trajeto. Portanto, é necessário salientar que seu desenvolvimento científico, desde a proposição de seus objetivos até a demonstração de seus produtos, só foi possível com a contribuição de todas estas pessoas e é justo aqui o agradecimento a todos.

Finalmente, para o fechamento desta publicação, houve uma preocupação referente à autoria dos dez artigos aqui presentes, devido à maneira como as atividades foram propostas, planejadas e executadas no Projeto Observatório, ou seja, em clima de liberdade e de escuta, principalmente. Optou-se, então, por utilizar critérios semelhantes a outras publicações, já usuais e conhecidos por todos. Os autores foram aqueles que participaram da elaboração dos artigos de modo que assumam publicamente a responsabilidade pelo seu conteúdo. A concepção e o delineamento ou a análise e interpretação dos dados, a redação do artigo ou a sua revisão crítica, além da aprovação da versão a ser publicada também foram levados em consideração.

A efetiva intenção do Projeto foi de contribuir para a construção da cidadania no SUS. E, com esta perspectiva, o Observatório de Saúde Bucal Coletiva deseja a todos uma boa leitura!

 


1 Spink PK. In: Keinert TMM & Karruz AP. (org.). Qualidade de vida: observatórios, experiências e metodologias. São Paulo: Annablume/Fapesp, 2002.         [ Links ]
2 Botazzo C, Manfredini MA, Narvai PC, Frazão P. Saúde Bucal Coletiva. São Paulo/SP, 1988. mimeo.         [ Links ]