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Revista do Instituto Adolfo Lutz (Impresso)

versão impressa ISSN 0073-9855

Rev. Inst. Adolfo Lutz (Impr.) vol.66 no.2 São Paulo  2007

 

ARTIGO DE REVISÃO REVIEW ARTICLE

 

Ácido fólico e fortificação de alimentos

 

Folic acid and food enrichment

 

 

Janete Alaburda*; Luzia Shundo

Seção de Química Biológica, Divisão de Bromatologia e Química, Instituto Adolfo Lutz. Av. Dr. Arnaldo, 355 CEP 01246-902 São Paulo/SP. E-mail: jalaburd@ial.sp.gov.br

 

 


RESUMO

Folato é o termo genérico utilizado para os compostos que apresentam atividade vitamínica similar a do ácido pteroilglutâmico e é usado para descrever as formas da vitamina que ocorrem naturalmente nos alimentos, enquanto que o termo ácido fólico representa a forma sintética encontrada em suplemento medicamentoso e em alimento enriquecido. O folato está diretamente relacionado com a prevenção de defeitos do tubo neural, além da prevenção de outras doenças como problemas cardiovasculares, doença de Alzheimer, alguns tipos de cânceres, entre outras. No Brasil, o Ministério da Saúde determinou que a partir de junho de 2004, todas as farinhas de trigo e de milho fabricadas no país ou importadas devem ser enriquecidas com ferro e ácido fólico. A presente revisão faz uma abordagem geral sobre o ácido fólico e folatos, em que é feita a discussão sobre as características físico-químicas, biodisponibilidade, funções bioquímicas, fontes, uso na fortificação de alimentos e metodologia analítica para sua quantificação em alimentos.

Palavras-chave: ácido fólico, folatos, vitaminas, alimentos fortificados.


ABSTRACT

Folates are the generic term used to designate the class of compounds having a chemical structure and nutritional activity similar to that of folic acid (pteroyl-L-glutamic acid), while folic acid is a synthetic fully oxidized folic acid (FA) form added into foodstuffs and pharmaceutical preparations. Folate deficiency is a well-knownrisk factor for causing neural tube disorders,cardiovascular diseases, Alzheimer disease, some types of cancer, among others diseases. In Brazil, since June 2004 the Agency for Public Health Surveillance (ANVISA) has established the mandatory enrichment of wheat and corn flours with FA and iron. The present review describes some general approaches on folic acid and folates, including physical-chemical characteristics, bioavailability, biochemistry functions, sources, food fortification , and analytical methodology for performing their quantification in food.

Key words: folic acid, folates, vitamins, enriched food.


 

 

INTRODUÇÃO

A nutrição inadequada é um problema mundial tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, com sérias implicações econômicas e à saúde. A fortificação contínua tem sido uma das principais estratégias empregadas para minimizar este problema, desde que é uma maneira eficaz para corrigir as deficiências de nutrientes essenciais de uma população, devido a sua abrangência, biodisponibilidade e baixo custo1.

A falta de vitaminas pode causar sérias doenças aos seres humanos, apesar de que somente quantidades reduzidas são necessárias para garantir uma boa saúde. A principal fonte de vitaminas para o ser humano são os alimentos.

Nos últimos anos os folatos, uma vitamina do complexo B denominada vitamina B9, tem despertado um grande interesse devido a sua ligação na prevenção dos defeitos do tubo neural e possível prevenção de doenças cardiovasculares, alguns tipos de cânceres e problemas neuro-psiquiátricos, tais como demência e depressão2.

O Ministério da Saúde determinou que a partir de junho de 2004, todas as farinhas de trigo e de milho fabricadas no Brasil ou importadas devem ser enriquecidas com ferro e ácido fólico3.

Ácido fólico e folatos

Os folatos são vitaminas hidrossolúveis naturais que contém a estrutura do ácido pteroilmonoglutâmico (ácido fólico), denominados vitamina B9. Eles exibem atividade vitamínica similares a do ácido fólico e existem na forma de poliglutamatos4. A história da descoberta dos folatos teve início em 1935, quando começou a ser descrita uma série de distúrbios decorrentes da deficiência nutricional de um composto pertencente à família do ácido pteroilglutâmico, cujo protótipo do grupo era o ácido fólico5.

Este ácido recebeu este nome em 1941, quando foi isolado a partir das folhas do espinafre. Esta vitamina foi sintetizada na forma cristalina em 1943 por Bob Stokstad e em 1945 por Angier6, sendo possível demonstrar que ele é formado por um anel pteridinio e pelos ácidos paraaminobenzóico e glutâmico (Figura 1). Após sua síntese, pode-se verificar que os folatos diferem do ácido fólico em três aspectos: (i) possuem resíduos adicionais de unidades de glutamatos (poliglutamatos), (ii) sofrem redução para diou tetra-hidroderivados; e (iii) podem conter unidades carbônicas adicionais, tais como, radicais metil, formil, metileno ligados aos átomos de nitrogênio.

 

 

O termo ácido fólico é usado para caracterizar a forma totalmente oxidada não presente naturalmente nos alimentos, enquanto que o termo folatos representa o grupo de compostos que possuem a mesma atividade vitamínica e inclui os folatos naturais e o ácido fólico, o qual é a forma sintética utilizada na fortificação dos alimentos.

Características químicas e físicas

O ácido fólico (2-amino-4-hidroxi-6-metilenoaminobenzolL-glutâmico), também denominado ácido pteroilglutâmico ou vitamina B9, é uma substância cristalina amarela de peso molecular 441,40 g/mol e fórmula molecular C19H19N7O6, sendo composto de três subunidades: pteridina, ácido p-aminobenzóico e ácido glutâmico. Os folatos apresentam estruturas similares à do ácido fólico, porém ocorrem naturalmente nos alimentos na forma reduzida como derivados de poliglutamatos, contendo de 2 a 7 unidades de ácido glutâmico. Além de apresentarem estrutura similar a do ácido fólico, eles também apresentam atividade vitamínica semelhante à deste ácido.

O ácido fólico puro é inodoro e insípido. É levemente solúvel em água em pH neutro (aproximadamente 1% em água fervendo), porém bastante solúvel em solução aquosa ácida e alcalina e insolúvel em solventes orgânicos, tais como etanol, acetona e éter7. O ácido fólico não apresenta ponto de fusão, decompondo-se a 250ºC, possui rotação quiral [α]D igual a + 23º em solução 0,5 % em hidróxido de sódio 0,1 M. As soluções aquosas de ácido fólico são sensíveis ao calor e se decompõem na presença de luz.

O ácido fólico apresenta mais estabilidade em meio alcalino do que em meio ácido, sendo que as soluções padrão são preferencialmente preparadas em condições alcalinas. Ainda, a sua estabilidade depende do tipo de tampão em que ele é armazenado, sendo que a presença de fosfato no tampão pode diminuir a estabilidade desta vitamina7. Salienta-se que tampão fosfato é utilizado na maioria das metodologias para análise deste ácido em alimentos, nas etapas de extração como de separação e quantificação8,9,10.

O ácido fólico absorve radiação eletromagnética na região do ultravioleta porém não apresenta fluorescência, enquanto que os folatos absorvem na região do ultravioleta e apresentam fluorescência. Este ácido possui vários grupos ionizáveis com constantes de dissociação ácida variando dentro de uma ampla faixa de pH, de forma que as medidas de absorbância dependem drasticamente do pH do meio11. Os comprimentos de onda (λ) de absorção na região eletromagnética do ultravioleta e as respectivas absortividades em solução tampão fosfato 0,10 M a pH 7 estão apresentados na Tabela 1.

 

 

Biodisponibilidade

A biodisponibilidade se refere à porção do folato ingerido que é absorvido e torna-se disponível para os processos metabólicos e para o armazenamento pelo organismo. Estimase que a biodisponibilidade dos folatos naturais é incompleta em relação à vitamina na sua forma sintética, o ácido fólico. Devido a esta diferença de biodisponibilidade, que pode acarretar erros entre 10-98% em estudos epidemiológicos, recentemente foi introduzido o termo equivalente de folatos na dieta, que é definido como a quantidade de folato natural no alimento mais 1,7 vezes a quantidade de ácido fólico na dieta. Estima-se que a biodisponibilidade do ácido fólico adicionado aos alimentos é maior do que o folato natural dos alimentos por um fator de 1,712. Este fator é baseado num estudo realizado com mulheres não gestantes, o qual avaliou que a biodisponibilidade de folatos em alimentos é 50% menor ou igual que a do ácido fólico13 e em outra pesquisa que demonstrou que o ácido fólico adicionado nos alimentos apresenta cerca de 85% da biodisponibilidade do composto na forma pura14.

A biodisponibilidade dos folatos naturais é dependente de vários fatores, tais como: desconjugação intestinal dos poliglutamatos, matriz alimentícia, instabilidade de certos folatos lábeis e presença de certos componentes no alimento que pode aumentar a estabilidade do folato natural durante a digestão.

Os folatos são predominantemente poliglutamatos, os quais necessitam ser hidrolisados para monoglutamatos para serem absorvidos no intestino delgado. Este processo ocorre num pH ótimo entre 6-7, portanto alimentos que alteram o pH intestinal podem acarretar uma incompleta desconjugação do poliglutamato, e conseqüentemente, uma diminuição na sua biodisponibilidade12.

O equivalente de folato dietético (EFD) foi definido para ajustar as diferenças de biodisponibilidade de ácido fólico que é considerado mais disponível do que os folatos dos alimentos. O µg de EFD é estabelecido como: 1µg EFD = 1µg de folato no alimento = 0,6µg de ácido fólico no alimento. Portanto, o µg EFD = µg folato no alimento + 1,7 x µg ácido fólico18. Para se calcular o equivalente de folato dietético presente no alimento, o método analítico utilizado deve ser capaz de diferenciar o ácido fólico dos folatos naturais presentes.

Funções

Os folatos atuam como coenzimas mediando a transferência de unidades de carbono, podendo agir como aceptores ou doadores de unidades de carbono numa variedade de reações críticas para o metabolismo de ácidos nucléicos e aminoácidos.

Eles exercem um papel vital no metabolismo do DNA através de duas rotas diferentes: (i) síntese de DNA a partir de seus percursores e (ii) síntese de metionina, a qual é necessária para a síntese de S-adenosilmetionina (SAM). O SAM é um doador de grupo metila (unidade de carbono) usada em muitas reações biológicas de metilação, incluindo um número de sítios do DNA e RNA19,20. A metilação do DNA pode ser importante na prevenção de câncer.

As coenzimas também são importantes para o metabolismo de muitos aminoácidos essenciais. Elas participam, juntamente com uma enzima dependente de vitamina B12, da síntese de metionina a partir de homocisteína. Desta forma uma deficiência de folato pode causar uma diminuição na síntese de metionina e uma elevação nos teores de homocisteina, os quais podem ser um fator de risco para doenças cardiovasculares20, bem como, outras doenças crônicas21.

O folato está diretamente relacionado com a prevenção de defeitos do fechamento do tubo neural (DFTN), além da prevenção de outras doenças como problemas cardiovasculares, doença de Alzheimer, alguns tipos de cânceres, entre outras22,23. Vários estudos têm demonstrado que esta vitamina pode ajudar na diminuição dos teores de homocisteina no sangue, reduzindo ataques de coração e doença de Stroke. Em contrapartida, o excesso de ácido fólico pode mascarar os sintomas da deficiência da vitamina B12.

A deficiência de folatos pode ser causada por diferentes situações, como uma dieta pobre de folatos ou uma absorção diminuída, como por exemplo, por alcoolismo. Certas condições como gravidez ou câncer resultam em taxas maiores de divisão e metabolismo celular, implicando um aumento na demanda corpórea de folatos. Alguns medicamentos também podem contribuir para esta deficiência, como trimetoprima, metotrexato, anticonvulsivantes e anticoncepcionais. Uma dieta deficiente de folatos pode ocasionar após quatro meses o desenvolvimento de anemia megaloblástica, além de severa deficiência de potássio6.

Fontes de folatos

Os alimentos com maior conteúdo de folatos são as verduras e hortaliças, os cereais e as frutas, cujos valores de folatos variam entre 20 a 160µg/100g. Os alimentos de origem animal, de forma geral, apresentam baixos teores desta vitamina, com exceção de fígado que apresenta altas concentrações (700 a 1400µg/100g)24. Os valores tabelados para esta vitamina apresentam uma variabilidade bastante grande, que está relacionada com o método analítico utilizado e com a baixa estabilidade dos folatos naturais.

Dependendo da dieta adotada pela população, podese obter uma ingestão adequada de folatos, como por exemplo na Espanha, onde os teores de ingestão desta vitamina são uns dos maiores entre os países da Europa24. Salienta-se que além da composição da dieta, outro fator importante é o preparo dos alimentos, uma vez que estes compostos são hidrossolúveis e termolábeis.

As recomendações de teores de ingestão diárias estão baseadas na prevenção da anemia megaloblástica e de DFTN, doenças cardiovasculares, entre outras. Em 2000, o Instituto de Medicina dos Estados Unidos estabeleceu a ingestão diária recomendada de ácido fólico de 0,4mg/dia para as mulheres e 0,6mg/dia para as gestantes25, valores similares publicados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no Brasil26. Estes requerimentos de folatos são difíceis de serem alcançados com uma dieta normal equilibrada, pois esta fornece cerca de 0,25mg/dia tomando como base um valor energético total de 2200 Kcal diárias27,28.

Fortificação de alimentos

O enriquecimento dos alimentos tem sido uma estratégia para aumentar os níveis de folatos, tendo a vantagem de alcançar uma ampla parte da população, sem a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares29. Alguns estudos têm demonstrado que o enriquecimento dos alimentos pode ser a forma mais eficaz devido ao seu custo, menos que 0,1 % do custo da farinha30, quando comparado com mudanças nas dietas ou administração de suplementos31.

Atualmente, mais do que 2 bilhões de pessoas no mundo sofrem pela deficiência de micronutrientes. Nos Estados Unidos, 10 a 20 % da população consomem menos do que 50 % da ingestão diária recomendada de ácido fólico e vitaminas B6, C e E32. Desta forma, visando à prevenção de doenças causadas pela deficiência de folatos, principalmente defeitos do fechamento do tubo neural, muitos países tem estabelecido a obrigatoriedade da fortificação de certos alimentos com ácido fólico.

O ácido fólico sintético tem uma maior biodisponibilidade que os folatos naturais, os quais apresentam uma biodisponibilidade aproximada de 50%24. Esta menor biodisponibilidade dos folatos naturais está relacionada a vários fatores como: a estrutura química, o tamanho da cadeia poliglutâmica, matriz alimentícia, fatores genéticos da população, entre outros.

A escolha do produto alimentício para fortificação depende dos hábitos alimentares da população, dos aspectos logísticos do processo de fortificação e a relação química entre o ácido fólico e o produto a ser fortificado. O alimento mais freqüentemente escolhido tem sido a farinha de trigo24.

A fortificação da farinha de trigo vem sendo realizada desde a década de 90 em El Salvador, Guatemala, Honduras, Costa Rica, Nicarágua e Panamá. Os teores de ácido fólico adotados para o enriquecimento variam entre os países, como por exemplo na Guatemala utiliza-se 0,35-0,45mg/Kg, no México 2,0mg/Kg e na Costa Rica 1,5mg/Kg24. Em 1998, a fortificação obrigatória de produtos de cereais em grãos teve início nos Estados Unidos com 1,40mg/Kg de produto29 e no mesmo ano no Canadá com teores mínimos de 1,5mg/Kg de farinha de trigo33, enquanto que no Chile começou em 2002 utilizando-se 2,20mg/Kg de farinha de trigo.

No Brasil a fortificação tornou-se obrigatória a partir de junho de 2004 com a publicação da RDC n. 344, que determinou que as farinhas de trigo e de milho deveriam conter 150µg de ácido fólico para cada 100g de farinha9. Na Europa, apesar de reconhecerem os benefícios e a importância dos folatos para a saúde humana, a fortificação não é obrigatória, e em alguns países somente voluntária.

Efeitos adversos de altas doses de ácido fólico podem ocorrer se for ingerida uma quantidade superior a 1mg folato por dia para adultos e de 300 a 800µg/dia para crianças. Estas altas concentrações podem mascarar a detecção da deficiência de vitamina B122. Desta forma, alguns autores sugerem a fortificação conjunta de ácido fólico e vitamina B12.

Depois do início da fortificação obrigatória das farinhas nos Estados Unidos, os níveis médios de folato no soro sanguíneo em mulheres não grávidas mas em idade reprodutível mais do que dobraram. A fortificação tem sido responsável pela redução de 30% de defeitos do tubo neural. No Canadá esta redução foi de 50% e no Chile cerca de 70%30, sendo cerca de 44% no México34. Resultados similares foram observados para o efeito protetor do ácido fólico em alguns países (Estados Unidos, Canadá, Chile e Austrália), verificando-se percentuais de redução da prevalência de defeitos do tubo neural na faixa de 16 a 78%27.

Metodologia analítica

Os métodos para análise de ácido fólico podem ser agrupados em métodos biológicos, químicos, bio-específicos (imunoenzimático e radioimunoensaio), microbiológicos e cromatográficos, sendo que os dois últimos são os mais utilizados7. O método reconhecido oficialmente para análise de folatos é o ensaio microbiológico que se baseia na relação quantitativa entre o conteúdo de folato e o crescimento do microrganismo35.

Os procedimentos bio-específicos podem apresentar algumas vantagens sobre o ensaio microbiológico e cromatográfico, porém são pouco utilizados. Eles são mais rápidos, de baixo custo, apresentam procedimento simples com pouco preparo de amostras. O radioimunoensaio é adequado para a análise de material biológico, porém apresenta restrita aplicação para alimentos36.

Ensaio microbiológico

O ensaio microbiológico baseia-se na medida de turbidez da solução37. O crescimento do microrganismo depende da quantidade de folato presente na amostra, sendo que este crescimento é proporcional a turbidez do meio. Este ensaio requer equipamentos de baixo custo, determina a quantidade total de folatos e é muito sensível. Por outro lado, pode ocorrer reação cruzada, isto é, algumas substâncias presentes podem estimular ou inibir o crescimento do microrganismo, além de ser demorado e necessitar de pessoa experiente para o manuseio da amostra e do microrganismo, para garantir a qualidade e reprodutibilidade dos resultados analíticos7.

Os microrganismos usados são Lactobacillus rhamnosus, Enterococcus hirae e Pediococcus acidilatici. Streptococcus faecalis (E. hirae) (ATCC 8043) foi inicialmente o mais comum, porém como ele não responde para as formas metiladas, normalmente presentes nos alimentos, foi substituído pelo L. rhamnosus (L. casei) (ATCC 7469). O Enterococcus hirae é utilizado para quantificar somente a forma livre do ácido fólico, aplicando-se para a análise desta vitamina em alimentos fortificados sem pré-digestão enzimática38.

Para a análise de folatos totais nos alimentos, normalmente se emprega o ensaio microbiológico com L. rhamnosus (L. casei) (ATCC 7469) com diferentes processos de digestão enzimática16.A resposta de L. rhamnosus para folatos naturais diminui com o aumento da cadeia poliglutâmica39, sendo que ele responde igualmente de mono a triglutamatos. Atualmente o processo de digestão trienzimático, que consiste do tratamento seqüencial da matriz alimentícia com protease e α-amilase antes da adição da conjugase, está sendo utilizado na etapa de extração40. A protease e a α-amilase são utilizadas para digerir a matriz alimentícia e liberar os folatos, enquanto que a conjugase promove a hidrólise dos poliglutamatos para mono ou diglutamatos16.

A etapa de extração, como para as demais técnicas analíticas, é um dos pontos mais críticos para a exatidão e precisão dos resultados. Condições do pH do meio reacional, diluição das soluções, temperaturas de aquecimento para obtenção de condições assépticas para incubação, seqüência de adição das enzimas durante o processo de digestão, temperatura de incubação, entre outros, são fatores que podem influenciar significativamente os resultados obtidos. A combinação ideal das enzimas e condições reacionais pode variar dependendo da composição da matriz alimentícia41.

A introdução de microplacas ao invés dos tubos de ensaio para incubação e medida de absorbância em leitora de placas tem apresentado vantagens quando comparado com o procedimento convencional, como diminuição no uso de reagentes, redução do tempo analítico para pipetagem e leitura de turbidez e maior sensibilidade7.

Método cromatográfico

O método cromatográfico, utilizando cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) permite a separação dos diferentes isômeros de folatos e a quantificação individual de cada um. Este método pode ser altamente específico, confiável e requer menos tempo do que o ensaio microbiológico, porém requer equipamento mais caro e apresenta menor sensibilidade. Utiliza-se a cromatografia em fase reversa com detectores de ultravioleta ou de massas, uma vez que o ácido fólico não apresenta fluorescência natural, e de fluorescência ou de massas para os folatos naturais42.

A maioria dos métodos utilizando CLAE que tem sido desenvolvido para a análise de folatos naturais, determinam os folatos na forma de monoglutamatos, porém não se tem um procedimento padronizado para a hidrólise dos poliglutamatos e as diferentes formas de preparo da conjugase diferem em origem, atividade, pH e produtos finais da hidrólise37. No caso do ácido fólico adicionado não é necessária a etapa de hidrólise, uma vez que ele já ocorre na forma de monoglutamato.

Vários métodos utilizando CLAE tem sido desenvolvidos para análise de ácido fólico e outros folatos em alimentos8,9,14,40,43-53.

A extração do ácido fólico a partir da matriz alimentícia é uma etapa bastante crítica para a garantia da qualidade dos resultados experimentais. A extração desta vitamina tem sido feita com solução tampão pH 8-9 seguida por digestão com α-amilase8, ou inicialmente com solução de hidróxido de potássio, seguida de ácido tricloroacético e tampão fosfato pH 6,047, ou solução tampão fosfato pH 6,0 e hidrólise com conjugase44,51 ou ainda tampão fosfato pH 4,2 e digestão trienzimática52. Alguns métodos utilizam solução tampão Hepes/Ches e digestão enzimática, com adição de ascorbato e mercaptoetanol para aumentar a estabilidade dos folatos naturais9,14,45. Pietro et al.53 utilizaram coluna de extração em fase sólida C18 para a etapa de extração de ácido fólico a partir de amostras de bebidas fortificadas.

Após a extração, pode-se fazer uma limpeza dos extratos utilizando extração em fase sólida, sendo que a coluna mais utilizada para esta finalidade é a coluna de extração em fase sólida fortemente aniônica (SAX)8,22,44. Alguns autores utilizam colunas de imunoafinidade9,14,45,48.

A separação do ácido fólico geralmente é realizada em fase reversa utilizando coluna C18 e eluição isocrática com pareamento de íons8 ou gradiente usando como fase móvel uma mistura de acetonitrila e ácido acético40,47, ou acetonitrila e tampão fosfato9,14,22,44, ou metanol e acetato de amônio53, ou acetonitrila e tampão fosfato com pareamento de íons46. A fase móvel mais utilizada em eluição por gradiente é uma mistura de acetonitrila e tampão fosfato pH < 3. A detecção normalmente é feita na região eletromagnética do ultravioleta a 2808,52 ou 290 nm9,22,44.

Alguns métodos utilizando detector de massas (CLAE-MS) têm sido descritos. Thomas et al.54 desenvolveram um método para análise de ácido fólico em sucos cítricos e Pawlosky et al.49 usaram esta técnica para a análise de cereais matinais fortificados com ácido fólico e de pães50. Apesar do uso desta técnica mais específica, os autores utilizam extração em fase sólida para limpeza dos extratos, antes da análise cromatográfica. Patring et al.38 concluiram que a técnica CLAE-MS apresenta melhor sensibilidade e especificidade do que o detetor de UV.

Embora a técnica de CLAE apresente alto potencial para análise de folatos em alimentos, verifica-se algumas limitações, como a rigorosa limpeza da amostra antes da análise. O emprego de colunas de afinidade ou de troca iônica parece promissor, mas ainda deve ser testado e avaliado por comparação com o método microbiológico7.

Ensaios de proficiência

Muitos pesquisadores têm reportado boa correlação entre os resultados por CLAE e ensaio microbiológico, em alguns casos foi observado que os valores obtidos por CLAE são inferiores (cerca de 50%) aos do ensaio microbiológico55. Estes resultados foram similares aos observados num ensaio interlaboratorial que observou que os resultados provenientes do CLAE são cerca de 30 a 40% menores que do ensaio microbiológico56.

Num ensaio interlaboratorial usando materiais de referência de cereal matinal, peixe em pó e farinha de soja verificou-se que os coeficientes de variação para 26 laboratórios variaram de 24 a 35%. Os autores concluem que esta alta variação está relacionada a variedade de métodos utilizados, como ensaio microbiológico, CLAE-UV, CLAE-MS, bem como, diferentes técnicas de extração56.

 

CONCLUSÕES

O ácido fólico (ácido pteroilglutâmico) é uma vitamina do complexo B, denominado vitamina B9. Muitos estudos têm demonstrado que o uso pré-conceptivo desta vitamina reduz os DFTN, como a espinha bífida e a anencefalia. Recomendase uma suplementação diária de ácido fólico de 400µg para mulheres em idade fértil. A fortificação de alimentos com ácido fólico tem sido uma maneira segura e eficiente para se alcançar estes teores desta vitamina pela alimentação.

A oficialização de um método seguro, rápido, preciso e validado é fundamental para o monitoramento de alimentos fortificados, visando a obtenção dos benefícios para a saúde da população.

 

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Recebido: 01/06/2007
Aceito para publicação: 20/07/2007

 

 

* Endereço para correspondência: Seção de Química Biológica, Divisão de Bromatologia e Química, Instituto Adolfo Lutz. Av. Dr. Arnaldo, 355 CEP 01246-902 São Paulo/SP. E-mail: jalaburd@ial.sp.gov.br.